Introdução: Sob um Céu Sem Estrelas

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Re: Introdução: Sob um Céu Sem Estrelas

Mensagem por Beholder em Sex Jan 22 2016, 15:51

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Re: Introdução: Sob um Céu Sem Estrelas

Mensagem por O Zelador em Sex Jan 22 2016, 15:51

O membro 'Beholder' realizou a seguinte ação: Roll

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Re: Introdução: Sob um Céu Sem Estrelas

Mensagem por 25Slash7 em Sab Jan 23 2016, 10:42

Sengann

Ergueu-se. Entre gritos e o cheiro nauseante de sangue, o mercenário ergueu-se. Firmou as pernas, empunhou sua arma e tentou forçar a própria consciência a retornar. Bradou e, ao bradar, não viu quando um dos homens dos adversários tentou acertar o pescoço do mercenário com uma espada curta, a qual foi defendida, a tempo, por um dos dois que haviam sobrado, de modo que apenas um pequeno corte foi feito no pescoço do mercenário, algo superficial. Defensor e agressor agora rolavam no chão, após o tackle que o "guarda" de Sengann havia desferido.

Viu o sulista. Era uma imagem esguia, trajando tecidos tipicos das regiões das dunas, ao sul da Criação. De início, o homem nada dizia, nada fazia. Sua expressão era uma de indiferença, quase tédio. Aos seus pés, os dois homens com boleadeiras estavam caídos.

- Obrigado por facilitar as mortes. Não havia planejado que seria tão facil atacá-los por trás. Qual campo de batalha não fica mais bonito com cadáveres? Um plano simples. Tornado mais simples.

Não se intimidou. Nem um unico instante de hesitação. O sulista avançou, com a ferocidade e velocidade, atacando cruelmente. Sengann resistia com primor, apesar do ferimento. Defendeu, aparou, recuou. Mas sabia que a sua defesa não poderia resistir para sempre, já que estava fraco, atordoado.

Não se intimidou.
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Re: Introdução: Sob um Céu Sem Estrelas

Mensagem por Beholder em Ter Jan 26 2016, 15:32

Sengann não era um duelista, os seus combates nunca duravam muito tempo. E tinha um motivo pra isso acontecer, ele não tinha muita paciência pra defensivas.

Aparou os golpes do sulista e se preparou para o ataque, aquilo acabaria ali e aquele guerreiro esnobe nunca mais lutaria na vida, chutou com um chute giratório em direção as pernas do homem, mas aquilo era só uma armadilha para que ele desviasse, o machado era o real perigo, a lamina pesada do machado seguiu em direção para o lado que o homem tinha ficado. Não havia muito controle no golpe, apenas força bruta.
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Re: Introdução: Sob um Céu Sem Estrelas

Mensagem por Valkyrja em Ter Jan 26 2016, 21:14

Dados, vãaaaaaao!
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Re: Introdução: Sob um Céu Sem Estrelas

Mensagem por O Zelador em Ter Jan 26 2016, 21:14

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Re: Introdução: Sob um Céu Sem Estrelas

Mensagem por Beholder em Qua Jan 27 2016, 14:44

FINISH HIM ROLL
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Re: Introdução: Sob um Céu Sem Estrelas

Mensagem por O Zelador em Qua Jan 27 2016, 14:44

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Re: Introdução: Sob um Céu Sem Estrelas

Mensagem por 25Slash7 em Qui Jan 28 2016, 08:38

A multidão estava em êxtase. Quem poderia esperar que tanto sangue seria derramado em uma noite como aquela. Como se poderia esperar que tantas mortes... os ancestrais, os mortos, deveriam estar satisfeitos.

Gritavam, esbravejavam, jogavam moedas para a arena, pedaços de comida. No centro do palanque, a surpresa, a expressão de desagrado dos monarcas. Cochichavam entre si, resmungavam, olhavam para tudo aquilo com uma certa descrença. Vez ou outra sorriam, aplaudiam um ou outro feito de bravura, mas, pareciam incomodados com todo o sangue.

Na linha dos vermelhos, sangue fluía livremente em uma bagunça que, aquela altura, era quase impossível discernir o que estava ocorrendo. Contudo, as atenções estavam é voltadas para o enfrentamento entre Sengann e o Sulista.

Todos haviam visto quando aquele mercenário havia feito ato de bravura atrás de ato de bravura. Derrubou a líder de Lookshy, quase levantou um cavaleiro e seu cavalo e, agora, enfrentava o mesmo homem que havia matado uma dezena com habilidade e velocidade.

Sengann não era o tipo que sabia se defender. Sua defesa, de fato, era um misto de sorte com instinto. Dava passos largos, pulava, utilizava o machado. Esperou o momento certo para atacar, queria ter certeza. Paciência não era seu forte, mas algo que dizia que seu tempo chegaria.

E, de fato, chegou.

Movido pela confiança, o sulista tornou-se descuidado, abriu o flanco, expôs-se. E, nesta fração de tempo, veio o pontapé. Sengann esperou que o homem fosse desviar, saltar para um lado, para o outro, mas o que ocorreu, em verdade, é que o sulista tentou dar um mortal por cima do mercenário. Um salto rápido, habilidoso, verdade, mas o guerreiro não teve tempo de perceber quando fora praticamente pregado no chão pelo arco que o machado de Sengann fez, de baixo para cima e para baixo novamente, ficanndo o sulista no chão como se fosse um prego torto.

A multidão rugiu.

No chão, o sulista tentou sussurrar algo, dizer algo... algum agradecimento, uma risada, uma ironia. Sengann não entendeu. Mas isto não importava, porque ele ainda tinha uma batalha para ganhar.

Virou-se para as fileiras e o que ele viu foi a imagem grotesta de uma carnicifina. Todos estavam caídos, excetuando um dos últimos que haviam feito a defesa de Sengann momentos atrás. De joelhos, segurando debilmente um escudo, a mão do agressor trespassou o coração do jovem soldado. Quando retornou, o punho estava manchado de sangue.

Cadáveres. 38 cadáveres.

De pé, estava Sengann. A sua frente, o rapaz jovem, que ele, no início do embate, havia desejado não precisar enfrentar.

___

Asera

Asera foi em direção aos portões. Precisava chegar até o lado de fora, alncançar, ouvir a palavra de seus ancestrais.

Sua movimentação não foi estranhada pelos soldados. Pessoas bêbadas já haviam passado por ali antes e não seria nenhuma novidade um novo casal que desejasse dar uma rapidinha antes do festival acabar.

Buscando de um misto de sedução com uma forçada tentativa de parecer cordial, Asera falou, falou, gesticulou, sorriu, oferecebeu bebidas, para que os guardas abrissem os portões (algo importante caiu lá fora e eu não quero perder. Era do meu avô, disse ).

E eles abriram. Rindo, achando divertido. Era um festival, afinal. As pessoas precisavam ficar mais leves em dias como aqueles.
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Re: Introdução: Sob um Céu Sem Estrelas

Mensagem por Valkyrja em Qui Jan 28 2016, 12:58

Asera primeiro piscou para Antenor e saiu andando, segura de sua beleza e, interiormente, jocosa por ter conseguido o que queria. Gostava daquela sensação, do poder. A beleza realmente abria portas. Agora, abriu de maneira literal.

Antes de começar a andar, ela deu um leve sorriso para Antenor e disse, em voz baixa:

- Não vamos deixar meus ancestrais esperando.

E deu uma risadinha, enquanto caminhava até o portão. Quando passou pelos guardas, ela sorriu, enquanto mordia seu copo.

Ao chegar do lado de fora da cidade, seu humor começou a mudar. Seu sorriso desaparecera e ela jogou o copo de vinho fora. Olhou ao redor, depois focando seus belos olhos no mar infinito de capim. Gostava do som que o vento fazia ao passar por lá. Ela fechou os olhos e se concentrou. Ela procurava a sua lanterna, procurava ouvir novamente a voz que a guiara até lá.

Não sabia como, mas sentia qual caminho tomar. Ela olhou Antenor e sinalizou o caminho. Ela andava com passos firmes, embora seu coração estava pesado de dúvidas e até certo medo. O que ela iria encontrar?

Bem, ela nunca deixara o medo impedir sua caminhada. Seus passos firmes seguira, até onde seus ancestrais mandavam.

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Re: Introdução: Sob um Céu Sem Estrelas

Mensagem por 25Slash7 em Qui Jan 28 2016, 13:29

Antenor ficou, durante todo o tempo, mais atrás da garota. Sentia como se ela fosse a protagonista daquele momento, como se houvesse algo nela, alguma linha de seu destino, que à guiava em direção ao que deveria ser feito, como fazer. Afinal, se era esperado que ela guiasse o destino de nações, como isto começaria se não fosse capaz de convencer dois guardas a abrir um mero portão.

Encantandos, os guardas abriram os portões e a acompanharam até a parte de fora. Respiravam o ar puro daquela agradável noite.

- Você vai nos dever uma garrafa desse vinho, hein?

Eles riram, divertindo-se com a situação, enquanto olhavam para Asera que, resoluta, aproximou-se da lamparina.

Pé ante pé, ela foi até onde a lamparina estava. Sem pressa, cuidadosa, ajoelhou-se sobre uma das pernas e pegou o pequeno artefato de papel do chão. Tocou, os dedos finos, delgados, sentiram a estranha textura do material, a estranha sensação familiar. Ergueu os olhos e sentiu um vento auspicioso, que vinha do sul, soprar e, com ele, trazer uma mensagem:

- Perdoe-nos.

As palavras, sussurradas aos vento, forçaram a garota a olhar para trás e, quando o fez, viu quando Antenor passou uma lâmina afiada, pequena, no pescoço do segundo soldado, enquanto que o primeiro estava caído no chão, se sufocando no próprio sangue.

O silêncio daquela noite quebrado pela agonia daqueles homens. A grama manchada de carmim.

- Ah... eu lhe disse. Sangue.... é um belo atrativo para aqueles que já se foram.

Sua voz, sempre serena, havia adotado um tom mais ameaçador, grave. Enquanto ele falava, era como se o vento repetisse o que dizia, em soturnos sopros.

Estavam sozinhos. Asera, Antenor e os dois moribundos.
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Re: Introdução: Sob um Céu Sem Estrelas

Mensagem por Beholder em Qui Jan 28 2016, 14:20

Todos pensam que um golpe de machado fará um homem se partir ao meio com um corte limpo, um engano, o machado pesado com sua lamina grossa esmaga mais doq corta, é feio. Sangue espirrou enquanto podiam ouvir os ossos do sulista se partindo.

Sengann urrou como um gorila enquanto virava para encarar oq havia restado do combate e viu seu aliado caindo sob as mãos daquele garoto.

No fim, ele era mais perigoso doq aparentava, ou será que ele só se aproveitou de guerreiros cansados e desgastados. Não importava mais, aquilo estava para acabar, e toda pena que sentiu do garoto se foi como o sangue dos guerreiros caídos.

Agarrou um dos dois machados de arremesso que restavam e arremessou contra o garoto esperando pegá-lo desprevenido com um ataque a distancia, mas não esperou para ver se o machado encontraria o alvo, avançou como um touro e se lançou num tackle contra o adversário.
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Re: Introdução: Sob um Céu Sem Estrelas

Mensagem por Valkyrja em Qui Jan 28 2016, 16:18


Asera ria com eles. Pensou, seriamente, em conseguir um pouco mais daquele vinho para os homens. Quanto a Antenor e seu senso de personagem secundário, Asera não ligava. De fato, parecia sequer lembrar-se dele enquanto atravessa aquela porta. Ela aceitava seu protagonismo, aceitava que seu caminho seria, de fato, guiar ações e ser um farol de conhecimentos para a humanidade. O mundo a devia isso.

De passos dignos de um imperador, Asera ia até sua lamparina. Ficou alguns segundos em pé, apenas olhando para o fogo fátuo que ela emanava. Sentia ainda dor de cabeça, como se algo forçasse sua entrada, algo que queria se mostrar para ela. Ajoelhou-se devagar, com os olhos curiosos, mas calmos. Tocou o objeto e não sabia dizer o que era, mas era algo familiar. Com a mão, ergueu-o até a altura dos olhos.
“Perdoe-nos.”

Asera ouviu as palavras e fechou os olhos. Talvez a sensação familiar a deixara mais mole. Se fosse perdão por tê-la abandonado, ela, naquele momento, quando apertou o objeto contra seu rosto, os havia perdoado. O que fora feito, estava feito. E se eles a ajudassem, realmente, não haveria nada a perder.

- Juntos vamos guiar a Criação....

Estava concentrada, até que sentiu os ventos do sul. Eles institivamente olharam para a direção que eles sopravam.

Primeiro, parecia não ter entendido o que estava acontecendo. Quando viu Antenor assassinar o guardar, Asera levantou-se em um pulo, os olhos arregalados, a expressão de surpresa e medo, o corpo arqueado.

-O que você está fazendo??!!

Ela disse, em voz alta, assustada. Deu alguns passos para trás. Sentiu sua voz falar, sentiu a garganta fechar. Queria gritar, mas tinha medo.

-Não..! Não o deles, assim...Não o meu... – sussurrou.

A sentir que a voz de Antenor mudou, Asera sentiu o arepio em sua espinha. Estava lá, sozinha com um assassino. Mas que bela merda. Não sabia o que fazer. Seria morta? O que poderia fazer?! Se gritasse, não ouviriam... Ela seria morta! Será que ele queria só seu sangue?

Sangue...

Asera franziu a testa e sua postura voltou ao normal. Seu olhar era ameaçador.

- Sim, eles querem sangue. Que eu honre meus antepassados com meu sangue. Que eles venham até mim e me deem o poder que preciso. Que sejamos unidos de novo!

E Asera arranhou o corte de sua mão, o corte que havia feito mais cedo, nos muros. Com a mão ensanguentada, ela passou no objeto, enquanto rezava, implorava, por alguma ajuda, algum sinal. Se queriam seu perdão, que o merecessem. Que a ajudassem!
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Re: Introdução: Sob um Céu Sem Estrelas

Mensagem por 25Slash7 em Sab Jan 30 2016, 10:57

Lembramo-nos de nossos mortos.

Lembramos das alegrias, lembramos das tristezas, das oportunidades. Com uma nostalgia quase primitiva, instintiva, por aquilo que foi certo (o passado), nos regozijamos e nos deleitamos em lembranças que restaram.

A Celebração, o Crepúsculo, era uma memória disto. Um lembrete da própria mortalidade daqueles que restaram. Em suas euforias, em suas farras e embriaguez, tão logo o sol nascesse, toda a festa seria interrompida e a única coisa que restaria, seriam os mesmos velhos problemas, os mesmos velhos dilemas.

Portanto, se celebravam a lembrança, celebravam, também, o Crepúsculo, a decadência a efemeridade.

Esse tipo de festividade não era comum entre os reinos da Terra dos Carniceiros. Talvez, o homem de Lookshy, compreendesse essa filosofia, mas achava, de certa forma, que, para os Thornianos, era apenas um motivo para festejar e esbanjar a sua cultura requintada (ou, cheia de frescuras).

Os mortais, os homens médios, apreciavam aquilo. Alguns, contudo, eram tocados pela sensibilidade do dia e lembravam-se que a condição de mortalidade era algo meramente passageiro.

Algo que poderia ser facilmente lembrado diante dos inúmeros cadáveres que agora se amontoavam no campo de batalha.

Sengann, talvez houvesse se assustado. Ou, talvez, houvesse apenas sido tomado pela fúria da batalha. Aquele transe onde lendas falam sobre homens que fazem feitos além do que é real. O fato, contudo, é que ele arremessou o machado contra o peito do garoto e avançou.

Em seu avanço, ele viu quando os olhos do garoto foram tomados por um brilho azul opaco e, ato contínuo, ele baixou os braços, a guarda, abrindo-se para o machado de Sengann, que cortava o ar em direção ao seu peito.

__

Desesperada, Asera, como se na busca de uma intervenção divina, um milagre, esfregava a lamparina, rezada, pedia por qualquer tipo de ajuda que pudesse lhe ser dado. Antenor, sem perder a compostura, apenas observava aquilo.

- É... isto o que você procura?

Com gestos delicados, suaves como se manipulasse linhas de marionete, Asera viu a chama da lamparina se apagar e, em seguida, a imagem de sua mãe e avó distorcidas, até se tornarem pequenas fagulhas azuis que entraram no peito dos dois soldados mortos. O tecido da realidade estremeceu e, no momento seguinte, os dois soldados, com gargantas cortadas e se esvaindo em sangue, começaram a se erguer. Movimentos tortos, duros, cheios de ódio no olhar.

- Acredito que vocês terão muito o que conversar...

Deu as costas para Asera e então começou a entrar na cidade.

- Não precisarei mais deste estúpido disfarce.

Sem pressa, retirou a máscara que lhe cobria a face e a jogou sobre o chão. A última coisa que Asera ouviu, foi o despedaçar do adorno.

E, junto com ele, a realidade se partiu.

__

Sengann não conseguiu se deter. Sentiu um momento de hesitação, mas não havia mais espaço. O machado atravessou o peito do garoto, de lado a lado, como se fosse uma fina tira de papel. Em seus olhos, antes de morrer, uma expressão de agonia, um pedido de libertação, de ajuda.

Sengann viu a própria morte naquele momento.

Quando o corpo tombou, sem vida, não houve grito, não houve silêncio, não houve comemoração. Era como se toda a multidão, toda a plebe, compreendesse que um bom homem havia morrido. Um rapaz desesperado. Novo. Jazia no chão, morto.

E do buraco em seu peito, insetos, que se assemelhavam à baratas de bueiro, mas com um aspecto mais cadáverico, cinzento, começaram a sair. Uma, duas, dez, quinze, cinquenta, cem. Elas começaram a se espalhar pelo chão. Instintivamente, Sengann recuou dois passos e, quando olhou para trás, viu que o sulista, que ele havia acabado de matar, se levantava. O peito aberto, os olhos sem brilho.

Os monarcas se levantaram, sua guarda, percebendo algo estranho, se posicionou.

__

Medo.

Asera sentiu o mais puro e instintivo medo. O que era aquilo? Já havia ouvido falar sobre fantasmas que, com força de vontade suficiente, penetravam no mundo dos vivos. Mas, aquilo.... um "homem" forçar a entrada de espíritos em cadáveres? O que era aquilo?

Medo. Que se tornou terror.

Pois algo, havia alguma coisa atrás dela. Quis olhar, mas, a verdade, é que não teve coragem. Sabia que havia silêncio. Sabia que havia o silêncio dos mortos ali.

E ela não mexeu um único fio de cabelo, quando uma legião de cadáveres reanimados começaram a caminhar, silenciosamente,, em direção ao portão. Eles ignoraram a garota, como se isto houvesse sido um favor de Antenor, aquele que havia aberto aos portões, pela companhia agradável.

Não se moveu.

Entre os cadáveres, uma mulher, mais baixa do que Asera, aparentando extrema jovialidade, de aspecto meio magricela, cabelos longos e presos em uma longa trança coberta de adornos e enfeites, seus lábios com um brilho vermelho sangue, maquiados. A mulher, que não andava só, seguida pela imagem aterradora de um cavaleiro de armadura negra, pesada e cujo rosto, oculto por um pesado elmo, demonstrava apenas o brilho azulado e necrótico daqueles que ergueram-se das tumbas movido pelo ódio, parou ao lado de Asera.

- Mmm... então foi o teu sangue... - olhou Asera de baixo a cima - ... esperava que fosse mais bonita.

E seguiu seu caminho.

Os mortos caminhavam para dentro de Thorns.

__

A multidão começava a se dispersar. Os 39 mortos do campo de batalha, haviam se levantado. E com uma voracidade cruel, lançaram-se contra a multidão. Matavam, matavam, matavam. A guarda, sem saber o que fazer, como agir, quem proteger, olhou, apenas observou, enquanto cada morto novo, era um cadáver que se erguia.

E foi então que surgiu a imagem de Antenor, o Traidor.

Como se houvesse sido reconhecido pela monarquia, o rei ergueu-se e apontou o dedo em riste.

- Ele! Ele é o responsável!!

O homem riu. Um riso agradável, um riso bonito e cheio de vida.

- Eu? Vossa Majestade, por favor...

Falava baixo, mas sua voz ecoava no ouvido de cada um, de cada cidadão.

- Eu trago liberdade ao povo de Thorns. Eu trago uma proposta para que o povo de Thorns seja, finalmente, libertado da tirania dos monarcas e de sua inércia diante dos problemas que assolam A Região dos Rios. Eu trago poder, poder para que finalmente Lookshy seja esmagada e o orgulho de Thorns seja restaurado... não, nobre ex-rei, eu não sou uma ameaça. Eu sou a liberdade e o orgulho de Thorns à distância dos joelhos que se curvam e aceitam. Eu caminho entre os mortos, é verdade, e talvez isto os assustem... mas olhem, olhem bem nos olhos destes que matam agora. Eles são os seus antepassados, seus amigos, irmãos, amores. E eles querem que vocês conheçam a eternidade. Thorns não foi feita para ser um mero acessório diante da guerra de reis.

O capitão da guarda do monarca adiantou-se, sacou a lâmina que estava presa na bainha e deixou seu anima fluir. Um brilho avermelhado, como o mais intenso fogo, elevou-se do centro do palanque em desafio.

- Hah... então esta será a resposta, pois bem.

Antenor olhou para trás.

- Em tempo, Ya-Ment.

A garota que a pouco havia passado por Asera, acompanhada da criatura armadurada, cuja altura aproximava-se de dois metros e meio, chegou. Entediada, ela resmungou.

- Eles disseram não, não é?? Oh... ok. Isto não será rápido.

Sengann estava relativamente próximo dos dois. Uma distância de, aproximadamente, cinquenta, sessenta metros. Contudo, seu coração mortal se encolhia. Sentia medo. Não o medo que antecede a batalha, que relembra um homem que deve viver. Mas o medo infantil de uma criança que se encolhe quando o pai agressivo busca por ele para lhe machucar.

Recuou. Mais uma vez.

- Cidadãos de Thorns - disse antenor mais uma vez - Alegrem-se. Pois o campeão de so seu novo Senhor e Rei, Máscara do Inverno, chegou. Curvem-se e saudem a lâmina sagrada da Promessa do Alvorecer.

E, como se isto fosse o sinal esperado, o dragão de fogo disparou, como uma chama, em direção à Promessa do Alvorecer. Seus pés mal tocavam o chão, sua imagem, veloz, deixava apenas um rastro de chamas para trás, como faíscas que apareciam e desapareciam. Sengann não conseguiu acompanhar todo o avanço, mas, o que ele viu, foi quando o Dragão de Fogo saltou, em toda sua glória, com a arma em chamas, e desferiu um ataque, de cima para baixo. O rasgo atravessou o ar e criou um sopro de dragão cuja extensão da chama foi por até dez metros atrás de onde Promessa estava, engolindo a criatura de armadura em fogo.

Sengann não se surpreendeu, contudo, quando enquanto estava sendo devorado pelas chamas, a manopla de Promessa surgiu em meio ao fogo e segurou o pescoço do Dinasta, que começou a agonizar.

- Um Dinasta contra um campeão dos mortos... eu detesto quando Máscara nos manda para esmagar insetos - resmungou Ya-Ment.

- Senhor Máscara do Inverno... não se esqueça.

__

A terra estremeceu. Uma. Duas. Três vezes. Pensou ser um terremoto.... mas, em verdade, o que Asera viu, foi o surgimento repentino de uma criatura cadáverica, tão alta como uma montanha, de membros longos, meio atrofiados, músculos visiveis, coberta de sangue, carne, pedra, ferro e pus. E sob os pés, um exército interminável de cadáveres.

Os portões de Thorns estavam abertos. Os homens cercados. E os mortos, marchavam.
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Re: Introdução: Sob um Céu Sem Estrelas

Mensagem por Valkyrja em Seg Fev 01 2016, 17:56

Primeiro, Asera não entendeu muito bem o que Antenor estava fazendo. Ainda assustada por causa dos assassinatos, ela apenas o observava. Embora tivesse os olhos fixos nele e uma postura um tanto ameaçadora, via-se em seus olhos o medo que ela sentia.

Porém...Ainda tinha fé que seu sangue e seus ancestrais iriam ajudar. Só não sabia quem eles iriam ajudar. Por algum tempo, esperou, em vão, que demonstraria do que era capaz a Antenor. Os segundos foram longos, e sua decepção, maior ainda.

Quando ouviu sua voz, Asera sentiu seus joelhos tremerem. Não, não era aquilo que ela queria. Estava perdida em medo. Sequer conseguia formar algum pensamento ou interagir com o que estava acontecendo. Parecia que a realidade era apenas um sonho ruim. Asera queria desesperadamente acordar. Se sua garganta não estivesse presa, ela gritaria. Foi com grande força de vontade – e talvez um pouco do instinto de sobrevivência – que não deixou a mulher desmaiar.

- Por que... Está fazendo isso?

Cobriu a boca quando viu sua mãe e sua avó. Então....Era assim que se pareciam? Sentiu raiva. Agora que via o rosto de ambas, sentiu raiva de Antenor, por trazê-las e usá-las.

Rangeu os dentes e tampou os ouvidos. Quando a realidade se partiu, Asera teve certeza que ouviu o grito dos mortos.

Asera tentava se controlar. Sentia as lágrimas escorrendo por seus olhos. Em uma situação normal, pensaria em como se sentia ridícula em fazer esse tipo de demonstração em público. Mas ali....Lembrava-se da Mulher do lago invocar os mortos, lembrava-se das histórias sobre como alguns podiam romper a fina camada entre os mundos. Mas serem chamados por alguém, nunca....

Seus braços tremiam. Ela sabia que havia mais deles, mas não se virou. Seus olhos estavam fixos em Antenor, depois olhavam os mortos que passavam por ela. Parece que havia sido poupada. Asera se concentrava para não cair, para não quebrar-se, ela ouviu a voz da mulher, fria como o vento daquela noite.

Ela apenas olhou na direção dela. Primeiro, passou os olhos assustados pela mulher. Ela não teve como responder. Parecia ter se perdido, não conseguia realmente distinguir se aquilo estava acontecendo ou não. Depois, viu o cavaleiro. Asera não deixou de se afastar.

Quando conseguiu despertar-se, Asera olhou em volta. Parecendo estar ciente que aquilo era a realidade, ela virou-se, deu alguns passos cambaleantes e estava pronta para fugir quando....

Ela novamente segurou o grito. Havia um exército de mortos. Não poderia escapar de Thorns. Novamente chorou, parada, olhando o que parecia o fim do mundo. Asera se ajoelharia em desespero, se não fosse o sentido de urgência e uma nova percepção de ameaça. O chão tremeu e, no horizonte, algo que ela não sabia dizer o que era emergiu.

Agora Asera já não conseguia responder por ela. Simplesmente correu. Correu para a direção livre. Por mais que sua razão a dissesse que corria para a boca d leão, ela não havia escolha. Teria que aprender a conviver com ele. Não acreditava que conseguiria arrancar suas presas.
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Re: Introdução: Sob um Céu Sem Estrelas

Mensagem por Beholder em Seg Fev 01 2016, 18:54

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Re: Introdução: Sob um Céu Sem Estrelas

Mensagem por O Zelador em Seg Fev 01 2016, 18:54

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Re: Introdução: Sob um Céu Sem Estrelas

Mensagem por Beholder em Seg Fev 01 2016, 18:56

O fim, o torneio estava acabado, Sengann venceu e ganharia os louros… mas não. Algo estava acontecendo.

Assistiu paralisado tudo que ocorria à sua volta, tão próximo, um sentimento de urgência crescendo no peito, queria ter fugido logo que tudo começou mas não conseguia.

A manopla agarrou o pescoço do regente, e isso foi como um interruptor, aquilo mostrava o perigo real de estar ali, tão próximo daqueles que eram deuses entre mortais, não tinha qualquer senso de obrigação com aquele povo ou lugar. iria cair fora.

Olhou por onde seria mais facil correr, haviam mortos atacando o povo e isso fazia as fileiras deles aumentarem já que os mortos não permaneciam… mortos.

Passou a mão do braço ferido sobre a cabeça de javali do cinturão, de todos seus pertences só aquele importava, e estava lá, isso trouxe tranquilidade e encheu-o de coragem novamente. Fechou o mão entorno do cabo do machado e correu em direção a um cavalo sem cavaleiro que estava assustado na arena, pulou no lombo do animal chutando suas costelas e disparou contra a cerca da arena, o machado pronto para atacar qualquer um que se aproximasse dele, vivo ou morto.

O cavalo, apesar de assutado, disparou com o comando do cavaleiro atropelando o que havia pela frente com seus cascos.
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Re: Introdução: Sob um Céu Sem Estrelas

Mensagem por Valkyrja em Ter Fev 02 2016, 12:26

Asera, perdida em pensamentos e ainda tentando reorganizar os pensamentos diante do terror, andou até o portão de onde havia saído.

Não tinha mais esperanças. Ela olhava para fora, os mortos entrando e passando por ela, o gigante que havia surgido. Deveria entrar de novo na cidade.

Com os olhos chorosos e baixos, ela adentrou e encostou-se em uma parede. Ouvia os gritos de desespero, ouvia a carne sendo cortada e via os mortos se levantarem. E se tudo aquilo naõ fora, por parte, culpa dela. Fora seu sangue, afinal....

Olhou sua mão cortada e olhou novamente para a cidade. Lembrou-se de sua mãe e sua avó. Pensou em Antenor e fechou a mão, irada.

Não havia o que pudesse fazer, mas...Ela se desencostou e olhou em volta. Não podia se entregar. Deveria sair dali. Foi então que ouviu um cavalo.

Ela olhou na direção. Via alguém se aproximar.
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Re: Introdução: Sob um Céu Sem Estrelas

Mensagem por Beholder em Ter Fev 02 2016, 17:57

Disparou pela multidão com o cavalo atropelando pessoas e mortos, perdeu as contas de quantas vezes usou o machado derrubando corpos, se estavam mortos já não saberia dizer naquele caos.

Seguiu por ruas mais vazias em direção aos portões, iria escapar dali e cavalgar até que ele ou o animal caísse de exaustão. Passou por uma mulher, teve a impressão de já tê-la visto, mas não tinha certeza, estava viva e não atacou-o.

Nos portões tanto o cavaleiro qto o animal perceberam o exercito de mortos, e retrairam. O animal empinou arremessando Sengann da cela que caiu na rua de pedra. Tentou agarrar os arreios, mas já era tarde, estava a pé.

Levantou-se e correu de volta. Seus passos largos, logo alcançaram novamente a mulher.

Olhou para ela e perguntou com urgencia

- Onde tem outro portão?!
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Re: Introdução: Sob um Céu Sem Estrelas

Mensagem por Valkyrja em Qua Fev 03 2016, 09:47

Asera viu o cavalo passar e pensou como poderia agir. Ela olhava para os lados, mas apenas via cais e mais mortos. Aquele dia parecia não ter fim.

Algumas pessoas esbarravam na mulher e a empurravam. Ela teve que desviar-se e alguns ataques. O pânico era geral.

Ela olhava para os lados e, surpresa, ouviu a voz de um homem a seu lado, dando voz a seus próprios pensamentos.

Ela olhou para ele, com os olhos ainda assustados, mas com uma determinação crescente.

-Eu não sei. Não sou de Thorns. Também estou com a mesma dúvida.

Ela foi até o homem e puxou-o pelo braço. Normalmente há portões em cada ponto cardeal. Deve haver mais três.

Olhou em volta, depois olhou o homem.

-Mas te preparo....Eu vim de fora. Tudo indica que será um cerco.

E ela puxou o homem.

- Mas chega de falar. Bem, grandão, faça sua mágica e abra o caminho para a gente, sim?
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Re: Introdução: Sob um Céu Sem Estrelas

Mensagem por MR, Léo em Qua Fev 03 2016, 11:20

Enquanto viajara, ele havia imaginando como seria o famigerado Festival do Crepúsculo, a homenagem às trevas.
Visualizava uma festa obtusa, noturna, obscura, galante.
Ele conseguia até mesmo ouvir as palavras lúgubres do Rei, em honra aos mortos. A prece pelas mortes futuras. Como tudo ressoava glorioso por entre o povo, que celebrava mais por esporte do que por tradição.
Sentia na pele o toque suave das putas; na boca, o gosto da bebida, do fumo; pelo cheiro, a porra, o lixo.

- Cheguei tarde demais... Perdi tudo...

Enquanto caminhava por meio dos mortos, viu que não havia imaginado tão errado.
(Com exceção das cores, claro... Tons fortes de vermelho!)

Caminhava como num transe. Não ousava olhar para os lados.
Se considerava invisível, ou se considerava um deles. Não sabia dizer.
Mas continuava projetando em sua mente o que imaginara, como se nada fosse como realmente era. (Era mais fácil com ópio...)

Atravessou os portões com certa calma.
Inesperado.
Não enxergava mais... Mas sorriu para o que viu. Há alguma beleza nos mortos.
Então, titubeou. Quase caiu. Parou. Respirou o ar pútrido.
Sentiu a forte dor no corpo inteiro.
A tortura.

Cambaleava para dentro da Cidade dos (Mortos?) Espinhos.
Sentia a pele sendo perfurada profundamente... Os ombros, a cintura, as costas, as pernas. Estavam costurando aquilo nele. Estavam destruindo ele por completo!

- Ele está aqui... Pelo deuses todos, ELE ESTÁ AQUI!!!
Precisava ver.
O pânico agora tomava conta de seu corpo, de sua mente, de seu ser!

Via.
Pessoas.
Vivas?

- Não há escapatória!
Seus olhos vidrados encontravam os da mulher de cabelos brancos e olhos em chamas, depois o do gigantesco homem banhado em sangue. Reveza o olhar entre os dois desesperadamente, como um louco.
- Eles devem se render aos Reis do Mundo Inferior ou todos vão morrer!
Se aproximou com uma velocidade mais esperada até para ele mesmo, a agilidade completamente de volta a seu corpo. Um leve brilho no olhar.
- Podemos evitar que tudo acabe! Mas não neste combate. Entendem? Nós vamos sobreviver, nós podemos e devemos continuar!
Tantos sentimentos, em tão pouco tempo...
Se ao menos tivesse chegado mais cedo...
Dominado pela esperança do futuro, ele estendeu mãos suplicantes.
- Me ajudem.
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Re: Introdução: Sob um Céu Sem Estrelas

Mensagem por 25Slash7 em Qua Fev 03 2016, 14:09

Gritos de dor e terror preencheram os espaços e vielas das ruas de Thorns. Haviam pessoas mortas, mortas que não mais se erguiam, mortos que se contorciam, mortos que marchavam.

Um cheiro pútrido e de carniça logo começou a tomar conta do outrora adocicado ar da cidade. Aqueles que olhavam, das extremidades viam os feixes de luz e chamas que erguiam-se até o céu. Pilares incandescentes de uma luz meio azulada, fúnebre, em conflito com uma míriade de tons de vermelho, verde, azul, amarelo e branco. Contudo, apesar da luz cadáverica ser solitária, pouco a pouco as demais foram silenciadas. Não demorou até que o mais profundo silêncio tomasse a cidade.

Neste momento, os três estavam juntos na encruzilhada.

De um lado, não havia para onde fugir. Os Mortos haviam feito um cerco na cidade. De outro, ficar por ali era perigoso. Quantas mortes não teriam sido causadas? Em quantos outros as fileiras dos mortos não foram incrementadas desde o início daquilo tudo?

Não sabiam para onde ir.

Até que Sengann viu a imagem familiar de alguém que não era tão amigo, mas que, aparentemente, lhe devia algumas cervejas.

- Seu filho da puta! Você sobreviveu!

O homem forçou um sorriso. Estava olhando por trás de uma murada. Ao seu lado, uma das mulheres que atendiam em sua taverna.

- Pelos ancestrais... o que está acontecendo....


Resmungou. Respirou fundo e então balançou a cabeça.

- Minha taverna, nós podemos nos esconder lá até que tudo sso passe.

Ele não quis dizer que sentia medo e que gostaria que o "campeão" do torneio fosse seu guarda costa. Mas isto ficou claro.

- Eu mostro o caminho...

__

Silêncio.

Era o mais profundo silêncio por toda Thorns. Um silêncio quebrado apenas pelo gemido dos mortos, por seus lamúrios, pelo som fúnebre do vento através das frestas.

__

Ya-Ment e Honrado pelos Mortos, recuaram de Thorns, deixando apenas os caminhantes dos mortos, criando morte e medo pela cidade.

Máscara do Inverno não invadiu a cidade no primeiro. Ele a cercou até que sentissem fome.

Pessoas morriam, agonizantes, anêmicas cansadas, despedaçadas.

E quando a cidade estava condenada à extinção. Porcos começaram a andar pelas ruas. Porcos que, rapidamente, foram abatidos, mortos e transformados em refeição.

Não sabiam o que havia acontecido, mas, o fato é que a cidade recuperou um pouco do seu espírito combativo e, por sete dias, as tropas começaram a se organizar novamente.

Numa noite qualquer, contudo, o peito daqueles que comeram o porco, explodiu em fedor e insetos. Ergueram-se, mataram, morreram.

O espírito de Thorns foi quebrado. E, sob uma lua brilhante e vigilante, Máscara do Inverno posicionou-se sozinho à frente do portão de Thorns.

E Thorns convidou para que ele entrasse, com todas as honrarias que era de se esperar do mais importante chefe de estado.

Naquele dia, a Monarquia de Thorns foi deposta e o homem conhecido como O Czar da Sombras Gélidas disse ser um ancestral direto da linhagem real e assumiu o trono.

Máscara do inverno retornou para Juggernaut, a criatura aterradora do tamanho de uma montanha. Nas costass desta, estava o castelo de Máscara do inverno.

A vida não retornou como deveria. Talvez nunca mais retornasse.

Os mortos agora caminhavam entre os vivos. Durante o dia, eles eram vistos em qualquer espaço onde não houvesse a luz do sol sobre eles e, à noite, eram sólidos como qualquer ser vivo.

Mortes eram coisas costumeiras. Ancestrais se vingaram dos seus descendentes, criaram feudos declararam guerras às famílias, exigiram obediência. Era como o mundo dos vivos... a diferença é que fantasmas são criaturas de pura baixão e pouca razão.

Dos vivos, alguns continuaram a rastejar e encontrar o seu lugar naquela sociedade partida. Outros, venderam-se aos mortos, tornaram-se servos da hierarquia maldita, caçadores, capangas, informantes. Pontos de resistência surgiram, com homens e mulheres se apoiando e buscando esperanças um no outro, em uma tentativa de encontrar uma forma de depor aquela ordem aterradora que havia abatido a outrora bela cidade de Thorns.

Havia uma fagulha de esperança. É verdade.
Mas não se poderia dizer que aquela fagulha, hoje, se tornaria uma chama.

__

OFF

Os personagens foram acolhidos pelo taverneiro. Durante meses, vocês ficaram trancados lá, saindo vez ou outra para buscar suprimentos. As vezes, essa busca de suprimento importava em invadir casas abandonadas (ou pelo menos era isso o que se dizia para a própria consciência).

Os portões da cidade ficaram trancados e qualquer um que sequer se aproximasse,era morto.

Quando Máscara do Inverno foi convidado e honrado para assumir Thorns, os portões continuaram fechados, mas estabeleceu-se uma burocracia que liberava "passes" para os interessados. A cidade, também, aos poucos retomou o comércio, mercados começaram a surgir, mas, as pessoas não tem dinheiro e, ocasionalmente, os mortos pedem "pagamentos" estranhos.

Há um nível de violência elevado na cidade. Fantasmas são movidos por paixão, enquanto que os mortos são como cães raivosos que, podem peramnecer completamente inertes em um instante e, no outro, atacar qualquer coisa que tenha cheiro de vida.

A comida tem gosto de cinzas. As cores, excetuando o vermelho, tornou-se pálida, desbotada. Tudo aquilo que tinha tom de vermelho, tornou-se mais intenso, carmim. Os mortos (fantasmas), caminham entre vivos durante a noite e, na manhã, eles podem ser vistos e tocados, desde que não estejam sob luz direta do sol.

Quando o novo rei foi anunciado, as portas da taverna se abriram. O personagem do Julio também havia sido acolhido, mas não havia sinal de seu amigo (eu ainda preciso conversar com o Julinho sobre o que ele fez até então).

Não existe um plano. Todos se tornaram escravos, ainda que indiretamente, dos mortos.

Sabe-se que Thorns possuí uma diplomacia extremamente ativa e que, até agora, nenhuma potência da Província dos Rios (como Lookshy) enviou qualquer ajuda.

A próxima cena iniciará como um novo dia.
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