Crônica 1: Dos Homens e Anjos

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Crônica 1: Dos Homens e Anjos

Mensagem por Narrador HDH em Qui Jul 09 2009, 15:24

CRÔNICA 1: DOS HOMENS E ANJOS

As camadas caíram de seus olhos.
A chama foi acesa: será uma lâmpada pendurada acima de uma inscrição em uma lâmina antiga?
Ou uma grande conflagração consumindo a casa onde os demônios uivantes aguardam?
As coisas nunca serão as mesmas depois disto.
Você entrou em uma trilha de perdição.

Caçadores são luz e fogo. Claro que isto pode significar uma tocha pressionada contra a carne pútrida de um adversário demoníaco, ou uma barulhenta conflagração que consome todos os parasitas aprisionados em um ninho. Pode, também, significar um candelabro mantido no alto pela memória dos amigos e familiares perdidos. Caçadores carregam a Vigília, representando ação e conhecimento. Colocar estes elementos em par não é seguro, nem são, e caçadores arriscam tudo quando estão na caçada.

Caçadores carregam a Vigília porque eles podem fazer nada mais que isso: eles viram o que existe. Eles experenciaram o horror ou o mistério que os compele neste caminho. Alguns vêem a violência como a única solução, queimar tudo até as cinzas. Outros se aproximam da Vigília diferentemente, capturando os monstros em vídeos e esperando expo-los, ou saqueando o mundo das antigas armas místicas com as quais poderá defender a humanidade.

No nível mais básico, caçadores existem na ignorância. Amigos, familiares, ou esses levados a tomar certas atitudes em decorrência de circunstâncias enlouquecedoras. Eles protegem seus territórios em florestas, quarteirões da cidade, sua rede de abrigo para mulheres. Eles não sabem a profundeza do que está lá fora; eles possuem apenas uma pequena quantia de luz que seus próprios candelabros iluminam.

Candelabros dão lugar a tochas, a células que se reúnem em organizações locais. Eles acumulam recursos. Eles dão suporte psicológico uns aos outros. Eles apresentam um front mais unificado contra os seres da escuridão. Grupos antigos e agências modernas dão aos seus Caçadores armas potentes, algumas das quais são tão estranhas que esses que a usam podem apenas imaginar por mais quanto tempo eles realmente podem manter sua própria humanidade.

Mas mesmo se unindo para formar um inferno ou uma tempestade de fogo, Caçadores não podem fazer nada se não contemplar quão longa e profunda são estas sombras, e quão numerosas.

Pior...

A chama é temporária: velas se apagam, uma tocha esmorece frente a um vento frio, uma fogueira logo consome a si própria. Caçadores sabem que eles, também, são temporários, em um mundo onde a escuridão é inacabável e eterna. Eles apenas podem esperar que outros mantenham a Vigília em seus lugares.
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Re: Crônica 1: Dos Homens e Anjos

Mensagem por Narrador HDH em Qui Jul 09 2009, 15:25

"Ontem a polícia encontrou dois corpos no Millenium Park, em Chicago, Illinois. Não há suspeitos e as vítimas ainda não foram identificadas".

Aquela era mais uma noite, como tantas outras. Chicago... Chicago era uma bela cidade, as vezes um tanto inóspita, fria, mas sempre aberta a aqueles poucos corajosos que ousavam desafia-la, aventurar-se sob suas rajadas de vento e procurar um lugar no topo.

"Jerry, alguma informação adicional com este... ahn, aparente comum caso em tempos modernos?"

Mais uma noite, como qualquer outra. Ameaçava chover, apesar de que aquela bela garota do tempo disse que o dia seria limpo pelo menos até quarta-feira. Era segunda, e aparentemente, eles haviam errado.

Aparentemente tornou-se um eufemismo quando as primeiras gotas começaram a cair.

"S-sim, há algumas informações que podemos passar aos telespectadores, foi-nos informado..." o homem um tanto atrapalhado mexia em alguns papéis na sua mão. Tentava manter-se calmo, mas era uma tarefa um pouco dificil quando você precisa evitar que as gotas molhem o seu script "que a polícia está convicta que se trata de uma execução. Dois tiros, um para... ahn, um para cada um, na cabeça. O Detetive Reeves, condecorado oficial da cidade, acredita que..." ele fez uma pausa, havia abandonado as informações e agora confiava no Teleprompt. Ele provavelmente iria acabar devendo um almoço para o cara que cuidava daquilo "possa se tratar de suicídio, mas ele tem sido uma voz solitária no Departamento de Investigação"

Ninguém realmente parava para observar o que acontecia. A vida seguia, cada um em sua própria guerra, em suas próprias tristezas, seus próprios desafios. A escuridão pairava em cada canto da cidade, por cada beco, cada casa, cada esquina, cada construção. Era Chicago, e seus enormes arranha-céu projetavam as trevas sobre o asfalto molhado da Cidade dos Ventos.

"Jerry... você..."

pausa

"A polícia informou se há alguma relação com a recente" ela esboçou um agradável sorriso, debochado "lenda urbana..." fez uma pequena pausa, novamente "do caso do Caçador, como é vulgarmente conhecido entre os mais jovens?"

As vezes era difícil dormir. Você nunca realmente sabia o que estava do lado de fora. Ou o que estava.
Aqueles eram tempos dificeis, de informação em tempo recorde. O que significava notícias ruins mais velozes que o próprio vento de Chicago.

"Não. Para a Polícia... isso, isso... não passa de, como você mesma disse, Eliza, de uma história inventada, uma lenda urbana."

Sete horas da noite. Após um longo dia numa segunda-feira, aquele parecia ser o momento mais apropriado para o merecido retorna para casa.

"Muito bem, obrigado Jerry. Bom, saímos do Millenium Park e vamos direto para a cozinha do renomado Chefe de Cozinha...."

Falávamos de Chicago.
Havia um clima de tensão, como se houvesse uma guerra não declarada sendo travada todos os dias.

Falávamos de Chicago.
Ao som do velho Blues, a noite começava...
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