Por trás das linhas inimigas

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Por trás das linhas inimigas

Mensagem por 25Slash7 em Sex Jun 08 2012, 08:33

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Re: Por trás das linhas inimigas

Mensagem por 25Slash7 em Seg Jun 11 2012, 10:27

Alguma coisa dizia a ela que não seria tão simples aquela queda. Ali, do alto, era capaz de ver toda a camada de gelo que cobria as planícies nortenhas. Se erguesse o rosto, poderia ver alguns sinais distantes de fumaçã. E fumaça, em tempos de guerra, nunca era um bom sinal.

Fechou os olhos e tentou se permitir conectar à sua essência, buscar o reforço necessário para que pudesse sobreviver aquela queda. Uma morte sem dor, provavelmente, ao menos.

Contudo... alguma coisa estava errada. Algo... sua essência não respondia. Aquele charm, ele não se prestava a aquilo. Se a distância fosse menor... BEM menor, talvez. Mas ali, era uma queda livre do meio das nuvens.

Aproximava-se do chão e, a aquela altura, já começava a se conformar com o fim súbito de sua linha do destino. Morta na queda de uma embarcação voadora. Ousado, mas pouco preparado.

Numa última tentativa desesperada, tentou controlar a sua essência de alguma forma. Talvez houvesse algum truque, alguma coisa que fosse capaz de despertar no último momento e... havia alguém ali, parado, observando. Uma criatura composta apenas de gelo, de estrutura cristalizada, irregular e pontiaguda. Os olhos gélidos. A criatura observava a queda livre.

Então ela estendeu a mão para cima e uma essência "estranha" começou a fluir. Era gélida, como a energia de Hector, mas aquela parecia mais... pura. Não no sentido de "boa", mas pura.

Então o corpo de Vaan começou a ser envolto em uma crisálida de gelo, como uma mosca envolta pela teia de uma aranha. Era envolvida, enrolada e, em segundos, ela não via nada, além de gelo à frente de seus olhos. Não houve impacto, não houve explosão, não houve dor. Mas, apenas o silêncio invernal.

Passaram-se alguns segundos até que uma pequena fresta surgisse e logo se abrisse em algo com tamanho o suficiente para que ela saísse e notasse que a crisálida a qual havia sido presa, estava, na verdade, presa em algo ainda maior, como uma coluna de gelo irregular. Aquela coluna tinha impedido que a sua queda continuasse até a morte. Olhou para o chão e viu Archer.

- De onde você tirou a idéia de que Escolhidos são à prova de queda???

Parecia enervado. A imagem da criatura de gelo havia desaparecido.
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Re: Por trás das linhas inimigas

Mensagem por Valkyrja em Seg Jun 11 2012, 15:30

Talvez fosse a briga na Pedra Voadora, fosse o jeito que vira Alexander subjugar um homem tão grande quanto Hector com tamanha facilidade ou a capacidade de discussão de todos ali. Vaan não podia suportar, ficar ali parada, enquanto não tinham um plano e brigavam entre si, cada um tentando impor sua vontade. Lembrava-se das expressões dos homens, das brigas, do duelo de persnalidades. Não, não podia ficar ali. Tinha que fazer alguma coisa, não só por ela, mas também pelo Legado. Era uma tola, porque ainda tinha esperança neles, e depois da visão, pareceu ter mais carinho e respeito por todos. Era engraçado, mas quase os considerava uma família. Quem sabe fosse porque nunca tivera uma de verdade, e a única coisa que se assemelhou a um pai a abandonou. Sentiou-se completamente idiota por pensar assim. Nem os conhecia!

Mas...Não sabia dizer porque, mas aquela não era a primeira vez que lutavam juntos. A história de todos estava ligada há um tempo tão remoto que foi apagado pela história. Lutaram contra Remetheus, juntos, e deveriam permanecer assim. Tinham laços muito antigos e Vaan não conseguia acreditar que seriam quebrados tão simplesmente.

Pensou também em Fal Grey, enquanto o vento fazia pressão contra seu corpo e um ouviu o soar de um falcão, ao longe. Algo estava errado. Poderia estar muito errada, mas sentia que Fal Grey - ou alguma coisa relacionada - a havia atacado no Tear do Destino. Talvez fosse apenas um equívoco de uma jovem irritada, mas algo dizia que aquilo não era certo.

Perdida em pensamentos, tocou-se da sua queda apenas quando sentiu uma gota de gelo em seu rosto. Quando deu por si, estava caindo, jogada no meio do oceano de nuvens, no céu azulado e belo. Vaan ergueu seu olhar, vendo o horizonte ao longe. A bela paisagem branca parecia não indicar nenhum perigo. E era tudo tão silencioso, tão pacífico e belo que era difícil acreditar que os sinais de fumaça fossem resquícios de uma guerra que ela estava prestes a pousar.

"Bem, chega de pensar e vamos logo chegar direitinho na terra!"

Bem, pousar em segurança, claro. Ela concentrou-se na sua Essência, fazendo-a fluir. Fechou os olhos e ao abri-los, sua íris estava lilás, recheada das mais belas constelações. Porém...Nada aconteceu, ela ainda continuava caindo sem qualquer impedimento, sem qualquer freio.

"Mas que po...?" Vaan fechou os olhos e expandiu sua Essência de tal forma que uma pequena aurora boreal foi formada. Nada. Nem mesmo uma pequena redução na velocidade da descida.

Começou a amaldiçoar a hora que decidiu pular daquela maldita embarcação. Tentou se lembrar de algum padrão, algum treinamento, mas nada. Enfim, assim acabaria sua linha, sem nada heróico, nada realizado. Uma simples morte na neve. Chegou a negar seu destino, a sentir raiva, mas não havia muito o que fazer. Bem, tudo tinha um fim, afinal. Se tivesse sorte, renasceria com um destino mais concreto, em uma terra menos problemática.

Pensou em fechar os olhos, mas aí viu a criatura de gelo estender a mão para ela. Vaan não sabia se sentia medo ou se sentia alívio. Não sabia o que era a criatura, mas sabia que não havia como escapar do abraço gélido. Como um filhote, foi envolvida pelo gelo em um abraço fraterno. Escondeu sua cabeça entre os braços, enquanto escorregava pelo braço da gentil criatura. Deslizou algum tempo até finalmente parar e não ver nada. Engoliu em seco e tentou cavar o mais rápido que podia. Tinha medo de sufocar-se lá dentro. Estava pronta para socar com toda a força que tinha, quando viu a fenda. Uma fresta de luz passou pela mesma e ao notá-la, Vaan apressou-se a sair.

O brilho do céu de inverno revelou-se nos mais belos tons de azul e branco e branco era a cor predominante. Onde quer que ela voltasse seu olhar agora azul profundo, era branco. Um branco lindo, mas desolador. Curiosa, voltou seus olhos para o que antes era a criatura, mas viu que ela não passava de uma forma na encosta de gelo. O som do vento cortava seus ouvidos e aquela ausência de som lhe toruxe paz. Era um sentimento estranho. Sentia uma melancolia diante da falta de vida, mas ao mesmo tempo, sentia-se em casa. Enquanto via o lugar desolado que caíra e aproveitava o silêncio, uma voz muito familiar cortou a calmaria. E a raiva era marca registrada.

Vaan balanou rapidamente a cabeça e virou-se para..Archer?? O que deu nele para vir atrás dela? Logo dele que ela queria também fugir! Não queria ter os olhos dele sobre ela, lembrando-lhe de sua falha. Ela desceu a parede com certa dificuldade, mas logo se acostumou com o solo incerto.

-E que disse que não podemos??? - seu olhar agora deixava transparecer um pouco de irritabilidade, embora fosse por pouco tempo.

Voltou-se, perplexa, para as alturas. Tentava encontrar a Pedra Voadora.

- Só foi...Mal calculado.

E desceu o olhar nervoso para ele. Tinha sobrevivido, e ele podia dar um tempo!

-E como raios você sobreviveu? Foi o gigante de gelo? - olhou par o local que o gigante de gelo uma vez estivera.


Deu alguns passos para frente, olhando o local, estudando-o. Não sabia muito bem por onde começar, mas achava que tinha que ir para a direção da fumaça, por mais que estivessem muito longe. Ergueu o rosto e olhou Archer de relance, como se não quisesse que o mesmo notasse que ela olhou na direção dele.

-....O que os outros decidiram fazer?

Virou seu corpo para a direção que achara estar as fumaças. Começou a andar.
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Re: Por trás das linhas inimigas

Mensagem por 25Slash7 em Seg Jun 11 2012, 17:15

- Eles continuam sem decidir qualquer coisa. Não sei se teus amigos são bons guerreiros, mas, para políticos, eles definitivamente possuem vocação.

O rapaz deu alguns passos para longe. Levou ambas as mãos sobre o capuz que cobria a sua face e o baixou. Estava frio e provavelmente iria esfriar mais ainda quando a noite caísse. Contudo, após uma queda como aquela, ele prcisava respirar.

- Você é fraca. Uma criança brincando no meio de adultos.

O golpe veio repentinamente. Com todo aquele amargor que era característico ao homem.

- Você é fraca e por isso permitiu que...

Não quis completar. Silenciou-se, balançou a cabeça em negativo.

- Seu treinamento é incompleto. Você foi cortada do destino e, de alguma forma, restaurou a sua ligação com o Tear, com os comandos celestiais. Seu nome está escrito nas estrelas do mundo dos demônios. Como se não bastasse, você carrega em seu braço uma afronta aos reinos celestiais. Uma arma, que você é incapaz de utilizar. E, ainda assim, acha que tem a competência necessária para sair atrás de Fal Grey. Mas nada disso é novidade, não é? Se fosse eu quem tivesse o teu poder...

Enquanto falava, andava de um lado para o outro, de cabeça baixa. Quando terminou, parou. Olhou para Vaan.

- Ara... não me olhe deste jeito.

Estendeu o punho esquerdo. A palma da mão erguida para o alto. Essência crepitou pela ponta dos seus dedos e então ele fechou a mão, com fagulhas escapando e caindo sobre o chão.

- Meu nome é Archer Asala, nomeado como A Lança Que Despedaça o Céu Primordial. O último representante do Trono das Sombras ... um Sidereal, assim como você. mas diferente de você, eu já estive em Yu Shan e já servi à Burocracia Celestial. E a minha última missão é guiá-la para que assuma este destino maldito teu. E para isso, você precisa estar preparada...

Sentou-se sobre uma pedra próxima, sem importar-se com o desconforto. Puxou, de dentro de suas vestes, um papiro.

- Para isso, eu lhe darei três presentes, mas você deverá escolher apenas dois. O primeiro... eu preparei este artefato blasfemo que você carrega consigo e o transformarei na arma que ele deve ser. Este presente, esta dádiva, você terá. Mas as outras duas...

Estendeu o papiro sobre o chão. Fez um corte no dedo indicador com os dentes e começou a escrever em ideogramas do Velho Reino. Vaan notava que tratava de algo falando sobre demônios contidos em prisões.

- O segundo... aquela criatura que você viu é um Daeva. Um demônio em sua forma mais pura. A Doutrina, nos ensina a comunhão com os Daevas mais poderosos, além de nos dar os seus nomes, suas fraquezas e os riscos que a comunhão com um deles implica. Eu posso lhe ensinar como utilizar Daevas como se fossem a extensão dos seus dedos ou eu posso ensinar como lutar utilizando o destino para impedir que os outros lhe vejam. A escolha é tua.

E então, voltou-se para o papel à sua frente, continuando a preparar o Selo.
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Re: Por trás das linhas inimigas

Mensagem por Valkyrja em Seg Jun 11 2012, 22:19

Pela primeira vez em muito tempo, Vaan permitiu-se dar um leve sorriso quando Archer disse aquilo sobre seus companheiros. Realmente, aquela politicagem era cansativa e ela teria dificuldade em escolher em quem votar, caso fosse necessário. Naquele momento, Vaan pôde ver o Legado Partido discutindo. Era tão estranho, aquele sentimento de companheirismo que sentia. Tão estúpido que ela jurou que jamais iria revelá-lo, nem para Archer, nem para os outros do Legado. Podia ver Niume, sempre nervosa e decidida, brigando com um Hector que adorava mandar. Alfadur tentaria mediar, como bom diplomata que tentava ser. Charlie defenderia Hector e Alexander buscaria uma maneira de juntar os pedaços daquele grupo distante. Por fim, Spectre...Bem, ele só olharia e falaria alguma coisa que só faria sentido para ele, mas de igual importância.E aí, o salão aberto, os raios do Sol Inconquistado e as palavras do homem preencheram sua mente. Sua visão veio a memória, e quando parecia absorvê-la, as palavras duras de Archer vieram. Ela ergueu os olhos duros para o rapaz. Diferente da Vaan que todos já tinham visto, não havia calma e sua boca tremia. Não tremia, porém, em um choro, mas na tentativa da garota em controlar-se. Falou rápido, atropelava as palavras, com a voz falha:

-Você se deu a porcaria do trabalho de saltar, me tirar da neve e me chamar de fraca??

Ela rodou e chutou a neve. Toda a raiva, o sofrimento e a porra da frustração pediam, imploravam para serem postas para fora e aquilo, aquela dor jogada em seu peito e a verdade tão cruelmente exposta...Bem, não podia simplesmente trocar de lugar com a menina. Por mais que quisesse, não poderia. E talvez trocar de lugar com ela não fosse uma péssima idéia:

- O que você espera que eu faça, droga?? Eu já disse que sinto muito! Você acha que é da droga da boca pra fora?

E sua Essência fluía, quase sem controle. Vaan lutava para se controlar, colocar a cabeça no lugar, mas já sentia-se fraca e despreparada, inútil. Não precisava de mais alguém lembrando-lhe de sua condição. Desenhos sem forma em lilás eram jogados na tela branca do céu/

- Se eu pudesse, trocava de lugar com ela! – e parou, sem olhar para Archer. Via a superfície branca estender-se sem fim diante de seus olhos. Tinha tanto o que fazer, tinha tanto que andar.

Sentou-se na neve mesmo, cansada. Cruzou as pernas e passou uma das mãos pelos cabelos lisos. Sentiu a brisa fria, mas nada disse, sequer se mexeu. Ouvia Archer, lembrando-se do que havia passado. Por um momento, pensou estar de volta àquele lugar, desolado e ao mesmo tempo, amistoso. Começou a falar, deixando que as sentenças se completassem:

- Sim, eu fui mandada... Fui mandada para o lar dos caídos. Primordiais. Lá eu acabei vendo, sentindo e experimentando coisas que eu não deveria. Eu acho que me perdi lá, perdi o meu destino.

Ergueu a mão do braço demoníaco, contemplando-o. As escamas brilhavam do mais belo azul.

- Claro, se fosse você, seria um herói. Ninguém morreria na sua frente e a Criação já estaria a salvo agora.

Ela olhou por cima do ombro para ele. O olhar era interessante. Não tinha ódio, rancor ou raiva. Era apenas...Cansaço.

-Um não sabe os fardos do outro.

A voz calma, pausada e límpida havia voltado. Calou-se depois, apenas com os olhos profundos sobre o rapaz. Sentia ainda pela dor que causara a ele, mas infelizmente, não poderia mudar o que aconteceu, por mais que doesse. Estava começando a se acostumar com isso, por mais doloroso que fosse. Era uma pena as coisas terem se desdobrado daquela maneira, mas o que ela poderia fazer?

Pensou em virar-se novamente, mas então Archer pareceu um pouco mais receptivo. A principio, foi Vaan que não pareceu receptiva. Olhou a mão e a Essência fluida e ergueu uma sobrancelha quando ele se apresentou. Primeiro, Vaan desviou o olhar, voltando a olhar para frente. O vento cortou sua pele novamente e fez um ruído longo e triste. Vaan respirou fundo e ergueu-se, virando-se para ele.

- É coisa de Sideral ou eu posso só dizer meu nome?

Seu tom calmo não demonstrava se ela falava sério ou estava brincando. Parecia que Vaan não tinha muito senso de humor.

-Sou Vaan Tsaebd. Eu não tenho um apelido legal que nem o seu.

Caminhou até Archer e sentou-se próximo a ele. Atentava-se ao que ele dizia, curiosa. Então a missão dele era guiá-la? Será que Yu Shan não havia esquecido dela? Ela na deixou de dar um sorrisinho esperançoso diante dessa possibilidade. Quando foi presenteada, Vaan assentiu, olhando rapidamente para seu braço. Então ele poderia fazer mais, se ela soubesse usar seu potencial. As possibilidades pareciam melhorar. O destino estava finalmente sorrindo para ela?

Passou o olhar pelo papiro e olhou Archer cortar seu dedo. Ela coçou de leve a cabeça, pensativa.

-Se eu aprender um agora, você pode me ensinar outro depois, né?

Avaliou suas possibilidades. Ambos os presentes eram,no mínimo, interessantes. O Daeva era espetacular. Vaan imaginava o que poderia fazer com um a ajuda de um demônio. Porém, lutar sem ser vista. Nunca fora uma soldado da linha de frente, nunca quisera ter esse papel. Trabalhava melhor nas sombras, onde não era vista, onde era a morte escondida dentro de cada respiração.

-Aprender a lutar! Sem ser vista! Bem, daevas são legais, mas podem esperar.

Por fim, deu um leve sorriso para Archer, esperando ele terminar seu ritual.
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Re: Por trás das linhas inimigas

Mensagem por 25Slash7 em Ter Jun 12 2012, 14:27

- Não. Você não trocaria.

Disse sem qualquer sentimento. Era, para ele, nada além de uma certeza.

- Provavelmente, apenas descobrirá o que aconteceu quando esteve em Malfeas... quando encontrar, quem quer seja que tenha lhe tirado de seu destino. - esperou que viesse a nova declaração dela e então sorriu, ainda sem a olhar - Não. Mas eu estaria sempre com a espada no meu pescoço, se fosse necessário.

Ainda desenhava sobre o papiro. O sangue ia ficando mais fraco, enquanto sua condição como Exaltado tentava lhe lembrar de que seu corpo não foi feito para permanecer ferido.

Assim que terminou, fechou os olhos e juntou as mãos, em uma prece:

"Todas as noites possuem estrelas;
Todos os demônos possuem medos;
Quando um céu sem estrelas se revela;
É que todos os demônios foram afugentados.
"

Ergueu o olhar para Vaan.

- Vaan. Você ganha um título quando for a hora certa. Agora, envolva o seu braço nesta prece.

E então se levantou. Deu alguns passos para trás, dando espaço para que ela pudesse utilizar o papel como bandagem.. A extensão era grande o suficiente para cobrir o seu braço por inteiro, do punho até o ombro. Cruzou os braços por sobre o peito, olhou ao redor, como se buscasse por algo.

- Você tem alguma idéia de para onde iremos? Teus sonhos não lhe deram qualquer idéia?

Mais alguns passos. Um pouco mais de pensamento consigo. Parou, ficou em posição perpendicular à Vaan, fechou os punhos e entrou em posição de combate.

- O Estilo do Camaleão de Cristal foca em velocidade e surpresa. Você não conseguirá utilizar sua essência, como deveria, se estiver com alguma armadura. O estilo também é incapaz de canalizar corretamente através de armas, que não a lança ou a corta com peso na ponta... então, preste atenção, porque eu irei lhe mostrar uma única vez.

Puxou ar para o pulmão vagarosamente. Fazendo, daquela forma, apenas para que a garota fosse capaz de acompanhar os seus movimentos.

Então seu corpo começou a emanar a essência divina contida em seu corpo. Pouco a pouco, aquela essência começou a radiar e Vaan pôde notar como ela era distribuída lentamente por todos os chakras de Archer, preenchia cada chakra até que... rompeu. Algo se quebrou e, no instante seguinte, a luz ao redor de Archer foi despedaçada e, onde antes havia a imagem do Escolhido, agora havia apenas luz e sombra em ritmo intermitente. Ainda o via, vagamente. Ele se movimentou e, ao passar por trás de uma árvore, desapareceu.

- Aprendeu? Ótimo.

Surgiu por trás dela, passou ao seu lado, sem a olhar e, voltou à posição original.

Mais uma vez essência fluia, mas, desta vez, era algo menos controlado a ponto de que, gradualmente, uma imagem humanoíde, sem detalhes, se formava e envolvia o corpo de Archer. Ele deu um passo a frente, mas ao invés de se deslocar alguns centímetros, já estava à 10 metros de distância. Deixou um rastro imperceptível de essência para trás.

- O último de hoje. E eu espero que você tenha dominado tudo o que lhe ensinar nas próximas três noites. Caso contrário, entenderei que você é uma falha.

Novamente em posição de combate.

- As vezes, tudo o que você precisa é passar sem ser visto. Aqui, você irá combinar o que aprendeu das duas manobras interiores. Aumenta a velocidade e passa sem ser vista. Observe.

Novamente, a essência azulada de Archer crepitava, fluindo mecanicamente pelo seu corpo, ultrapassando os chakras e acionando os portões do espírito, ao mesmo tempo que seu anima começava a tomar forma... e então, mais uma vez, a realidade se partiu e Vaan apenas se deu conta quando ele surgiu à 40 metros de distância. Não foi capaz de ver, exatamente, o que aconteceu, mas soube, em seu intimo, que o destino havia fechado os olhos para ele e que ninguém o teria notado naquela passagem.

Voltou para onde estava e sentou-se. Seu corpo, sem o menor sinal de cansaço.

- Repita o mantra. Até o nascer do Sol.

E deitou-se, de costas para ela.
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Re: Por trás das linhas inimigas

Mensagem por Valkyrja em Ter Jun 12 2012, 16:52

Irritou-se ecom a afirmação seca do rapaz, rápido como uma serpente. Vaan balançou a cabeça em negativo, mordendo o lábio inferior. Estava começando a achar que estaria bem melhor sem ele, como acreditava quando saltou daquela porcaria de navio. Era quase impossível discutir com aquele rapaz, que parecia ter resposta para todo comentário e que sua raiva nunca sumia, apesar de ele ter calma para pensar em um comentário cortante em todas as ocasiões.

Não, não iria retrucar. Era melhor ficar calada, porque sabia que o humor do garoto era ácido e ele não gostava...Alías, a odiava. E o humor dela mesma já não estava mais dos melhores. Mantinha uma certa distância do rapaz, mas permanecia próxima o suficiente para ouvir e prestar atenção no que ele dizia. Ergueu as sobrancelhas, com a cara amarrada como uma criança que acabara de levar uma bronca do irmão mais velho, quando ouviu a prece. Ergueu discretamente seus olhos e, para sua surpresa, teve a impressão de que pequenas partículas azuladas escapavam e subiam aos céus, junto com pequenos pedaços de gelo. Olhava a beleza das partículas que pareciam ganhar mais brilho com a luz do sol e permanecia inerte, tendo sua vista para o céu, enquanto as particulazinhas sumiam, uma a uma. Baixou rapidamente seu olhar para Archer quando ele a chamou e instantaneamente um pesar tomou novamente sua face.

Pegou com cuidado o papiro, abaixando levemente a cabeça em sinal de agradecimento. Quando o esticou um pouco, ainda tinha a impressão de que a Essência do menino fluía sobre ele e se desprendia pouco a pouco. Ela tirou sua luva de couro e o casaco branco que conseguiu roubar do navio. Lentamente enrolou seu braço, desde seu punho até seu ombro e quando o fazia, podia sentir o peso daquelas palavras. Seu braço pulsou lentamente e Vaan sentiu o fluxo de Essência passando por cada escama, como se tentasse limpar a mácula, aqueles rastros demoníacos para depois liberar todo o poder que tinha. Sentiu um toque gelado na pele e viu traços de lilás se juntarem ao azul, até que, finalmente, o que pareceu ser uma linha forte de Essência que continha palavras em Velho Reino preencheu seu braço e depois desapareceu. Vaan mexeu seu braço, sentindo-o mais leve, com a Essência percorrendo desde a ponta de seus dedos até seu pescoço.


- Nas minhas visões, ele marcha para um desfiladeiro que parece levar para o centro da Criação.

Colocou a luva e o casaco novamente.

-Ele apareceu também na Fortaleza Vermelha, quando era jovem. Apareceu em Haafingar, no meio de cadáveres e também em algum lugar desolado. Não sei pra onde vai o caminho do centro da Terra, mas algo me diz que, agora ele vai para a tal Stromgale.

Pensou um pouco.

-Talvez vá para Malfeas depois, acabar de vez com esse conflito e garantir que ele nunca mais ameaça seu Norte.

Quando parou de falar e olhou Archer, ele estava em posição de combate. Vaan não virou-se para ele e curzou os braços, mas sem desviar os olhos dele, agora pesados e irritados. Seus ouvidos estavam abertos à explicação do rapaz. Vaan cerrou um pouco sua visão, querendo enxergar melhor. Teve a impressão de que a imagem de seu companheiro ficara mais embaçada, mais difícil de se enxergar e até de de fato dizer onde Archer estava. Porém, focou-se mais na distribuição de Essência pelos Chackras e instintivamente, fez o mesmo, imaginando sua energia divina preencher cada chackra, como Archer fazia e depois, em um segundo, ela se quebrar. Vaan quase pôde ouvir o som de vidro se partindo, da luz deixando de existir e do momento que sumia das linhas do Destino. Era uma sensação estranha. Via Archer mover-se, mas parecia não ter certeza nenhuma do que via. Era quase como ver um vulto. Não poderia dizer se vira ou não, até que ele desapareceu.

Levou um susto quando apareceu, daquele forma inesperada, atrás dela. Vaan olhou por cima de seu ombro e acompanhou o rapaz com o olhar até ele parar de novo, pronto para ensinar-lhe outra técnica. Calada, apena sobservou a Essência sair desde os chackras até envolver o corpo do menino, de forma gradual, de dentro para fora. Teve a quase certeza que aquele "escudo" de Essência poderia protegê-lo de danos. Seu deslocamento foi tão rápido que Vaan pensou que ele havia, de novo, se encoberto nas linhas do Destino.

Mas o último charm... O último foi espetacular. Vaan teve a impressão que Archer sumira, sumira de dentro da própria existência. Vaan teve a impressão que, se não fosse o que era, sequer se lembraria que vira Archer sumir, que ele estivera ali. Era quase como se ele não existisse. Mexia nas próprias linhas dos destinos, dessa vez.

Quando o rapaz voltou, Vaan permaneceu muda, enquanto via o rapaz deitar-se de costas para ela. Fez como foi ordenado e começou a repetir, sem pausa, o mantra. Não descansou. Passou a noite fria sentada, de olhos fechados. Vaan podia ouvir vozes de seres antigos recitarem aquele mantra com ela. Vez ou outra lembrava-se dos padrões de Essência dos movimentos precisos do Sideral.

Iria prevalecer. Iria aprender até de manhã, todos.
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Re: Por trás das linhas inimigas

Mensagem por 25Slash7 em Qua Jun 13 2012, 12:32

Ouviu a todas aquelas palavras de Vaan enquanto adormecia. Não deu resposta a ela, precisava, antes disso, chegar a alguma conclusão consigo mesmo.

Se fossem outros tempos, talvez o sono teria vindo. Naquela noite, contudo, não. Houve, de sua parte, nada além do silêncio quebrado por uma respiração lenta e serena.

Vaan forçou a sua essência durante todo aquele período, mas, em instante algum, ele sinalizou que acordaria. Nem quando ela teve dificuldades. Era uma Escolhida das Estrelas, uma Serva das Senhoras do Destino. Deveria ser capaz de superar-se.

Antes do sol nascer novamente, Archer estava de pé. Sem dizer uma única palavra, aproximou-se da garota exausta, cuja essência havia explodido por toda uma longa noite. Estendeu ambas as mãos até as preces e segurou.

- Ele está pronto. Nós precisaremos de um demônio para terminar o ritual. - encostou o dedo indicador e o dedo do meio na testa de vaan - Enquanto não acharmos, as preces ficarão vulneráveis e elas não poderão sofrer QUALQUER tipo de dano, entendeu bem?

Empurrou ambos os dedos, fazendo a cabeça dela deslocar-se levemente para trás.

- Pegue suas coisas. Você falou de um desfiladeiro que parecia ir para o centro do mundo, não é? Eu conheço este lugar. Se os bárbaros são recebidos lá, então é de lá que eles partem para outro lugar. E é de lá que eles partem... então é lá que sabem onde Fal Grey está. É este o seu destino agora, não é? Encontrar Fal Grey.

Fez uma pausa enquanto olhava ao redor, buscando algo que fosse familiar.

- Falei rápido demais para que entendesse?

Havia ironia no modo como falava. Apontou em direção ao leste.

- Há uma estrada naquela direção. Talvez tenhamos sorte e encontramos alguma estalagem onde possamos conseguir equipamentos para a viagem. Se eu estiver certo, teremos um dia de viagem.
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Re: Por trás das linhas inimigas

Mensagem por Valkyrja em Qua Jun 13 2012, 18:30

Vaan treinou a noite toda. Incansável, a menina conseguiu memorizar os padrõe de Essência que Archer havia ensinado. No fim da noite, quando Archer acordou, Vaan estava de cstas para ele. Fazia uma sequência de movimentos, sempre precisos. Começavam suaves, mostrando a integração que a menina tinha com seu próprio corpo. A imagem de Iron estava em sua cabeça. A aurora se misturava com o brilho lilás que emanava suavemente do corpo da jovem. No final de cada movimento, uma explosão de força. Era uma rocha em cada base, em cada ataque. Sentia que poderia quebrar uma montanha ao meio, se precisasse.

Notou Archer acordado apenas quando terminou a sequencia. Sua expressão logo tornou-se contrariada. Mordeu o interior do lábio inferior e sua face emburrada desapareceu. Logo ficou apenas o olhar calmo e a quase indiferença. Ela parou, um pouco sme graça e deu as costas para ele, ouvindo sua aproximação. Deinício, olhou para o jovem apenas com o cantos dos olhos verdes, por um momento. Deixou que ele segurasse seu braço e analisasse seu feito. Parecia satisfeito. Vaan arqueou a sobrancelha enquanto ele examinava seu braço e acompanhou com os olhos os dedos do rapaz, fechando os olhos, irritada, quando ele empurrou a cabeça dela para trás. O encarou e passou a mão onde ele havia encostado.

- Onde podemos encontrar um demônio? Não pode ser um Daeva?

A voz rouca deixava transparecer o sono que Vaan escondia. Afastou-se do menino e pegou seu casaco, enquanto o mesmo falava sobre suas visões. Ela nada disse, só um breve “uhum”quando ele falou sobre seu destino. Forçou a visão na direção de Archer diante da malcriação dele. Ele merecia, com certeza, um bom tapa na nuca para aprender a ficar quieto. Vaan pensou que um dia daria esse maldito tapa, e ele nem saberia o que o atingiu.

Quando ele apontou a direção, Vaan passou por ele e parou. O encarou e deixou a cabeça pender para o lado, apressando-o. Se fosse encontrar Fal Grey, era melhor encontrar rápido. O vento cortou forte o caminho, levantando o que lembrava poeira da neve antes intocada no chão. Depois de um longo silêncio, Vaan falou novamente.

-Você vai embora pra onde depois das três noites?
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Re: Por trás das linhas inimigas

Mensagem por 25Slash7 em Qui Jun 14 2012, 16:20

- Um Daeva? Você ouviu a parte que eu lhe disse que Daevas são os demônios em sua forma mais pura? Mesmo um demônio maligno, quando em sua forma Daeva, incorpora a pureza da realidade intocada. Não fale bobagens, cacete.

Havia, realmente, ficado irritado. De fato, enquanto ele respondia, podia sentir uma leve distorção nos técidos da Criação. Como se alguém, ao redor, tentasse atravessá-la para esganar a garota.

Não se importava com o cansaço dela. De fato, havia feito de conta que não havia percebido o seu treinamento, contentando-se em iniciar o dia normalmente.

Sem dedicar muito tempo aos preparativos, começou a caminhar.

- Há duas maneiras de invocar um demônio: sabendo o ritual correto ou atraindo a sua atenção através de uma fresta. Demônios não podem vir para a Criação se não como servos ou por algum buracos nas leis que os tornam servos. - pausa - Eu irei levá-la até o lugar que você sonhou e de lá partirei a procura da Doutrina. Seus... "amigos" irão aguardá-la em Stormgale.
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Re: Por trás das linhas inimigas

Mensagem por Valkyrja em Qui Jun 14 2012, 16:53

-Porra! Você não disse que tinha que ser a droga de um demônio impuro, cacete!

Vaan nem deixou Archer terminar de falar e já abria a boca para falar. Sua voz foi alta e forte. Ele havia conseguido o que queria, tirar a menina do sério. Não iria calar-se ou sequer segurar sua voz agora.

- Moleque... - e antes que Archer pudesse esbravejar ou dizer alguma coisa, ela levantou o dedo indicador, ameaçador. Seus olhos vermelhos brilhavam em ira. ele iria ficar calado enquanto falava. - Moleque porque você é incapaz de segurar essa droga da sua língua! Se você tem essa porra de missão, de me ajuda e realmente quer cumpri-la, faça pelo menos calado!

Vaan desceu o dedo, ainda o encarando.

-Quer saber, se detesta tanto a droga da minha presença, me ensine o que você tem que ensinar e pode voltar com a droga do seu rabinho entre as pernas pra Yu Shan! Sabe por que? Você diz que eu fraca! Sim, eu fui fraca, merda! Fui! Mas você é um maluco que não sabe nem segurar a língua! Grande guerreiro você é! Nem sabe controlar a droga do seu temperamento!

Não parou de falar nem se Archer tentasse falar junto com ela, cortando-a. Elevaria a voz. Sentiu as vibrações na Essência.

-Viu?? Vai o que? Me dar a porra de um soco com um Daeva? Vai mandar ele me esganar! Pros infernos!

Respirou.

- Me diga onde encontrar esse desfiladeiro e nunca mais nos vemos, droga!

Chutou a neve e partículas de Essência lilás surgiram. Seus olhos estavam baixos. Levantou seu olhar nervoso para Archer.

-Lança - agora sua voz tinha ironia, e um sorriso irritante surgiu em seus lábios. - Será que fui suficientemente clara e falei devagar o suficiente para você entender?

Vaan calou-se, encarando Archer. Soltara tudo que estava em seu peito. Sabia que o garoto poderia simplesmente ir embora, mas naquela situação não poderia mais ficar. Era melhor e menos estressante ficar sozinha. Tinha decidido ir sozinha, porra! Que se danasse! Daria um jeito de achar o veado do Fal Grey e aprenderia tudo que Archer ensinasse naquele momento!
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Re: Por trás das linhas inimigas

Mensagem por 25Slash7 em Sex Jun 15 2012, 15:17

Ele ia falar, mas não teve a oportunidade. Vaan falava, falava e falava, descarregava toda a sua frustração contra o Escolhido que, contentou-se com a posição silente que havia assumido.

Tão logo terminou, Archer balançou a cabeça em negativo e deu de ombros. Começou a caminhar:

- Terminou? Temos um longo caminho pela frente.

Não olharia para trás naquelas primeiras passadas. Todos aqueles bravejos, a raiva da garota... pouco significava, no final das contas, quando tinham um destino longo e intricado pela frente.

A raiva dela foi ignorada. Como o seu esforço em aprender todas as manobras básicas do Camaleão de Cristal em uma única noite.

- Eu irei lhe levar até o desfiladeiro. E, acredite... em toda oportunidade que eu tiver, eu lhe lembrarei do quão frágil você é.

Haviam árvores cobertas por finas camadas de neve por todo canto. Distante, encontrariam a fumaça preguiçosa que se erguia de uma estalagem para viajantes.

- Em toda... oportunidade...

E essência fluiu ao redor do corpo de Vaan, as linhas do destino reverberando. Ela sentiu uma pressão contra o seu pescoço e teve a impressão de faltar ar por um instante.

Nada aconteceu, entretanto. E Archer acelerou o passo.
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Re: Por trás das linhas inimigas

Mensagem por Valkyrja em Sex Jun 15 2012, 15:46

- Você é mesmo um idiota, Archer.

Depois de toda aquela demonstração de seu temperamento,Vaan pareceu ficar levemente mais calma. Quando olhava Archer, sentia um aperto em seu peito, tamanha era a indiferença que ele tinha diante de seus insultos. Moleque maldito! Como alguém conseguia ser um louco estourado e um sujeito calmo ao mesmo tempo? Calou-se. Havia cansado de discutir com ele. Fosse gritando ou não, ele não ouvia, que tudo se danasse então. Ele deveria ter é ido embora. Por mais que Vaan soubesse que precisava dele - e odiava admitir isso para ela mesma -, o queria longe. Sem nenhuma opção, continuou seguindo, atrás dele. Mantinha uma distância do rapaz. Ficar perto dele a irritava e lembrava o quanto ela tinha que aprender ainda.

Sentiu aquele distúrbio nas linhas do Destino, quase como um grito em seu ouvido. Tentou desviar o ataque, fazer com que as linhas o enviassem para longe ou simpelsmente o engolisse, mas não cosneguiu. Sentiu o toque gélido daquela mão invisível. Era tão frio quanto as mãos da Morte e Vaan ergueu seu rosto, tentando soltar-se. Era uma sensação horrível, pois não sabia contra o que lutar.

Quando foi solta, ergueu o olhar irritado para Archer, passando a mão em seu pescoço. Nada disse, apenas seguiu.


Última edição por Valkyrja em Sex Jun 15 2012, 16:05, editado 2 vez(es)
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Re: Por trás das linhas inimigas

Mensagem por O Zelador em Sex Jun 15 2012, 15:46

O membro 'Valkyrja' realizou a seguinte ação: Roll

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Re: Por trás das linhas inimigas

Mensagem por 25Slash7 em Sex Jun 15 2012, 16:48

E então iniciariam aquela longa viagem em direção aos sonhos de Vaan.

O caminho foi difícil por um tempo, sendo necessário algum esforço para que pudessem superar as dificuldades que as camadas fofas de neve criavam no deslocar dos dois.

Passaram todo aquele tempo sem se falar. Archer ia à frente, Vaan logo atrás.

Demoraram quase uma hora para chegar até à estalagem. Uma espécie de chalé, com quatro quartos, onde um senhor cego servia aos viajantes com chá quente (feito de alguma erva bem amarga, mas que aliviava o terrível frio) e Bannock, uma espécie de torta com gosto tão ruim quanto o chá, mas que serviria para dar energia.

Esquentaram-se a frente da fogueira, junto com dois viajantes vindos de Cherak:

"Bárbaros invadiram a cidade. Normalmente um Dragon Blooded conseguiria derrubar dez homens treinados. Mas ali... ah, ali, dois homens treinados enfrentam de igual para igual um Dragon Blooded novato. É assustador."

"Cherak irá cair. Se essa guerra não acabar, irá cair. E logo."

"Não vimos muita movimentação dos bárbaros para estes lados. Mas as estradas foram utilizadas. Acho que esses putos estiveram aqui e daqui marcharam."

Archer trocou algumas outras informações. Comprou, de um deles, dois casacos de pele animal, entregando um para Vaan. Pederneiras e ração o suficiente para os dois por uma semana. Antes de partirem, deu uma adaga para um dos homens, sem receber nada em troca.

A noite viria e eles não repousariam.

- O outro tentará matar aquele com a faca. Nesta noite. Este que quer matar, morrerá para o velho que cuida do lugar. Se isso acontecer, nenhum dos dois seguirá viagem. E isso é ruim para o destino.

Disse aquilo de maneira didática, não porque gostaria de manter contato com Vaan ou qualquer coisa do tipo. Esperava que ela entendesse o que é encontrar-se sob a proteção das Senhoras do Destino. Se não entendesse... fazer o que, lidaria com isso.

A viagem seguiu por mais alguns dias. Por um tempo pela estrada, em um segundo momento, estavam indo para floresta adentro. Dormiam próximos a rios ou em clareiras que os protegessem dos ventos. Archer parecia ter um "faro" para encontrar florestas ciliares.

Durante quatro noites, ele não se importou com cansaço, nem com frio. Andava e esperava que ela o seguisse. Paravam apenas quando ele achava que deveriam parar.

Na quarta noite, contudo, pararam mais cedo que o habitual. Deveria ser metade do dia. Nada disse, apesar da aparência que começava a dar visíveis traços de cansaço. Repousou com as costas em uma das pedras e adormeceu.

__

- Vamos.

Vaan se surpreenderia com o surgimento inesperado dele. Após passarem doze horas sem fazer absolutamente nada e parados por nenhuma razão aparente, lá estavam. Ele acordaria a garota com um leve chute se estivesse dormindo, ou simplesmente a assustaria usando suas habilidades. Seria divertido.

Puxou-a para que adiantasse, desceram por um declínio escorregadio, entre pedras e árvores. E então, apontou:

- Ali.

E lá estavam. O mesmo lugar dos sonhos de Vaan. Um íngreme declínio sem mato, apenas neve e pedras, cercado por duas paredes montanhosas que deveriam alcançar algo em torno de dez metros. Ali, onde antes havia visto a "silhueta", agora haviam dois bárbaros com traços típicos dos soldados de Fal Grey. Um deles sentado no chão, enquanto o outro andava de um lado para o outro, com uma alabarda em mãos. Falavam alguma coisa, as vezes, o que estava de pé, ia até lá e dava uns chutes no que estava sentado e esse apenas o xingava devolta.
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Re: Por trás das linhas inimigas

Mensagem por Valkyrja em Sex Jun 15 2012, 19:46

Vaan caminhava sem baixar seu olhar, mas jamais dava um olhar para Archer. Aprendera, durante as horas que passaram juntos, a simplesmente ignorar a presença irritante do homem. Sentia o peso das horas sem descanso em cada passo. Mesmo com o frio cortante, suava e sentia uma ardência em seu peito. Algumas vezes,seus olhos ficavam tão pesados que os fechava involuntariamente, quase deixando seu corpo pender para frente. Erguia-se logo. Não iria dar esse gostinho ao rapaz.

Ao chegar na estalagem, Vaan comeu como uma esfomeada, nem ligando para o gosto amargo da comida. O uso excessivo de sua Essência pesava em sua alma e estômago, além de todo o estresse de caminhar com aquele garoto. Quando Archer a olhou devorar a comida, ela ergueu uma sobrancelha e franziu a testa, em uma cara de "Que foi agora, seu porre?"

Sentava-se próxima a fogueira e sentia o sono chegar calmamente, no quente que o abrigo lhe oferecia. A única vez que virou seu rosto para Archer foi para agradecer o casaco. Não participou da conversa dos homens, mas a escutava com atenção, enquanto bebia mais chá.

"Provavelmente são as bençãos do Corvo de Marfim sobre os bárbaros. O norte vai cair para o Rei."

Pensou, enquanto fazia uma careta quando encostou o líquido em seus lábios. As bochechas estavam menos vermelhas, com o fim do frio intenso e os lábios voltaram a ser da cor natural, um vermelho jovial e forte, afastando aquele roxo cadavérico. O fogo crepitava e Vaan sentia-se feliz por poder dormir ali... Bem, até Archer mandar ela levantar e ir embora. Durante a saída, ouvia a explicação dele.

-E você deu a adaga a ele para me dizer isso? - não sorriu, não tinha nenhum tom irônico na voz. - Ah, desculpa. Você não seria tão gentil. Só queria livrar sua carcaça. - E saiu da sala quando disse a última sentença.

Ela compreendera sim o que ele quisera dizer. Ser protegido pelas Senhoras do Destino, poder evitar a morte apenas dando outras opções a seus algozes. De fato, era muito útil. Sentia as mudanças tênues e quase imperceptíveis nas linhas das teias da aranha, mas não compartilharia isso com ele. Archer tinha feito isso para protegê-los. Os homens poderiam, muito bem, atacá-los. Mesmo dois destinos terminados de maneira tão calculada, o deles continuaria.

-Aliás.. - criou coragem para perguntar. A última coisa que queria era uma resposta ríspida, mas já se acostumara. - Como você conseguiu ver isso?

E calou-se. Nada mais dissera.

Andava sem parar, sentindo o cansaço se apossar de todo seu seu corpo. Apelava para sua Essência. Deixava-a alimentar todos os seus chackras, passando por seu corpo e músculos cansados. Isso a aliviava. As 4 noites pareciam infinitas. Vaan não sabia dizer se era por causa da companhia de Archer ou porque estava cansada. A única vez que falou novamente foi quando ela e Archer pararam para comer algo.

- Não ia me ensinar mais algumas coisas por essas noites?

E assim que terminou de falar, calou-se novo. Passou por tantas camadas de neve branca que começou a notar nuances dentro do branco. Achava que ia ficar louca. Nem sequer havia notado que Archer parou do nada. Achou que ele fosse pregar uma peça. Era tão cedo para dormir.

Estranhou o fato de realmente terem parado para acampar. Ela não discutiu, no entanto. Já que o menino tinha tanto talento para achar florestas, deveria saber porque parar agora. Adormeceu profundamente, encolhida, devido a seu cansaço. Mesmo com o casaco pesado, ainda sentia frio.

Acordou e procurou Archer. Será que ele havia deixado ela para trás? Ela não se surpreenderia e..

-!!!

Levou um susto quando Archer pareceu do nada, na sua frente. Irritou-se quando ele riu dela, com cara de palhaça. Voltaram a andar e quando passaram sob uma pequena floresta de árvores altas e carregadas de neve, Archer sentiu uma boa quantidade de neve cair sobre sua cabeça. Se se virasse para trás, Vaan estaria calada, de olhar sério e sem traços de cansaço. Havia se acostumado a andar sem parar e sem descansar. Mas nada indicaria que foi ela.

Andaram mais um pouco e foi puxada por Archer. Quando chegaram, puxou seu braço de volta, a fim de soltar-se dele. Ela aproximou-se do declínio e viu, ao longe, o lugar que sonhara. Ficou parada, olhando por algum tempo, impressionada com os poderes que poderia ter.

-Finalmente.

Falou para si, enquanto dava um sorriso, vendo os bárbaros brigarem. Em algum lugar lá embaixo, estava Fal Grey, ou alguém que sabia onde ele estava. Andou pelo local, querendo ver o acampamento,s e tivesse um. Queria reconhecer alguma barraca ou algo que pudesse investigar mais de perto.
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Re: Por trás das linhas inimigas

Mensagem por 25Slash7 em Sab Jun 16 2012, 11:15

Archer foi incapaz de conter um sorriso quando a resposta ácida da garota lhe veio diante da explicação que havia dado para ter entregue a adaga. Aparentemente, ela havia apenas compreendido parcialmente o que houve, o que apenas aumentou o seu sorriso.

Aumentou, porque ele sabia que logo ela perguntaria como ele fez isso e a única resposta que teve foi "Pergunte ao cara que eu dei a adaga apenas para lhe dizer aquilo".

Como ela fez anteriormente, saiu do mesmo recinto que ela estivesse no instante seguinte.

Quando foi questionado sobre mais ensinamentos, o rapaz optou por simplesmente faz um gesto com a mão, como quem afasta uma mosca. Sinalizava que não queria ser perturbado por aquelas perguntas estúpidas.

- Vamos nos livrar deles.

Se avançassem livremente, seriam facilmente vistos pelos dois guardas. Ainda que estivessem distraídos, entre o ponto onde Vaan e Archer estavam e onde os bárbaros estavam, havia em torno de 20 metros. O caminho não possuia obstáculos, excetuando algumas pequenas pedras, além de muita neve, o que tornaria o deslocamento mais vagaroso. Estavam relativamente próximos à encosta do lado direito, sendo que esta era completamente irregular.

Archer ajoelhou-se, retirou o pesado manto recém comprado e o colocou no chão. De dentro dele, preso à parte interna das costas do vestuário, retirou uma espécie de bolsa. Olhou para o braço da menina, onde as preces ainda estavam.

- Lembre-se. Nenhum dano, a menos que você queira explodir de dentro para fora. - retirou um par de Kunais, bem como um garrote do pequeno envólucro. - Coloque isto na minha conta. Quando tudo isto acabar, você irá me devolver com juros. E não, eu não vou aceitar sua teimosia como resposta, ou eu juro pelo dia mais infernal de Marte que eu vou lhe entregar para aqueles dois e mandar o destino a merda.

As armas pareciam feitas de ferro mundano, refinado e, portanto, mais claro. Possuiam uma luz oblíqua em sua superfície e, ao olhar sob diferentes ângulos, poderia enxergar os tons de cores das Cinco Senhoras. Ao tocar a arma, a garota sentiu algo diferente, estranho. A imagem de uma estrela caindo sobre a terra e deixando para trás um depósito deste mesmo metal. A cena muda e Vaan vê dois homens se aproximando e colhendo aquele metal. Homens como ela e Archer.

Voltou a realidade.

Para si, puxou uma espécie de manopla de couro, onde haviam agulhas presas na parte inferior do antebraço. Calçou a luva.

- Você começa. E se você ir bem hoje a noite, talvez eu lhe dê algum biscoito.
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Re: Por trás das linhas inimigas

Mensagem por Valkyrja em Dom Jun 17 2012, 18:14

Archer era mesmo irritante, incapaz de ser direto uma vez na vida. Podia muito bem dizer como havia feito aquilo e como manipularia sua Essência para tal. Vaan sabia que, dentro de toda a Criação, todos os destino, não importa de que tipo de criatura, estavam interligados. Se dois destinos deixavam simplesmente de existir, isso ocasionaria vibrações estranhas na linha do Tear e uma mudança brusca poderia acontecer. Milhares de outros destinos poderiam ser afetados pela interrupção destes dois. Arranque dois fios de tecido de um tapete que haveria um bom trabalho para remendar a peça completa. Pelo menos Vaan tinha essa visão e queria confirmar se estava certa. Porém, não iria comentar aquilo com ele, não agora. Ele não queria ficar quieto? Que ficasse então. Não queria conversar com ele.

Quando ele afastou suas perguntas como quem afasta moscas, Vaan suspirou, irritada, e revirou seus olhos verdes. Pousou o olhar nas costas do menino e apertou seus olhos, com raiva.

Seguiu caminhando. No mais, o que poderia fazer? Por enquanto, precisava dos conhecimentos dele.Era um mal necessário e era o único que pdoeria levá-la até onde ela queria estar. O Destino era mesmo cruel.

Parou ao lado de Archer, olhando seu terreno e ouvindo o que ele dizia. Ergueu seu olhar atordoado para os bárbaros. Agora não seria brincadeira. Sentiu seu peito saltar e as palmas da mão suarem. Sentia um misto de medo e ansiedade. Então agora seria para valer. Será que estaria pronta? Queria estar. Não só por ela, mas queria esfregar aquilo na cara de Archer.

Perdia-se dentro das possibilidades, contando o que poderia dar errado e certo. Chegou até a tentar conectar-se com o destino, como antes fizera. Se algo de ruim fosse acontecer, queria estar preparada.
[André, não sei se posso deixar no gatilho, mas queria usar o Absence]

Seguiria até eles e... Archer a chamou e ela voltou a si. Olhou o menino e ajoelhou-se a seu lado. Passou aos olhos pelo seu próprio braço e ele pôde sentir um leve arrepio na espinha da menina. Por mais que tentasse esconder aquele sentimento, o seu maior medo era perder o controle da situação e ser acertada em seu ponto fraco. Implodir não é nada legal. Nada, nada. Bem, pelo menos, se explodisse perto dos bárbaros, poderia levá-los juntos. Balançou a cabeça e afastou a idéia absurda. Vaan voltou seus olhos para Archer. Por um segundo, ela hesitou, parecendo digerir o que ele disse. Depois, ela concordou, afirmando seu entendimento.

Ao ver as kunais de Archer, Vaan quase as negou, mas diante da afirmação tão energética do menino, ela não viu outra opção a não ser aceitar. Não duvidaria que ele a entregaria para os bárbaros,e, além disso, não poderia usar um dos braços. Uma arma afiada seria muito útil. Ela pegou uma com cuidado. Ergueu-a contra a luz e viu as delicadas nuances de cores. Não deixou de dar um leve sorriso diante daquela beleza tão delicada. No instante seguinte, as visões apareceram. Ficou calada. Via a estrela cadente, o brilho multicolorido que ela teve ao atingir o chão da Criação. Em seguida, o jovem rapaz de feição irritada e a mulher de cabelos presos, ambos com roupas que denunciavam seu status: ele, roupas pesadas de batalha. Ela, roupas leves que lembravam uma espécie de monge. Se aproximavam, maravilhados com sua beleza apenas, pois já sabiam que aquilo aconteceria. Ela voltou com o som irritante da voz do rapaz.

- Biscoito doce, por favor. De amargo já basta você e a comida daquela estalagem onde você conectou seu destino ao do homem.

Prendeu o invólucro das kunais firmemente em sua perna direta. Levantou um pouco a mesma, vendo se estava bem preso.

- Logo logo te devolvo elas.

Deu dois passos para a direção que seguiria. Engoliu em seco.

-Não vá chorar enquanto eu não estou perto, ok?

E disparou sua Essência por seus chackras, alimentandos. Archer podia ver que a imagem da menina agora não passava de um borrão.

- Vejo você lá embaixo.

O fluxo de Essência quebrou-se e tão rápido quanto a pequena explosão, Vaan sumiu . Sumiu como se nunca tivesse existido, deixando apenas um rastro de uma mistura de luz e sombra próxima a Archer.

[Chamr 3 que não sei o nome!]

Movia-se um pouco abaixada, mas o mais rápido que o terreno de neve fofa permitia. Tomava cuidado para não esbarrar em pedras ou em objetos que poderiam rolar para frente e atrair a atenção dos homens. Quanto chegou a aproximadamente 10 metros, deixou a Essência percorrer seus pés. As linhas do destino pareciam ter ficado mais firmes e obedeciam a menina. Vaan subiu em uma delas e usando a força dos Escolhidos, desfez a realidade como ela era. Esperou os bárbaros se aproximarem e saltou para frente, usando o impulso que sua própria Essência lhe dava e o impulso das linhas do destino que se entortavam para fazer sua vontade. Voou sobre o campo de neve e seu primeiro alvo foi o homem em pé.

[ Forgotten Earth]

Como uma doença que chega sem avisar, a morte lhe veio com um sopro suave e frio. Vaan colocou seus dois pés para frente. Armada com a kunai que Archer lhe dera, primeiro o homem sentiu um vento percorrer sua nua. Os pés de Vaan passaram por ele, mas quando o tronco da garota iria passar, ela fincou a pequena arma ao lado do pescoço do homem. Jogou seus pés para a frente, fazendo uma espécie de C ao redor do soldado. Com a força de seu próprio peso, Vaan puxou seu corpo e a kunai, fazendo um rombo tão grande no pescoço do homem que ele mal pôde gritar. O corpo do homem girou e com o peso de seu próprio corpo, Vaan tinha seus pés jogados para cima do homem ajoelhado, que nada via além do sangue jorrando e seu amigo, que sem qualquer explicação, rodava e perdia o equilíbrio, morto. Nada fazia sentido naquela cena tão absurda.

Ele sentiria o peso dos dois pés da menina em seu rosto. Vaan soltou a kunai presa no pescoço do homem e sacou a outra do invólucro de sua perna. “Ajoelhou-se” assim que sentiu seus pés pisarem no rosto do homem. Agora ele via o fantasma que trouxe silenciosamente a morte de seu amigo. Os olhos lilases brilhavam com as milhares de constelações do céu e seu olhar era pesado, sem perdão. Antes que o medo percorresse todo se corpo, Vaan enfiou a kunai embaixo de seu queixo, silenciando-o. Puxou a arma em seguida e deixou-a rodar em seu dedo. Guardou-a.

Quando o corpo do bárbaro caiu. Vaan imediatamente agachou-se ao lado dos dois. Viu ao redor e percebendo não haver ninguém, foi até o corpo caído do primeiro bárbaro. Pegou a kunai presa em seu pescoço e a guardou. Esperara por Archer, mas por precaução, procurou um lugar para esconder-se.
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Re: Por trás das linhas inimigas

Mensagem por Valkyrja em Seg Jun 18 2012, 11:16

First Martial Arts Excellency - Essence Overwhelming
2 motes para mais dois dados.

+1 em cada rolagem pro Stunt

1ª rolagem: Salto furtivo

2ª rolagem: Ataque 1

3ª rolagem: Ataque 3


Última edição por Valkyrja em Seg Jun 18 2012, 11:17, editado 1 vez(es)
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Re: Por trás das linhas inimigas

Mensagem por O Zelador em Seg Jun 18 2012, 11:16

O membro 'Valkyrja' realizou a seguinte ação: Roll

#1 'D10' : 3, 4, 9, 5, 9, 4, 2, 1

--------------------------------

#2 'D10' : 10, 10, 6, 4, 1, 7, 5, 5, 2

--------------------------------

#3 'D10' : 9, 9, 4, 7, 1, 1, 7, 10
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Re: Por trás das linhas inimigas

Mensagem por 25Slash7 em Seg Jun 18 2012, 11:46

Sua expressão tornou-se um sorriso quase imperceptível quando percebeu o nervosismo de Vaan. Isto, ao menos, mostrava que ela estava ciente do peso que carregava sobre os ombros. Questionou-se, em silêncio, se estava preparada para suportar aquele fardo.

Vaan o chamou de amargo e, no mesmo segundo, sentiu um impacto sobre a nuca, fazendo a cabeça dela pender para frente. Um tapa estalado, que se fosse mais próximo, teria chamado a atenção dos bárbaros.

- Metal Estelar. Este é o nome do metal que essas armas foram feitas. É o metal dos Escolhidos das Estrelas e a sua essência ressoa com a presença deles.

Observou-a prender o envólucro e, quando terminou, puxou os laços com mais firmeza. Ergueu-se em seguida:

- Lá embaixo? Se você me enxergar. Eu passarei por eles e irei te encontrar lá dentro.

E então sua essência partiu-se e, quando se partiu, a Luz virou seu brilho da direção de Archer. E quando ela insistia em olhá-lo, Archer era como um prisma. Aquela forma, mais avançada do que a manobra básica ensinada para Vaan, era o que caracterizava o Estilo do Camaleão de Cristal.

Mesmo a frente dela, o rapaz desapareceu e ela não mais o viu.

__

(Explicação: O charm utilizado foi Flashing Passage. Este charm não pode ser colocado em flurry, ou seja, ser utilizado junto com outras ações. Assim, vou considerar que foram duas ações distintas, uma de aproximação e a outra de salto.)

[Aproximação furtiva (Charm Utilizado: Flashing Passage): Sucesso]

E o mundo fechou os olhos para a passagem de Vaan...

[Ataque 1 e Ataque 2 (Charm utilizado: Martial Arts First Excellencyx2)]

...e quando seus olhos se abriram, depararam-se com tons de vermelho.

Vaan viu a si mesma em outra época, em outro corpo. A imagem era pouco mais do que um vulto, mas sabia que era ela. Seus movimentos precisos, rápidos, eram como uma arte violenta, que pintava o ar com tons carmesim. Hordas e hordas de inimigos avançavam contra os Senhores da Criação e sequer percebiam a presença da garota. Indiferente à indiferença destes, eles caiam, pois a linha de seus destinos, deparava-se com a linha de Vaan.

O primeiro bárbaro sequer teve tempo de reagir. A lâmina atravessou com precisão uma artéria e, tão logo a garota puxou a arma, um esguicho de sangue espirrou pelo ferimento. e depois escorreu pescoço abaixo. Fora uma morte eficaz, porém suja.

Veio o seguinte ataque. O corpo da Escolhida fluia sendo conduzido pelas memórias de seu treinamento. Um novo salto, um novo ataque e um novo mundo se partindo. O bárbaro ainda tentou sacar a arma e atacar a garota, mas foi incapaz de fazê-lo. Quando foi silenciado, as mãos da garota estavam sujas de sangue.

Olhou para o que havia feito e soube que Iron desaprovaria aquela bagunça.

Ao redor, não havia ninguém, restava apenas a continuidade do declive e, a aquela altura, era tarde demais para voltar.

Desceu mais até que o desfiladeiro começasse a se abrir. Esgueirava, escondia-se atrás de pedras, o corpo agachado ou próximo a parede.

O desfiladeiro terminou no que parecia ser uma clareira, onde haviam tendas de diversos tamanhos, todas feitas por peles de animais de tom pardo ou esbranquiçado. A única exceção a aquilo era a tenda central, cuja pele da qual ela era feita, era imaculadamente esbranquiçada.

A disposição das tendas era uma circular. Alguns bárbaros armados andavam por ela. As vezes agregavam-se, conversavam e depois dispersavam. Haviam pelo menos 4 fogueiras espalhadas, todas com a presença de ao menos 6 bárbaros.

Crianças brincavam. Velhos e mulheres conversavam. Mas os únicos homens, eram os soldados que por lá estavam. Não se via Fal Grey ou Archer.



Killing Rate: CC
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Re: Por trás das linhas inimigas

Mensagem por Valkyrja em Seg Jun 18 2012, 15:20

Como sempre, Archer conseguia irritar a garota. Ela tinha certeza que ele gostava, e muito, de deixá-la irritada. Maldito destino que os uniu! Só poderia ser sacanagem! Ela revirou os olhos, enquanto passava a mão na nuca. Parecia uma brincadeira de mal gosto das Senhoras, ou um teste para sua paciência.

De qualquer forma, deixou o rapaz se afastar sem nada dizer. Tentou, no máximo, memorizar o uso da Essência do charm que ele acabara de fazer. No mais, deixou-o partir, com um olhar de fúria.

"Bem, agora vamos pro parque de diversões."

E Vaan avançou dentro da sombra da Criação. Não existia, naquele pequeno momento. Sua respiração acelerou e por um instante, sentiu ser aquele vulto que mais se assemelhava a um fantasma. Não tinha sentimentos, não tinha medos e não tinha também esperanças. Ela apenas avançava. Ignorada por todos, levava sua mão de ferro para os inimigos da Criação como uma renegada. Caía sobre os campos de batalha como uma peste não querida, matando dezenas, centenas e milhares. O carmesin escapava e pintava o chão e o céu. No fim, só restava uma sombra pálida, esguia e bela. Seus olhos brilhavam em pura Essência lilás, levando terror aos sonhos dos homens.


Como a visão de seus sonhos, Vaan acabou rapidamente com os dois bárbaros. Foram duas mortes dignas de um especialista, ela gostou de pensar e deixou escapar um sorriso confiante. Porém, ao ver a bagunça e sujeira que ela fez, ela balançou a cabeça negativamente. Ela não era uma assassina! Era muito mais que isso! E aquilo era inadmissível. Podia ouvir as palavras de Iron ao pé do ouvido. " Mas ora ora! que grande merda você fez!" E ele riria de uma forma que faria Vaan desejar fugir.

Passou a lâmina suja de sangue na neve, limpando-a. Esfregou as mãos na neve fria, apenas para tirar o sangue nojento delas. Ergueu-se e olhou a cena novamente. Franziu a testa e colocou a lingua para fora, soltando um "Blerght" silencioso. Foi até uma careta engraçada, não fosse a situação tensa. Vaan, por incrível que pareça, se divertia com aquilo. Não com as mortes, mas o sentimento de caçada, de quase morte, a deixava estranhamente animada.

Abaixou-se e seguiu pelo caminho declinado. Andou com cuidado, sempre com o corpo um pouco curvado e com passos curtos e rápidos. Ela andou e escondeu-se em uma última pedra antes da clareira. Viu as disposições e e tentou calcular o melhor caminho para a tenda central. Imaginava que lá descobriria alguma coisa.

Deixou o fluxo de sua Essência percorrer seu chackras novamente. Era algo estranho, mas dentro do campo de batalha, onde sua morte estava a apenas uma respiração longe, Vaan não sentia-se um peize fora d'água. Com seus " amigos", como Archer dizia, sentia-se quase sempre inútil, fraca. Eles eram bem mais fortes que ela, mais aptos para a guerra, ela sentia. Mas ali...Ali não havia nada e ninguém que dissesse que ela era incapaz. De forma nada habitual, sentia que nascera para aquilo. Seus olhos agora eremaneciam sempre liláses e tinha uma expressão quase tranquila. Vaan conectava seu destino ao destino daqueles homens. Queria ser capaz de fazer como Acrher fizera com a adaga e o homem. Tentou descobrir algum caminho através das linhas que se mostravam. Se estavam agora conectadas a dela, bastava ler a sua.

Ela respirou fundo e, como um espectro, primeiro percorreu a clareira, circulando parte do campo de longe. Enquanto caminhava, a Essência percorria seus chackras e ela sentia que uma forma humanóide lilás começava a se formar. Quando viu uma barraca mais afastada, na "fronteira" da aldeia, ela controlou seu fluxo e deixou que sua Essência a contornasse. Quando tornou-se apenas o que parecia ser uma miragem ou uma ilusão de ótica, Vaan avançou até a barraca, parando logo atrás dela. Tentou concentrar-se para ver se achava traços da energia de Fal Grey naquele campo. Quanto a Archer, sacou uma kunai e observou se ela brilharia. Se Archer falara a verdade, poderia, pensava, usar a kunai como uma forma de descobrir onde o Escolhido estava.

[Charm 2!Não sei o nome!]

Atrás da barraca, olhou para um lado e olhou para outro, vendo o melhor a seguir ou querendo aproveitar uma oportunidade.
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Re: Por trás das linhas inimigas

Mensagem por Valkyrja em Seg Jun 18 2012, 16:31

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Re: Por trás das linhas inimigas

Mensagem por O Zelador em Seg Jun 18 2012, 16:31

O membro 'Valkyrja' realizou a seguinte ação: Roll

'D10' : 10, 2, 9, 6, 8, 3, 2, 9, 6, 3
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Re: Por trás das linhas inimigas

Mensagem por 25Slash7 em Seg Jun 18 2012, 16:44

Vaan deslocou-se ao redor da clareira, em uma tentativa de compreender melhor o terreno onde estava pisando. Os olhos atentos da garota vagavam de detalhe à detalhe.

Em pelo menos dois momentos ela deparou-se com situações onde algum guarda chegou perigosamente próximo. Esgueirou-se por trás de uma tenda, agachou-se e esperou que o mundo fechasse seus olhos novamente. Seja qual for a razão, ela não foi vista.

Retornou ao ponto que havia partido, agora mais consciente:

ILUMINAÇÃO:

Todo o acampamento era iluminado por fogueiras. Cada fogueira possuia um grupo de 4 à 6 bárbaros. Haviam cerca de 8 fogueiras espalhadas.

GUARDA:

Havia algo em torno de 70 bárbaros, contando com os da fogueira. Pelo menos 50 se agregava ao redor da fogueira. O restante fazia guarda. 4/5 guarda por direção (norte, sul, leste e oeste).

Nenhuma das tendas era protegida, excetuando aquela cuja pelugem que a cobria era mais branca que o normal.

AMBIENTE:

O lugar havia sido "limpo" para que pudesse abrigar as tendas. As pedras tinham sido deslocadas (excetuando algumas maiores, imovíveis).

Havia um armazenamento de galhos, gravetos e lenha no canto mais ao norte (Vaan entrou no acampamento pelo Sul).

Próximo a madeira, haviam alguns animais, cuja carne ou pele poderia ser aproveitada.

Além da tenda central, outras duas se destacavam. A primeira, em uma das extremidades norte, aparentava ser alguma espécie de armazém, onde podia-se ver, ao longe, que havia algum material empilhado, além de caixas.

A segunda lembrava, vagamente, uma escola. Com cadeiras rústicas. Na frente da "sala" a imagem de um homem com quatro braços. Aquela imagem, Vaan reconhecia como o Patrono dos Solares.

As tendas são feitas de amontoados de peles e tecidos,se estendendo até o chão. Aquelas mais próximas da fogueira, revelavam quem estava dentro.

PESSOAS

Mulheres, crianças e velhos. As crianças brincavam sob o olhar vigilante das mães. Um pequeno grupo de três delas, inclusive, brincavam de "lutinha" em lugar aproximado a onde Vaan estava.

O restante, eram mulheres conversando, fazendo cozidos. Falavam em algum dialeto da Língua do Céu (Skytongue, língua padrão do norte e que a Vaan conhece), algo misturado com alguns termos do Velho Reino (que Vaan, também conhece).



Por fim, Vaan olhou na direção do declive e a imagem que viu foi, no mínimo surpreendente. Um dos tribais estava montado sobre um massivo mamute. O homem era acompanhado por mais três bárbaros e, em instantes, começariam a descer o declive, onde passariam, inclusive, pelos dois cadáveres.

O que quer que Vaan houvesse vindo fazer, teria de fazer rápido.

A kunai não serve como indicativo de onde Archer está.
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Re: Por trás das linhas inimigas

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