Introdução: Deuses e Homens

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Re: Introdução: Deuses e Homens

Mensagem por Niume em Qua Fev 08 2012, 21:58

Niume sentia coisas que nunca tinha sentido antes. Nem mesmo na tempestade que a separou de toda a vida que conhecia quando era ainda uma criança indefesa, nem a vida com as mutações de seus “familiares” ou a loucura que acometia Alfadur.. Nada nunca antes a tinha feito se sentir assim, angustiada, com falta de ar... Com medo. Ela sentia vivendo a loucura que Alfadur vivia, perguntava se nos dias de isolamento, ele sentia-se daquela forma, contendo um grito de desespero. Havia tantas pessoas ali, quase uma multidão e sentia como se estivesse sozinha, presa em um quarto escuro e frio como um mar de gelo. Em qualquer outro momento, ela teria sido talvez a primeira a erguer e a espada, isso é, se estivesse com ela... Mas não estava e também não agia. Queria agir, queria se mover, mas faltava a coragem necessária para deixar de ser uma covarde naquele momento e temia que Alfadur sentisse isso no contato das mãos apertadas.

Ela só reparou que Hector e Alexander se moviam quando tudo já estava acontecendo. Só percebeu Alexander disparando por entre as pessoas quando ouviu os chiados. Ouviu as palavras da língua esquecida, mas apenas se atentou que o grande humano as tinha proferido quando a fogueira tornou-se mais intensa quando os elementais envoltos em chamas mergulharam do céu em direção a Voz dos Antigos. Ve-las cortando o céu era uma coisa bonita de se olhar, o fogo a atraia tanto quanto a desobediência. Mas os gritos, bom, eles não atraiam em nada. Podia sentir a temperatura mais quente do que antes e também não podia ver isso como um bom sinal, nada ali era um bom sinal. Niume observar a ação atenta, alimentando um pequeno fio de alivio ao imaginar que os elementais acabariam com tudo, mas estava enganada. Os olhos dela se arregalaram quando segundos antes de finalmente acertar o urso, o tempo parou. As cores se foram, o fogo perdia a vida vermelha que ardia em suas entranhas ate se extinguir em um cinza mortuário. Nada se movia, nada vivia além deles, a plateia imóvel que apenas esperava. Esperava enquanto os elemenais eram tragados, de volta ao lugar de onde tinha saído.

Dali para frente tudo fez ainda menos sentido. Quem era o tal Rametheus que o urso procurava? Era por causa dele tudo aquilo que parecia prestes a acontecer? No ritmo da carruagem e que era bem rápido, estariam todos mortos antes que pudessem ver o sol outra vez. A criança não parecia saber sobre a localização do tal homem, se sabia, estava disposta a deixar todos morrerem para guardar esse segredo. O grande urso começou a andar por entre eles, ameaçando em cada passo quem seria morto primeiro. “Até quando vai ficar parada, Niume?”

Ela virou a face para Alfadur quando ouviu as palavras dele a ela, tinha ouvido e não ouvido nada ao mesmo tempo. As palavras só se encaixaram quando sentiu a mao dele tentando tirar da dela o punhal que segurava ali. Ela olhou a própria mao antes de erguer os olhos para ele e sorrir. “Já era tempo!” . Os dedos se abriram, deixando que a arma fosse pega por ele. Ele a conhecia o bastante para saber que palavras ela usaria para responder aquele pedido que era apenas cheio da melhor das intenções. Se ele fosse junto, ela podia considerar a ideia, mas não voltaria para as montanhas sem aquele que era a única família que ela tinha.

-Eu não sou o tipo que foge e larga companheiros para trás. Eu não vou voltar sem você...

Vivo ou morto. Pensou ela e esse pensamento incluía a si mesma, embora se ambos morressem, duvidava que fosse poder ser velados no castelo de gelo. Ainda de joelhos, Niume observou enquanto ele se levantava e corria na direção do centro do Altar, onde outra mulher, (Vaan), uma que não tinha visto ate aquele momento, estava tentando se comunicar com o garoto. Iam para o mesmo lugar e só pode pensar que tinham tido a mesma ideia e embora não soubesse qual, pedia aos deuses para que desse certo.

A jovem levou a mão esquerda a beirada da bota da perna esquerda e tirou dali o segundo punhal ainda escondido, já que o primeiro estava agora com Alfadur. Era apenas uma pequena lamina, nada perto da mortal espada, mas era o que tinha. Ela finalmente se levantou, se iam morrer, não ficaria esperando sentada, iria se juntar a tentativa de todos os outros. Ao ficar de pé, Niume ouviu alguém gritar para ela. Virou o rosto na direção de onde o grito tinha vindo e encontrou a criatura andrógena, movendo as mãos e indicando o urso. Niume olhou o “animal” e depois voltou a olhar Charlie, fazendo um aceno positivo com a cabeça. Precisava agir, mas não se precisava de três no altar e por bem ou por mal, alguém tinha que cuidar do urso e não poderia fazer isso sozinha, com uma lamina pequena. Aquela pele de urso daria um belo casaco. Niume entendeu bem o recado da garota, ou garoto e começou a se mover ao mesmo tempo, seguindo pela direita enquanto se esgueirava. Era esguia e ágil, acompanharia o ritmo de Charlie com muita facilidade.

Mesmo em situações como aqueles, Senhores eram Senhores. Não viu de onde Hector surgiu, mas teve de parar de correr quando a mao grande segurou Charlie pelo braço. Se tivesse sua espada, ela teria continuado e atacado sozinha, mas com um punhal, seria suicídio e devia ter algo mais para ajudar que pudesse fazer além de morrer naquele momento. Os olhos dela acompanharam a direção para onde Hector apontou e guardou a surpresa apenas para si mesma. Enquanto o homem preocupava-se em dar avisos, as coisas continuavam a acontecer e tempo era o que não tinham. Iam atacar juntas e de onde estava, Niume pode ouvir o que Hector falava a garota. Ele tinha razão, precisavam dos guardas e das armas, precisavam de toda a ajuda, mas habilidades para luta eram mais necessárias ali e não fugindo.

A jovem olhou em volta e achou um dos servos ajoelhado ali, apavorado como todos. Ela o puxou pelos ombros, colocando-o de pé e o olhou como o próprio Alfadur teria olhado se precisasse dar a ele uma ordem.

-Encontre os guardas.. cada um que encontrar, nossos ou não! Conte a eles o que esta acontecendo e peguem as armas de volta! O hrothgar e Alfadur estão assumindo as consequências. VÁ!

Ordenou ela, empurrando-o para que despertasse e corresse. Os servos de Alfadur eram fieis, ele daria o recado ao menos, antes de fugir. Niume voltou a olhar Charlie quando Hector se afastou. Os olhos verdes encararam os dela, esperando por uma resposta. Ou ela ia continuar com o que faziam, ou ia procurar guardas. A jovem de cabelos negros não obedecia as ordens nem mesmo daquele que era como um pai, obedeceria ainda menos um Senhor que nem conhecia. Charlie tinha que se decidir e tinha que se decidir rápido. Niume esperava apenas por ela para continuarem o ataque. Era uma resposta simples, ou atacavam, ou ela podia correr como o homem havia mandado.
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Re: Introdução: Deuses e Homens

Mensagem por Rosenrot em Qui Fev 09 2012, 20:47

Charlie estava pronto para agir, enquanto esgueirava-se sem muita dificuldade entre as pessoas, seguindo os passos do Urso, lambia os lábios constantemente, as mãos fechando-se e abrindo para testar a circulação. E preparou-se, como quem ia dar o bote....

Então sentiu a mão lhe agarrar o braço, e virou-se o punho fechado, pronto para golpear quem quer que fosse... Mas travou, ao ver quem era. Respirou fundo, ofegando. - Perdeu o juízo? - Resmungou, antes de atentar-se ao que ele dizia. E ouviu, até o fim. Bufou, não gostava muito da ideia. E desgostou completamente do abraço.

Observou Hector se afastar, antes de ir buscar os guardas - lembrava-se onde estava o baú com as armas - moveu-se, vendo que Niume já fazia a parte dela.
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Re: Introdução: Deuses e Homens

Mensagem por 25Slash7 em Qui Fev 09 2012, 23:31

- O que você acha, Ancião?

- Voz dos Antigos...

O Ancião cruzou os braços por sobre o peito e começou a andar de um lado para o outro.

- Você sabe que não podemos detê-lo caso ele resolva seguir o seu caminho em busca de Rametheus.

- Maldição...

O jovem magistrado suspirou pesadamente. Ali, escondidos pela privacidade da residência do Ancião, ambos pareciam prever o que estaria vindo.

- O que faremos? O Guardião poderá morrer, velho.

- Mm...

Desta vez foi a vez do Ancião dar um suspiro carregando de frustração. Mantinha aquele expressão séria, pesada. Os dedos largos e calejados seguravam o queixo, enquanto seus olhos negros e vazios encaravam o chão.

- Talvez este seja o papel dele.

- Droga, velho! - Ledaal desferiu um golpe contra a parede - Eu sabia que você diria isto.

O Ancião balançou a cabeça.

- Esteja preparado.

___

Voz dos Antigos parecia maravilhado com a espada em suas mãos. Suas garras negras e afiadas se adequavam a ela como se houvesse sido forjada unicamente e exclusivamente para ele. Empunhá-la era como um ato majestoso, onde a energia fria e sem vida que ele emitia, tornava-se mais e mais intensa.

Para trás, ele deixava um rastro de pegadas monocromática, como se estivesse a repelir toda a vida, todo o ardor que o mundo carregava em sua essência.

Três soldados colocaram-se a sua frente. Entre eles, um dos guardiões da entrada que havia tanto dificuldade a vida de Alfadur.

- Senhor! Entregue sua arma!

O urso pareceu curioso. Inclinou um pouco a cabeça para o lado, como se quisésse ouvi-los ou entendê-los melhor.

- Senhor! Sua arma!!

Era óbvio que ele não entregaria. Com a espada em uma mão e o martelo na outra, a criatura, mais uma vez, esboçou uma expressão que assemelhava a um sádico sorriso humano.

___

Krosis...
Krosis...
Krosis...


- Eles clamam por palavras que sequer entendem.

Legião. Era como poderiam ser chamados. Pois eram muitos. Criaturas distorcidas, cujos corpos haviam sido maculados pela mais densas sombras de Malfeas. Forjada em ácido e moldada em dor. Legião. Pois eram muitos.

Criaturas humanoídes, cuja formas deformadas relembravam demônios. A pele enegrecida, os olhos amarelados. Criaturas musculosas, algumas mais esguias, mas não menos atléticas. Todas aterradoras.

A frente o único destaque. O homem, cujos olhos eram ocultos por uma assustadora máscara, parecia encarar aquele cenário de conflito eminente, mas sem tomar qualquer posição.

A frente deles estava o Mestre de Armas Fal Grey. Destemido, o guerreiro sabia que seria incapaz de lutar em mais de uma frente de batalha ao mesmo tempo. Sentia, também, o perigo do recém chegado e decidiu, deste jeito, deixar a retaguarda para os outros.

Voz dos Antigos não era o seu maior problema naquele momento.

___

Artheus, ou, o Guardião Esmeralda, foi jogado para trás como um brinquedo é colocado de lado. Ele não possuia força, não possuia qualquer poder para impedir aquilo. Viu o seu cajado cair no chão, com a luz verde mais enfraquecida, como se houvesse sido tomada pela violência de Voz.

A criança ergueu-se e pareceu não entender o que acontecia. Olhou a volta, ficou observando os dois e depois olhou em direção à entrada, onde a Legião estava perfilada. Os demônios nada faziam, mas a sua mera presença foi o suficiente para quebrar algo dentro do pequeno.

- Não! Não! Não! Não faça isso!

E precipitou-se na direção de Alfadur, tentando impedir que ele acertasse o selo com sua arma e sua essência.

___

- AAAAAAAAAAHHH!

O servo gritou quando Niume a puxou pelo ombro e a fez ficar de pé.

- Niume! Niume!

Medo. Sentia o medo tão intenso naquele servo. O medo em sua carga que apenas alguém trazido dos confins do mundo seria capaz de sentir.

Balançou o rosto em um misto de sim e não e então saiu correndo. Talvez... talvez atenderia ao pedido. Talvez ela teria chance de fazer o que Niume pedia.

Era difícil falar. Voz dos Antigos. A Legião...

___

- Ó tu que trilhas o caminho das profundezas. Ó sangue do meu sangue, que ergue-se às glórias dos elementais. Mela, Divindade Elemental, Deva Primordial, Guardião do Norte. Ouve o chamado do teu filho.

E o Ancião passava a frente das duas garotas (Nimue e Charlie).

- Busquem suas armas, mantenham-se unidas... não sei o que pretendem fazer, mas... saiam daqui. Agora.

O velho tinha um arco em sua mão. Seu arco era enorme, alcançando alguma coisa em torno de 1.80 de altura. Talhado em uma madeira esbranquiçada e adornado por tonalidades prateadas, tinha um fio que assemelhava-se a escuridão.

___

O primeiro soldado veio. Disparou na direção de Voz dos Antigos, erguendo o bastão contra ele e desferindo um hábil golpe de cima para baixo.

Voz dos Antigos resumiu-se a bater com o pé no chão e, ao fazê-lo, os elementais do vento se contorceram em terror, fazendo erguer uma estaca de gelo de dentro do chão, atravessando a mandíbula do guarda antes que ele fosse capaz de sequer chegar perto. Gotas de carmim pingavam sobre o solo branco, enquanto o defensor agonizava a sua morte.

Em seguida foi a vez do impertinente guardião. Ele girou o bastão e avançou. Mais uma vez a criatura bateu com o pé sobre o chão, fazendo com que uma nova estaca de gelo se erguesse.

O defensor recuou um passo, girou no próprio eixo e desferiu um golpe lateral na direção do focinho do Urso. Contudo, antes que o ataque efetivamente o acertasse, algo mudou...

O tempo, para Voz dos Antigos, tornou-se vagaroso. A criatura, e todo o seu maciço porte, deram um passo para trás, deixou o golpe passar em vão e, logo em seguida, bateu com o martelo em direção a cara do defensor. Não uma, duas, três ou quatro vezes. Mas uma dezena de vezes em alguns meros segundos.

Quando terminou, tudo o que restou foi uma massa disforme de sangues, dentes e miolos espalhados. O segundo guarda havia morrido, restando apenas um.

__

E foi naquele instante que Ledaal Sora ergueu as mãos ao céu. As nuvens se fechavam e a eletricidade estática estava no ar.

O Ancião tensionou a corda de escuridão.

- Vão. Nós o atrasaremos.

A aquela altura, as pessoas dispersavam-se, corriam desesperadas. nenhuma ousou ir em direção a entrada da cidade.

___

- NÃÃO!

E o golpe contra o selo irradiou uma luz esverdeada. Pouco a pouco o selo começou a se rachar e, de suas frestras, aquela luz tornava-se mais intensa, mais forte.

Alfadur e Vaan sentiram um terror indescritível tomar os seus corpos, como se fossem dois animais pequenos diantes de um leão faminto.

A voz em suas mentes pareceu parar de gritar. Mas a sensação de urgência continuava.

O selo continuou a se quebrar até revelar o que parecia ser uma passagem, um buraco.

De longe, eles viam que o Ancião e Ledaal Sora enfrentavam Voz dos Antigos.

O Ancião saltava de um lado para o outro, girava, rolava e disparava flechas de sombras contra voz dos Antigos, que ora quebrava, ora desviava dos disparos. Ao mesmo tempo, Sora surgia e reaparecia, como se fosse o próprio trovão. Desferia golpes com a espada, enquanto raios caiam do céu e acertavam Voz dos Antigos, que parecia não se abalar. A aquela altura, Sora já havia recebido ao menos 5 cortes da lâmina de Voz dos Antigos.

Artheus chorava. Ajoelhado, ao lado do buraco recém formado, ele chorava. Ao seu lado, o seu cajado e a luz esverdeada.

__

A criatura mascarada sorriu. Um sorriso gentil. Um sorriso sem qualquer sentimento.

- Rehvakiin.

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Re: Introdução: Deuses e Homens

Mensagem por Dønø_da_Wyrm em Sex Fev 10 2012, 11:09

Será que ele tomou a decisão certa? Que tipo de criatura era aquela que fazia sua alma estremecer e seu corpo paralizar com sua presença? Estaria Alfadur libertando mais um monstro? Os problemas daquela gente pareciam só aumentarem. O grande urso com sua espada manipuladora do Tempo desejando um encontro com alguém que Alfadur não conhecia, ameaçava a todos e agora feria mortalmente os pobres milicianos que guardavam a cidade com muita boa vontade e nenhuma experiência relevante em combate. Nos portões, demônios surgiam aos montes trazendo a morte para aquelas pessoas aparentemente sem um motivo lógico de estarem ali. E agora, O golpe de Alfadur contra aquele selo parecia libertar alguem que... talvez... não devesse ser liberto...

" - DIGA! Quem é este que está vindo? Ou esperará que todos morram? Se você se importa com estas pessoas, fale o que é preciso para impedir suas mortes!"

Bradou contra o Guardião Esmeralda, nome tão pomposo para alguém que agora não parecia mais do que um fedelho criado a leite com pêra. Ora... eles provocaram tudo aquilo afinal, com aquele rito maldito, se envolvendo com criaturas de caráter duvidoso como aquele homem-urso, eles, do Ancião ao menino caído no chão, tinham que ter alguma solução, mas se não a tivessem, Alfadur ainda pensaria em algo, torcendo para que os outros engajados naquela peleza e que não estivessem se borrando... muito... conseguissem algum êxito em outras idéias.

Alfadur não esperaria que Artheus o respondesse e o brilho, agora mais tênue, do cajado chamou-lhe a atenção. Alfadur tomou aquele cajado que parecia possuir ou receber algo compatível com o estranho Poder que empregnava sua alma, a Essência. Alfadur não tinha a menor habilidade com rituais místicos, mas tentaria ao menos se comunicar com a criatura que tanto clamou por liberdade.

" - Quem é você que nos faz tremer? Se há alguma honra em você, proteja este povo dos algozes que os ferem! A não ser que queira competir com eles pelos corpos e almas destes pobres mortais!"

Alfadur apontara o cajado na direção do selo, não como uma tentativa de afrontar ou tentar conter o Ser que ele próprio libertara, ao contrário, jogava com as palavras de modo a tentar instigar tal pessoa a combater ao lado deles e enfrentar os males que assolavam aquela multidão. Dali Alfadur chegaria a ver breves instantes da luta desproporcional entre Voz dos Antigos e os sentinelas. Também era parcialmente possível a ele ver e sentir a presença malígna dos demônios que cercavam a cidade sob o comando do misterioso indivíduo mascarado.

Muitas coisas aconteciam ao mesmo tempo e Alfadur não poderia fazer mais além de desejar que todos os outros, desde o homem e a mulher que se levantaram contra aquele altar, à dupla formada pelo grandalhão de origem nobre e seu pupilo andrógino e, claro, sua estimada confidente Niume, conseguissem êxito em seus planos mediante tamanho caos que se formava. Caso o servo de Alfadur possuisse ainda alguma sanidade para obedecer as ordens de Niume, este correria para o acampamento da comitiva onde a maior parte dos soldados estaria acampada antes do início do ritual, embora fosse provável que estes, bem teinados como eram, já estivessem a postos com suas armas em mãos prontos para enfrentarem a orda de demônios ao lado dos milicianos locais e dos homens de Hector.

(Obs: Os soldados do Alfadur nao entregaram as armas pros guardas da cidade. Eles fizeram revezamento. Quem fosse entrar em Haafingar revezaria com quem fosse ficar no acampamento além dos portões da cidade, então, acho que eles já estariam prontos para tentar conter os invasores. São apenas 10 soldados, mas são preparados pra combate massivo com táticas militares e tudo mais. Já os outros servos da comitiva que não são soldados devem estar desesperados correndo por aí ou num canto qualquer deixando a cueca cheia. rs)
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Re: Introdução: Deuses e Homens

Mensagem por 25Slash7 em Sex Fev 10 2012, 13:11

E Alfadur apontou o cajado em direção ao selo e, ao fazê-lo, um raio esverdeado saiu de dentro do buraco. A linha, que no início era fina, gradativamente começou a expandir e em uma questão de segundos teria tomado toda Haafingar.

Curiosamente, nem todos eram capazes de ver. Apenas alguns poucos (os pcs, todos vêem).
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Re: Introdução: Deuses e Homens

Mensagem por Sarx em Sex Fev 10 2012, 17:42

Hector fazia o máximo possível - e, por máximo possível, refiro-me aqui a um esforço hérculeo de força de vontade - para ignorar tudo a sua volta, para ignorar as atitudes de Voz dos Antigos, que violavam um de seus princípios básicos de existência. Ignorava tudo, ignorava o caos, ignorava os assassinatos e as palavras. Ignorava-os, por que tinha algo maior em mãos. Algo mais perigoso. Algo ainda mais danoso do que o urso gigante e filho da puta poderia ser: um maldito exército de monstros e aberrações, parado na entrada da cidade, como se estivesse a esperar alguma coisa.

"Diabos", ele pensava. "Se tiver sorte, eles podem acabar matando a bola de pelos também...".

Quando, por fim, a grande montanha que era Hector surgiu por trás de Fal Grey, parando logo a seu lado e apertando o ombro do antigo mestre, Hector estava desesperado. Sentia vontade de jogar-se ao chão, sentia vontade de chorar. Que chance tinham eles contra tão enorme legião de bestas? Mas não o fez. Era um nortenho, um filho da montanha, e seu sangue corria gélido e pedroso como os picos do Monte Vermelho onde nascera. Era um homem do norte, e o desespero, o ódio e o medo, congelavam em seu peito, jamais lhes sendo permitida a chance de ganhar a forma de lágrimas... E seu rosto, e sua barba, e sua postura, era digna do senhor que seu pai sempre tentara lhe transformar.

"Há apenas um Deus", ele lembrou-se das palavras de Fal Grey. " - Um Deus que reina acima de todos os outros. E seu nome é morte. E só há uma coisa que você diz ao Deus das negras padarias: hoje não."

Dirigiu-se diretamente ao homem mascarado, que parecia liderar o grupo, as mãos grandes fechando-se sobre si mesma, buscando o martelo do qual sentiam falta. Olhava nos olhos da morte, quando falou. - O que buscam os senhores? - bradou, em seu tom de granito. - Não há espaço para monstros nestas terras. Já temos o suficiente dos nossos. - e sorriu, ligeiramente jocoso, indicando Voz dos Antigos por cima dos ombros.

Quando a luz verde encobriu a cidade, Hector manteve-se firme, e não demonstrou reação maior do que um leve franzir de sobrancelhas. Aquilo era estranho? Sim. Lhe incomodava? Sim. Queria investigar? Sim. Mas um homem precisava mostrar-se duro. Inabalável como a montanha.
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Re: Introdução: Deuses e Homens

Mensagem por Rosenrot em Dom Fev 12 2012, 20:41

Charlie não teve muitas dificuldades para reunir os homens da guarda de Hector, e usou dois deles para levar o Martelo do homem até ele, também redistribuiu as armas, retirando-as do baú, assim como as suas próprias. Os mandou na frente, ficou para desfazer as amarras nos pulsos e juntar a adaga mais uma vez.

Levou, calmamente o arco às costas, autista como era às vezes, ausente do mundo à sua volta. Por último, pegou a katana, retirou-a da bainha por um instante, observando a lâmina, seus desenhos, seu designer e suas formas, voltou-a e se levantou.

Moveu-se, segurando a espada numa das mãos, sem urgência, e tão ausente de expressões como costumava ficar em seus pequenos delírios psicóticos. Parou ao lado de Hector, observando as criaturas, e focou-se claro, no sujeito sorridente, aquele sorriso sem sentimento algum, sem nenhum valor. Não falou nada, afinal, Hector o estava fazendo. Charlie apenas segurou a espada um pouco mais forte, e sorriu de volta para o homem mascarado.

– Qual é o plano? – Questionou baixo, para seus companheiros.
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Re: Introdução: Deuses e Homens

Mensagem por Valkyrja em Seg Fev 13 2012, 19:12

Todo o medo do mundo pareceu tomar conta de Vaan naquele pequeno instante, naquele rachar entre os dois mundos, naquele movimento que antes era tão insignificante quanto tocar a superfície de um espelho. Vaan sentiu o mundo parar, com seus cabelos adquirindo uma velocidade reduzida, enquanto jogados de um lado para o outro pelo vento forte que trazia o cheiro podre de Malfeas.

Vaan engoliu em seco ao sentir aquele cheiro que lhe trazia lembranças de todas as épocas de sua vida. Seus pensamentos estavam embaralhados diante do terror e das sensações que o quebrar daquele selo lhe trazia, tanto que via apenas desfocada a luta entre seus companheiros e a Voz dos Antigos. Caiu de costas e se arrastou para longe da criatura, para próxima do garoto. Olhava sem desviar sua atenção daquele homem, daquela máscara sem qualquer resquício de sentimento ou expressão. Ela olhou Alfadur e lentamente se levantou ao ver os raios tímidos indo em direção ao imenso buraco. Respirando fundo e olhando a figura sem rosto que saíra do selo, Vaan deu um passo na direção do mesmo e deu uma espiada. A que este pequeno fio estava atado? Seria aquele o famoso fio do destino, que todos os seres são ligados? Ela olhou em volta e via aquela tênue rede de seda esverdeada. Virou-se par a criatura, e mesmo tremendo de medo, conseguiu balbuciar algumas palavras. Estava acostumada a lidar com demônios:

- Você é a força que atende por Meyye? Por que ecoou nas nossas mentes? – ela olhou o urso digladiando contra Sora e o ancião.

- O que espera de nós? O Urso procura por Rametheus e ameaça matar a todos para achá-lo... – ela encarou a figura, mesmo que não pudesse ver seus olhos. – Novamente, o que espera de nós? O que pode fazer por nós?
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Re: Introdução: Deuses e Homens

Mensagem por Niume em Ter Fev 14 2012, 21:45

Niume esperou da criatura andrógena um gesto positivo para continuarem o ataque estava em andamento, mas a jovem, ou seja la o que fosse, optou por seguir as ordens do homem alto, o que foi o oposto do que a jovem tinha esperado como uma reação. Neste caso, restou a Niume a mesma mudança de direção. Não ia chamar os guardas, já tinha mandado que o servo fizesse isso, mas precisava de sua espada, já que o pequeno punhal nada resolvia naquela situação. Sozinha, ela não se arriscaria a enfrentar o urso. Era corajosa, mas não era burra. Era cedo demais para um suicídio.

Não queria ter que se afastar dali e correr o risco de não encontrar nada quando voltasse, mas desarmada de nada adiantaria manter os olhos nos vivos e ser assombrada pelos mortos. A jovem correu, o mais rápido que pode, como se perseguisse uma presa por entre as arvores, sem tempo para reparar muito no que acontecia a sua volta com os outros visitantes. Viu apenas que Charlie correu para a direção da entrada para cumprir ordens e Niume seguiu quase a mesma direção, mas para o acampamento dos guardas de Alfadur.

Ali, os monstros guiados pelo mascarado e todos os guardas, seus ou não, já estavam em conflito. Ela parou por um segundo, procurando uma rota menos visível ate as armas e quando a encontrou, esgueirou-se silenciosa como um gato. Ela agachou-se perto do baú onde tinham guardado as armas, pegou a espada de Alfadur e a prendeu junto ao cinto, depois pegou a própria espada e a segurou firme entre os dedos, tirando-a da bainha. Ao erguer os olhos, ela pensou em lutar com os guardas contra os mascarados ali, pareciam precisar de ajuda tanto quanto os outros na praça, talvez não tivessem a menor chance. Talvez, o melhor fosse dar um jeito de escapar, mas.. Não, ela não ia fugir.

No instante em que se levantou, o céu foi cortado por um clarão verde vindo da praça onde estava antes e só conseguiu pensar em Alfadur. Ela correu de volta naquela direção, segurando a espada de lamina livre na mão direita, o mais rapido que podia. Ao chegar la e vislumbrar o feixe verde sobre o buraco onde o homem tinha enfiado o cajado, Niume sentiu as pernas tremerem e o estomago rodou, como se tivesse levado um soco. Ela sentiu, pela primeira vez ali, medo. E precisou respirar bem fundo para conseguir levar os pés ate Alfadur e parar ao lado dele, com a lamina estendendo-se a frente do corpo.

-Por favor, me diga que tem um plano...
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Re: Introdução: Deuses e Homens

Mensagem por 25Slash7 em Ter Fev 14 2012, 22:01


Naquela noite tempestuosa, duas almas partidas encaravam-se diante de um cenário distante e improvável. Cercado por uma relva enegrecida e sob um céu cinza e trovejante, os dois se encaravam.

De um lado, havia a última chama de liberdade que restava nos reinos do Leste. Sobre cavalos, a Rainha Bastarda desafiava o algoz das profundezas, carregando consigo apenas o ímpeto e a fé de 100 mil homens livres. Homens cansados e enfraquecidos pela longa batalha que travavam no leste.

Do outro lado, o Senhor do Vazio Ensandecido trazia consigo uma horda de demônios do além mundo, para além da Criação. Em seu encalço, um mil behemoths marchavam e arrastavam-se sobre a terra. E marchavam, porque desde que o Devorador dos Mundos havia sido libertado, toda a estabilidade da Criação havia estremecida. A realidade deparava-se com falhas constantes. Falhas grandes o suficiente para que aqueles do Além Mundo marchassem.

Naquela noite cinzenta, Niume e Alfadur se enfrentariam pela última vez. Pois estava escrito nas estrelas, que Alfadur mataria Niume e, quando o fizesse, ele teria para si a sua consciência. E quando se tornasse consciente, ele mataria a si própria, jogando sobre todo o leste uma maldição de caos e dor.




Observava. Aquela cena soava como um enorme dejavu aos olhos do executor. Quando o Devorador de Almas lhe acolheu sob as suas asas, tudo pareceu simples, claro. Sabia o que deveria fazer.

E fez.

Aquele dia era nada além do que o gran finale. O resultado de uma caçada implacável e agressiva contra a dinastia Hrotgar. A Serpente de Gelo, conhecida pela traição cometida contra seus protetores, havia estabelecido uma rede de intrigas e decepções, que levou ao enfraquecimento da Casa Hrotgar.

Suas mãos ficaram banhadas em sangue e, às suas costas, tantas vidas haviam sido perdidas que fariam os mais ardis conspiradores do Reino sentirem-se envergonhado.

Os Hrotgar haviam falhados. Enganados por uma criança, seu nome retirado da história e sua linhagem exterminada.

Naquele dia, restava apenas um...

E até o final do dia, não restaria mais. Porque estava escrito nas estrelas, que o Último Guardião dos Homens, Hector Hrotgar, teria sua cabeça arrancada e colocada em um espeto, após a Serpente de Gelo, ou Charlie, como foi chamada antes de adotar a proteção do Devorador, degolá-lo.




Diante de um trono negro, o Cavaleiro prostrava-se. Seus dedos calejados pelo manejo da espada, seu olhar sombrio e pesado como apenas alguém que havia visto o fim do próprio mundo, seria capaz de possuir.

À sua frente, a lança de lâmina enegrecida, símbolo dos mais leais homens ao Rei dos Antigos.

O cavaleiro baixou a cabeça e ergueu-se e, quando o fez, revelou o símbolo inconfundível de sua natureza, de sua identidade. Presa à sua cintura, estava a cabeça de sua amada irmã. Uma lembrança de quando sua escuridão havia coberto a sua razão e nada restou além dele e seus demônios.

Os dedos de pontas enegrecidas, afagaram o cabelo sem vida, enquanto os lábios retorcidos e magros, sussurraram alguma coisa em uma língua qualquer.

E então a Lâmina Sombria marchou junto de suas Lâminas, levando consigo estandartes de blasfêmia e destruição. Pois estava escrito nas estrelas, que antes que o Devorador de Mundos consumisse a Criação, os Servos do Rei dos Antigos, liderados por Alexander Lâmina Sombria, causaria a morte de 8 em cada 10 homens. E que a batalha final, apenas aconteceria quando toda a vida houvesse sido extinta.




E Vaan observava, da mais alta torre do Reino Celestial, em Yu Shan, quando o Devorador de Mundos consumiu o Destino de todos os seres e criaturas.

Ela já havia entregue a sua visão para que pudesse ver além da carne. Ela já havia entregue a sua alma em troca da força necessária para lutar.

Agora, tudo o que restava era a imagem da sua vergonha. Enquanto a Criação era consumida por homens e demônios, o Devorador avançava para o coração de Yu Shan. Os deuses estavam mortos e nada mais restava. O Dragão que Vive entre o Eterno e o Agora teria sua escuridão.

Lamentaria. Mas não houve tempo. Pois estava escrito nas estrelas, que a mão demoníaca de Vaan lhe sufocaria e tiraria a vida, para que morresse como qualquer outro mortal.

Sem um destino.




(TODOS viram TODOS os destinos)

A sensação de impotência tomava todos. Não era como se estivessem enfrentando um exército de homens, como se fossem capazes de fazer qualquer coisa naquela situação.

Em um instante, Charlie e Hector encaravam a criatura mascarada. Vaan gritava por respostas. Niume sentia, pela primeira vez, uma sensação tão humana e real: sentia medo.

Um novo brilho esverdeado e então tudo sumiu.

- Meyye...

A voz agora sussurrou. Baixa, contida. Acima de cada, um céu cinzento e sombrio, coberto por estrelas (as estrelas dos mortos). No ápice, a imagem distorcida de um céu esmeralda.

A frente de cada um, havia a imagem decrépita de um homem ou uma mulher (escolham). Às costas desta imagem decrépita, erguia-se imponente a imagem de uma entidade (descrevam. A entidade pode ser um demônio, um animal fantástico ou uma figura humana com traços de divindade. A imagem sempre terá traços demoníacos ou angelicais).

"Teus destinos..."

"Os destinos..."

"Nossos destinos..."

"Cortem..."

"Teus destinos..."

"Matem-nos..."

"Nossos destinos..."

"Presos estamos..."

"No tempo dos destinos..."

"Liberte-nos..."

"E libertem-se..."

"De seus destinos..."

"Nossos destinos..."

"Teus destinos..."

"Pois está escrito..."

"Em nossos destinos..."

"Que vivos..."

"Matem-nos..."

"Somos o flagelo do mundo..."

"Teus destinos..."

"Libertem-se..."

"Salvem-nos..."

"Salvem-se..."

"Antes que o destino..."

"Teus destinos..."

"Nossos destinos..."

"Os consumam..."

"Nos consumam..."

"Liberte-se".

Um emaranhado de vozes tomava a cabeça de cada um. As figuras decrépitas ainda pareciam ter o esplendor de outrora, como se carregassem os resquicios de uma divindade esquecidas.

Seus corpos eram desprovidos de cor e, por alguma razão, cada um sentia em seu íntimo, que eles estavam ali e não estavam ao mesmo tempo. Sabiam que parte deles deveria estar presa no fluxo do tempo.
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Re: Introdução: Deuses e Homens

Mensagem por Sarx em Ter Fev 14 2012, 23:08

Fosse perguntado depois, Hector Hrothgar diria lembrar-se de estar alí, frente a um exército de aberrações, coração na garganta. Diria lembrar-se de Charlie e de Fal Grey, e dos seus seis homens de confiança, os seis homens da guarda, parando ao seu lado e as suas costas. Homens fiéis. Homens juramentados. Homens que tremiam, mas homens preparados para morrer por seu senhor. Diria lembrar-se do peso do martelo nas mãos, e de uma prece que fez em sua mente.

Do resto, não comentaria. Não com qualquer um, pelo menos.

Mas, realmente, ele nunca fora um Senhor, fora? Tinha uma fortaleza, tinha homens prontos a morrer por sua palavra. Tinha um pequeno protegido, de nome Charlie. Tinha um título. Tinha o sangue dos gigantes. Tinha um martelo. Mas nunca fora um senhor. Faltava-lhe... alguma coisa.

Quando as visões apareceram, quando Hector viu o que ele imaginava ser o destino de todos alí, destinos negros, de dor e tristeza, algo nele pareceu, estranhamente, parar de funcionar, ao menos temporariamente. O desespero deixou-lhe a mente, e o coração desceu-lhe da garganta, voltando a seu lugar de direito. Não havia mais surpresa em seus olhos. Tantas coisas... Tantas coisas haviam acontecido. Não existia mais como se surpreender, diante daquele emaranhado de coincidências.

Assistiu então, impassível, o destino negro que os aguardava, um por um. Não tremeu. Não olhou para os lados. De que adiantava resistir, quando não lhes era dada nenhuma ação, nenhuma solução? Eram humanos. Pequenos humanos em frente a uma trama muito, muito maior.

E, afinal de contas, ele nunca havia sido, realmente, um Senhor.

Quando as visões se foram, Hector teve um breve momento de liberdade, no qual olhou em volta, antes das novas figuras aparecerem, e seus olhos serem tragados de volta para a própria.

Primeiro, notou, ajoelhado a sua frente, uma estranha criatura. Era alta, mas era magra, doentiamente magra... E estava ferido. Sangrava. Sangrava de um profundo corte na garganta. Tinha os olhos negros e cansados. Um deles chorava lágrimas do mais puro ébano, e Hector percebeu que aquelas eram as lágrimas que chorava por uma família da qual nunca fizera parte, as lágrimas que chorava pelas defesas que haviam se imposto, pelo distanciamento que havia criado, pelas tentativas que nunca havia feito. Eram lágrimas de incompreensão, de desistência e de ódio. E o outro olho cansado e velho chorava lágrimas tão rubras como sangue derramado, e tão quentes, que pareciam sotlar vapor frente ao clima gélido de Haafingar. Aquelas eram as lágrimas, Hector percebeu, que o homem a sua frente chorava por tudo que poderia ter sido. Pelo amor por um pupilo que o traira - um pupilo contra o qual não ousara erguer a mão, mesmo quando este lhe buscava o pescoço. Pela passividade frente aos designios dos Deuses e dos espíritos. As lágrimas vermelhas eram lágrimas de emoções não concretizadas, de arrependimentos que, não frios como os negros, eram quentes e ferozes, turbulentos. Lágrimas de ações das quais não se arrependiam. As lágrimas vermelhas não eram apenas tristes - eram lágrimas de alegria e tristeza, de calor e emoção. Eram lágrimas fortes. De joelhos a sua frente, Hector viu que, quem chorava, era uma Montanha. Se negra, se vermelha ou sem cor, ele não sabia - só sabia que, o que manchava as roupas da criatura decrépita, eram as lágrimas da Montanha.

E então, atrás dela, surgiu uma figura gélida e incandescente em sua ausência de calor. Imponente como nenhuma outra havia sido, como nunca antes havia visto. Era o maior homem que Hector já vira - era muito maior até mesmo que Voz dos Antigos, ele imaginou, ainda que não soubesse se era uma altura real, ou concedida por sua imaginação. A figura de olhar severo vestia um manto negro, vermelho e branco. Negro como a noite, vermelho como o sangue, branco como o gelo, e em seus olhos ausentes de emoção havia apenas o desprezo. Desprezo por ele. Desprezo pela criatura moribunda caída entre os dois. Se era anjo ou demônio, Hector não parou para pensar - era imponente como um Deus entre homens, um Deus verdadeiro, não um falso Deus do Calor e Das Coisas Que Se Aquecem, não um falso Deus com sangue de Dragão - imponente como um Deus deveria ser, e parecia irradiar uma luz pálida e violenta... Mas seus olhos... Seus olhos eram terríveis. Eram olhos de dor e morte. Hector notou que aqueles olhos eram olhos capazes de destruir existências, e que aquelas mãos, aquelas mãos tão grandes, que provavelmente eram capazes de lhe esmagar o crânios em esforço, já haviam feito viúvas e orfãos, e já havia sido a ruína do coração de mães e dos corpos de bebês. Notou que o homem vestia uma coroa - mas ela, ainda que bonita e purava, parecia vermelha, pois pingava de sangue recém derramado.

E então, ele compreendeu, como que em uma epifânia, tudo que havia compreendido, mas não ainda entedido. A figura ajoelhada a sua frente, a figura decrépita, era ele! E o homem, o homem divino e maldito, belo e terrível, era o primeiro dos Hrothgar, o primeiro gigante que dera origem aos com o Sangue da Montanha, a lenda encarnada, os mitos tomados forma! Hector voltou a vida, como que de súbito, ouvindo as palavras que nasciam de todos os lados, as preces. E ele riu. Riu alto, gargalhou, quase histérico, como um homem que ri de si mesmo e de tudo a sua volta - riu como um homem que, enfim, conhecia a verdade. E, quando ele o fez, a criatura decrépita a sua frente parou de chorar, erguendo os olhos renovados de esperança, como se olhasse para um infante que nascia, para a criatura que a ele poderia salvar. E o gigantesco homem-gigante sorriu também, um sorriso de dentes afiados e quadrados, feitos para rasgar carne e esmagar osso - um sorriso que, se de orgulho ou escárnio, Hector nunca saberia.

E alí, Hector Hrothgar, o Montanha Negra, firmou o martelo em seus dedos, o som das vozes ainda ecoando em sua mente. Não via os outros - via-os de relance, via-os em volta, sentia que eles também experimentavam suas epifânias, suas descobertas.. Mas era pessoal. Eles teriam as deles, e fariam o que achassem que deviam fazer. Ele tinha a dele, e faria, como sempre, o que achava que tinha que fazer.

"Liberte-se", ecoou em sua mente mais uma vez, conforme ele rugia e avançava, brandindo o martelo em frente, disposto a demolir, nem que fosse com seu último esforço, os espectros a sua frente.

O futuro não existia. Ele o faria.
O passado não importava. Estava vivo dentro dele.

Era livre como nunca fora.

E os Hrothgar caíram, sim. Mas não pela mão de Charlie, não apenas. Caíram pela mão da Montanha Negra. O Sangue da Montanha lavaria o chão do norte, pois não havia rei, se não o primeiro rei, da coroa sangrenta. Pois o mundo dos homens ameaçava cair, e era ele, Hector Hrothgar, a avalanche que soterraria os inimigos.

Mas precisava da sua coroa. Precisava da coroa lhe haviam roubado.




O Rei da Coroa Ensanguentada (base).
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Re: Introdução: Deuses e Homens

Mensagem por Niume em Qua Fev 15 2012, 00:10

O céu clareou-se com relâmpagos de uma tempestade, rasgando o céu negro com clarões e iluminando o cenário abaixo dele tanto quanto antes, o brilho esverdeado os tinha iluminado. O que Niume via agora não era mais a praça de antes, nem mesmo parecia o tempo de antes. Era outro lugar, uma outra vida... Alfadur estava a sua frente e se encaravam como inimigos. De um lado ela, o elo humano perdido entre as mutações. Do outro lado ele, o algoz que finalmente tinha sido tomado por aquilo que mais odiava. Por dentro, ela morria cada vez que o ódio pulsava. Estava perdida entre a realidade e a imaginação, a vida e o sonho, ou, talvez fosse o contrario, não sabia dizer. Só sabia que naquele momento, ela tremia. Naquele instante, ela queria que fosse um sonho. Viu ele, aquele que amava como pai, irmão, amigo, homem, filho.. tirando a sua vida. Se era real ou não, não podia dizer, mas a dor foi real, as lagrimas que brotaram nos olhos eram tão reais que podia senti-las quentes rolando pela face. O grito entalou-se na garganta, sufocada pelo que via... Muito além de caos.
A dor ainda estava ali, o choque da assustadora visão. Demorou vários segundos para ver que agora, diante de seus olhos ainda vivos, não era mais a sua morte que via, não era mais o seu destino. Eram todos. Viu a estranha garota matar o grande homem, viu um líder de um exercito sombrio, viu a mulher antes ao lado de Alfadur, agora dando muito mais do que tinha. Se aquilo não era real, se era um pressagio, não podia deixar que se tornasse real.

Aquelas visões a sufocaram, a sensação de impotência dominando seu ser naturalmente livre. Aprisionando-a, prendendo-a ao chão com algemas de ferro negro. Parecia ter um enorme peso nos ombros, que a forçava em direção ao chão como se sussurrasse em seus ouvidos. “Renda-se.”. Não sabia se era efeito do medo tão novo em seus poros ou se todos sentiam-se tão incapazes quanto ela, naquele momento, só tinha certeza de uma coisa. Não sabia de absolutamente nada.

Um novo brilho esverdeado cegou-lhe os olhos úmidos e tudo então, sumiu. A voz tornou a ecoar em sua mente, agora um sussurrou baixo e contido. Ela levou as mãos aos olhos, esfregando-os com força e quando tornou a abri-los, arregalaram-se com a mulher ali parada a sua frente. Ela não estava ali antes, nem mesmo sabia se realmente estava ali naquele momento. Não era a única, haviam outros, mas os olhos de Niume eram apenas dela. Não conseguia desvia-los.

A mulher estava deitada no chão, levemente curvada. Os cabelos negros e soltos tampavam-lhe a face e usava o que restava de um vestido branco e esfarrapado. As pernas e braços a mostra estavam arranhadas, cheias de cortes que sangravam finos filetes de um liquido negro e viscoso que Niume imaginou ser sangue. O mesmo liquido lhe manchava varias partes do tecido rasgado do vestido, sendo uma mancha maior no estomago. A mao fraca e tremula, suja de sangue e terra, apertava-se ao chão, puxando a terra enquanto tentava alcançar a espada, com um lobo entalhado na ponta, logo a frente. Niume a tinha olhado como uma mulher qualquer, ouvido os suspiros de dor e choro, ouvido a respiração forte e forçada a cada cm que forçava o braço e levou vários instantes acompanhando-a ate notar que a espada que ela tentava buscar, era a mesma que segurava nas mãos. A mulher no chão, era ela. A Niume que morria a cada segundo, sem conseguir mais lutar. A Niume que desejava morrer, livrar-se da dor da traição.. Aquela Niume e ela própria, eram apenas uma. Passado e futuro. A mao apertou-se com tanta força ao apoio da espada que os nós dos dedos ficaram brancos.

Um instante depois, logo atrás do corpo da mulher caída, brotou algo parecido a uma chama. Tinha tons de cinza, como a outra, mas flamejava como fogo. De incio, foi uma chama pequena, que cresceu, cresceu e cresceu, ate arder como uma fogueira alta. As chamas moldaram-se lentamente, dando forma a um corpo esguio do que logo se revelou uma outra mulher. Esta, estava viva, viva como o fogo. Era alta como Niume, usava uma tira de pano escuro tampando seios e uma saia, presa entre as pernas, parecendo uma calça estufada. Na cintura, vários objetos de metal formavam um cinto, repleto de símbolos que ela não entendia. No rosto, não havia cabelos ou olhos, o mesmo tecido que tampava a parte superior do rosto, deixando apenas nariz e boca a mostra. A mulher tinha vários símbolos tatuados pelo corpo, que percorriam a barriga, ombros, braços, mãos, rosto e pescoço, de uma cor chapada que ela só pode imaginar sendo o negro. Na mao direita, segurava uma lança com cabo de madeira, a outra, foi estendida na direção de Niume, alta demais para se referir a mulher caída no chão. A jovem deu um passo para trás com aquele gesto e tornou a olhar a mulher junto a face.

A estranha figura tinha nos lábios um sorriso irônico, atrevido e malicioso. Não via seus olhos, mas tinha certeza de que a mulher a olhava, a observava em cada movimento, sentia ate mesmo os pelos da nuca se arrepiarem.

“Salve-se.”

Não a viu mover os lábios, não sabia dizer com o que a voz dela se parecia, mas sabia que a voz era dela. Entao, na mão estendida, outra chama brotou, flamejando com mais intensidade, envolvendo quase todo o braço. Sob a palma da mão, o fogo formou a imagem de uma caveira e a mulher deu então, um passo a frente, quase pisando sobre o corpo no chão que ainda tentava alcançar a espada. O sorriso no rosto alargou-se com mais maliciosidade e mesmo sem nenhuma palavra, Niume entendia.

A mulher lhe oferecia uma chance. Uma chance de aceitar o que ela oferecia ou a chance de ser a mulher caída no chão. Ela lhe oferecia a escolha entra a vida e a morte. O poder de ser livre como nunca tinha sido, de controlar os passos do próprio destino, sem ter de se curvar a ninguem, ou de morrer como estava escrito nas estrelas, pela mão daquele em que teria confiado a própria vida.

“Liberte-se.”

Niume apertou a mão livre em punho e suspirou. Olhou de uma para a outra, a fraquesa e o poder. Se fosse forte, havia muito mais que poderia fazer, por ela, por aqueles que amava, por Alfadur. Ele nunca mais se acorrentaria a cama de novo, se ela tivesse força para mantê-lo longe das algemas. Então ela assentiu, deu um passo a frente e estendeu a mão livre na direção da mulher.



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Re: Introdução: Deuses e Homens

Mensagem por Dønø_da_Wyrm em Qua Fev 15 2012, 17:48

Ora, se não era verdade que seu golpe naquele selo acabaria por liberar uma estranha energia? O cajado do jovem parecia influenciar naqueles eventos mágicos onde ele parecia ter de controlar e aprender isto rapidamente. A "coisa" ali dentro nao fazia mais do que apenas instigar o caos em sua mente, mas... não seria Alfadur filho de um dos senhores do Caos? Aquilo era ruim, mas... no fundo, lá no fundo... ele sabia... ainda era a Criação, em sua forma ainda que um tanto distorcida, descarregando sobre ele o jugo de seus senhores. Na Wyld, o jugo era sempre imprevisível, implacável, cruel... mas ali, Alfadur ainda poderia sonhar em ser o salvador de todos. Ele sorriu, moveu o cajado brincando com aquela luz esverdeada enquanto ainda fitava o buraco a sua frente.

" - Nada diz... nada mostra, apenas a dúvida impera sobre nós. É isto que deseja? Semear o Caos mesmo sendo um Ser da Criação? Vamos ver se é tão bom nisso quanto os que eu conheci além das fronteiras do mundo! É liberdade que deseja? É liberdade que terá!"

Ergueu o cajado e mais uma vez apontou para o buraco e mais uma vez aquela luz brilhou pulsando e expandindo-se em todas as direções. À partir dali, Alfadur já não se sentia mais parte daquele Tempo, não se sentia mais parte daquele mundo... ele sabia que estava ali, mas o que via era quase tão estranho quanto as bizarrices indescritíveis que conheceu desde quando nasceu além dos confins do mundo.

Uma visão de tormento... um mundo aos pedaços, um mundo sem salvação. Estariam seus antigos senhores certos? Seria mesmo a Criação um Cancer a contaminar a imensidão da Wyld e não o contrário? Alfadur via, como se o Tempo não existisse para ele, uma história sendo contada. Uma triste história de um mundo onde os que amam se matam, onde os monstros se tornam senhores, onde os inocentes perecem. Um mundo onde os próprios deuses definham, onde os grandes Impérios caem, onde um garoto de traços androginos fere seu proprio salvador, onde um virtuoso guerreiro se torna um senhor tirano de hordas malditas, onde uma alma generosa se perde na imensidão de um paraíso celestial decaído sendo incapaz de mover-se para ajudar quem quer que fosse.

A última cena já não era mais uma simples cena... ele via a si mesmo, sentia a si mesmo, carregava a arma que um dia fora de seu senhor e pai, algo que devia ser apenas uma espada melhor que outras armas mundanas, mas que naquele momento parecia mover o mundo, mover o Tempo, mover o espaço, como a arma que o grande urso empunhava. Nada era comum, nada era previsível, sua Presença era soberana naquele resto de mundo... ele era definitivamente um Inimigo da Criação, era como seus senhores tiranos e estava a um passo da vitória. A última figura humana a sua frente o olhava sem saber o que acontecia com ele, ela via os olhos da loucura, ela sentia sua alma se despedaçar, ela chorava de dor, de tristeza, desapontada e sem esperança.

Alfadur sorriu... ah... era tão bom estar ali! Era tão bom ser aquilo, ter um mundo aos seus pés, ele mostraria a todos que era maior que os que o criaram, maior que os que sonhou defender, como se estivesse mergulhado e bebado em seu proprio orgulho, um ultimo gesto e aquela espada atravessava o ultimo humano que seus olhos viam. Seus olhos satisfeitos contemplavam a mais profunda tristeza enquanto sua alma se embebedava com a alma daquela criatura simploria. O Poder da Espada colhia o Medo daquela figura insignificante. Os olhos tristes da mulher nada valiam até que se tornassem esbranquiçados enquanto o profundo corte jorrava todo seu sangue naquele solo maldito.

Então a mulher caiu... a alma de Alfadur sofreu... sua loucura passara e naquele mundo destruído ele via morta sua maior Esperança. Niume... ele a matou, ele a fez sofrer dor, ele a fez chorar e lamentar por não te-lo ajudado a se livrar desta loucura. Seus olhos marejaram e sua mao soltou a espada que fincava no chão. Ele debruçou-se sobre o corpo inerte de Niume e seu lamento ecoou por todo aquele resto de mundo como o próprio Arrependimento que assumia uma forma de som. Maldita Consciência... o herói tornou-se um monstro, aquela que sempre amou jazia em suas mãos. O que fazer a não ser findar-se a si mesmo e unir-se àquilo que desejou defender e que agora estava morto? O mundo morria como Niume morreu em seus braços, suas mãos erguiam novamente a espada, prontas para dar fim á própria vida e aliviar sua dor. Era o outro lado da moeda... saía a loucura desmedida e sem remorso, nascia o arrependimento mais profundo e o desdejo de vingança contra si mesmo. Seria seu fim?

"... Este não sou eu... não sou um monstro... não desejo a morte do mundo, jamais feriria aqueles que amo. A Promessa é maior que a Loucura... A Esperança sempre vencerá o Medo... "

Um murmurio seco... sua consciencia, a dele, a de Niume talvez, ecoava no mais profundo vazio. Como num sonho dentro do sonho, nas profundezas de sua alma, Alfadur renascia fora do Tempo sem Tempo e a mesma espada, ora maldita, atravessava a si mesmo como quem fosse atacado pelas costas por aquele que devia de salva-lo e a sua amada protegida. Niume veria aquilo? Talvez não... eles viviam a mesma história, viviam o mesmo sonho, mas a percepção era diferente e talvez ela tivesse sua própria salvação em seu próprio Tempo sem Tempo.

" - Me perdoe Niume... me perdoe... este não sou eu, ainda que pareça ou se o for, não é o que eu desejo ser..."

O ser maldito que outrora desejou ser um algoz do mundo, que se alegrou com a dor alheia e sorriu ao sentir o sabor da alma de Niume era agora o Arrependimento que tomou forma, mas da forma certa, protegendo a que ama de si mesmo, protegendo o mundo dos sonhos malditos, findando o mal em sua mente antes que ele se tornasse real. "Cortem, matem os seus destinos, liberte-nos, salvem-nos, antes que estes destinos os consumam!" Era o que aquelas vozes diziam o tempo todo... eles tinham de lutar não apenas contra um urso gigante, contra demonios, contra seres com nomes esquisitos... eles tinham de lutar contra si mesmos para sobreviverem e prevalecerem naquele campo de batalha.

Alfadur aceitou aquele fardo, ele nao queria ser o algoz de muitos, nao queria ser o algoz dos que amava, não queria ser o algoz de Niume, era o que ele via em meio a toda aquela loucura, como se ele próprio fosse o Ser liberto e consciente que o despertara como um ser divino e brilhante cujas asas pairavam sobre todo céu iluminando aqueles que fossem afligidos pelo tormento mais profundo. Era o que ele deveria se tornar, não um monstro como seus senhores, mas um homem cuja essência resplandecia para que estes mesmos monstros e tantos outros daquele mundo fossem devidamente destituidos de qualquer poder e glória.

Era seu maior sonho afinal...
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Re: Introdução: Deuses e Homens

Mensagem por Rosenrot em Qua Fev 15 2012, 22:24

Havia uma segurança vazia em Charlie naquele momento, frente a frente sabe-se lá com o que. Algo que era difícil de encontrar em alguém tão aparentemente jovem, tão imaturo e pouco vivida, talvez. Existia em seu olhar, uma falta de temor, de qualquer tipo de hesitação. Ainda que temor houvesse, longe de seus olhos, oculto de sua expressão. Charlie acreditava que o medo existia em qualquer ser; mas que os fortes haviam aprendido a mantê-lo preso e escondido, longe de qualquer um que olhasse.
Não estava imóvel por que esperava uma ordem. Charlie não era de lutas as vistas de todos, era um assassino, matava as sombras, oculta, silenciosa e sorrateira. Aquele tipo de situação direta lhe incomodava, mas ainda sim, estava disposta a fazê-lo, porém, esperava um movimento, um primeiro passo. Estudava as criaturas à sua frente, com frieza e curiosidade. Foi quando as coisas começaram.

Aos olhos de todos, o que parecia um futuro, um destino para eles, Charlie assistiu o desfecho de Niume e Alfadur, o modo como as linhas se traçavam, os destinos fundiam-se e encontravam-se num fim, a todos os olhos – imaginava – parecia trágico. Charlie atentou-se aos detalhes, buscando traços daquela união. Estudando, querendo ao menos, entendê-los um pouco. Mas foi tudo muito rápido, antes de Charlie contemplar o próprio destino.

Por um momento, houve em Charlie algo que não se lembrava mais como sentir: houve a ânsia, um aperto no peito que não reconhecia em si. Não exatamente pela matança: nesse momento, Charlie até sorriu brevemente, apreciando a ideia, vangloriando-se da sensação. Era aquilo que desejava, não era? Aquilo que queria. Vê-los, um a um cair sob o julgo da sua espada, das suas lâminas. Poder sorver do sangue, e devorar seus corações. Charlie sentiu um prazer sádico, quase em êxtase, sentiu como nunca sentia, o sangue quente correr nas veias, em baixo da pele, chegou até mesmo a arrepiar-se diante de tudo.

Mas ainda existia aquele aperto.

Aquilo não era verdade, não podia ser verdade. Charlie jamais faria aquilo com Hector. Nunca se atreveria. Faltou-lhe ar por um momento, e Charlie apertou o cabo da espada com força, sentindo os nos dos dedos doerem.

Charlie quis virar-se, e berrar a Hector que aquilo não existia, que jamais, em momento nenhum seria capaz de alguma coisa daquelas, que ainda que fosse verdade o desejo sádico pelo sangue de sua família, a vontade de vingança e o prazer que aquela ideia lhe dava, Hector jamais fez parte daquelas vontades.
Mas Charlie não fez isso, e diante das confusões que sofria dos conturbados pensamentos e sentimentos. Das sensações tão diferentes, tão distintas que lhe invadiam e lhe deixavam, mal notou o destino de Alexander, ainda que uma coisa ou outra lhe fosse vaga, a cabeça, o modo como sussurrava, mas não se atentou tanto quanto o de Niume e Alfadur. Charlie levantou a cabeça, e à sua frente estavam as figuras.

Charlie observou o que parecia ser uma mulher: ela não tinha certeza, era tão ou mais andrógeno que si. E passou, por um momento, naquela sensação que as pessoas possivelmente tinham ao seu respeito, a curiosidade que despertava nos outros acerca de seu gênero. Mas diferente de Charlie, a mulher – ou não – à sua frente estava em frangalhos, tinha os cabelos sujos, e Charlie não sabia se de sangue seco ou apenas lama. Ainda que estivesse de pé, era possível notar sua fragilidade, sua fraqueza clara. E isso, Charlie repudiava: a fraqueza exposta. Seu corpo era magro, tão magro que Charlie podia contar suas costelas, e notar suas diversas e diversas cicatrizes e feridas: algumas ainda sangravam abertamente. Ela (ou ele) tinha um olhar distante, quase vazio, mas ainda sim sonhador, como se esperasse que a qualquer momento, algo ou alguém lhe salvasse da dor total, daquele estado deplorável e humilhante.

O protegido de Hector observou mais atentamente, encarou de maneira mais fria, mais centrada. Focando-se nos detalhes. Podia notar que a maior parte do sangue vinha das mãos, de feridas abertas nos pulsos e mãos. Charlie podia notar também que existia, na criatura à frente, quase curvada sobre si, em sua magreza temível, em seus olhos vazios e sonhadores, em seu cheiro podre – e por um momento, Charlie temeu seu toque – uma fome. Não uma fome de alimento, mas uma fome de morte. De sangue e carne.

Então Charlie entendeu: era seu passado. Frente a si, materializado daquela forma estranha, demonstrando seus dias esquecidos, seu modo de sobrevivência, e o vazio que crescia em si, que tomava conta, dia após dia. E o esperar, sabia agora. Era a vinda de Hector, mesmo que na época, não tivesse consciência disso. Era seu passado, frágil e quebradiço. Sem rumo ou propósito. Sem esperanças ou crenças.

Quase morrer não muda nada. Morrer muda tudo.

E não tinha Charlie, morrido naquele dia? Uma morte tão profunda e significativa que jamais conseguira recordar-se do que havia lhe acontecido antes? Não tinha Charlie, entregado-se ao tal vazio? Dado-se de presente ao nada e a ninguém. Não tinha abraçado a morte e lhe aceitado como amiga e irmã? Como a única que lhe compreendia?

Respirou fundo, sorrindo de canto levemente, antes de notar a segunda figura. Antes de notar o tigre branco, dos olhos azuis de luz, que pairava, gigantesco acima do Passado Magro. Em sua soberania, porque os tigres são muito mais legais que as onças. Charlie observou a criatura magnifica. O pelo parecia a mais pura e limpa neve, as listras pretas reluziam um azul claro, que parecia circular o corpo do felino gigantesco. Que parecia mesclar-se ao ar, tomar os céus e surgir das nuvens.

Charlie o desejava. Como desejava poucas coisas na vida. Queria tocá-lo, sentir a maciez da neve, a luz no rosto. Charlie queria ouvir seu coração pulsar., sentir a vida que fluía nele. Observou, quase atônito, o modo como as patas esmagavam a neve abaixo de si, como se movia num misto de graciosidade e leveza. E ela desejava aquela leveza. E como parecia impor uma sombra de respeito, temor e poder sobre aquela figura tão esquelética abaixo de si.

E ele olhou nos olhos do Tigre, da criatura magnifica que lhe fazia sombra. Ainda que se sentisse pequeno diante de tudo aquilo, Charlie observava com tamanha devoção a criatura iluminada. Então vieram as vozes – e Charlie pode jurar que via a mandíbula do tigre mover-se às vezes.

Não gostava da sensação de impotência, da falta de ação sobre qualquer parte ou momento. E aquilo lhe trazia mais incomodo do que a maioria das coisas. Fechou as mãos, apertando-as forte, os dedos estalando. Sentia a respiração intensificar-se e o modo como começava, mesmo diante do frio daquelas terras, a suar.

Ouvia tudo, e tentava, inutilmente, expulsar tudo aquilo. Sacou a katana, arrancando-a da bainha com violência e urgência. Não queria seu passado esquelético e fraco. Queria domar a tempestade, como o poderoso felino parecia fazê-lo.

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Re: Introdução: Deuses e Homens

Mensagem por Valkyrja em Qui Fev 16 2012, 15:23

Por aquele breve e puro segundo, tão casto dentro daquela eternidade, Vaan viu tudo a seu redor tornar-se tão mísero e tão insignificante que ela, por aquele segundo que fora tão amado pela garota, achou que conseguia, novamente, enxergar os destinos dos outros mortais. Um pequeno sorriso mescla do desespero e da alegria se fez presente no rosto da jovem.

....Mas aquilo foi apenas um segundo. E um segundo não é nada. Nada diante do tempo sem fim que se estendia até onde os corações não podiam mais bater. Como riscos rápidos de lápis, todos aqueles cruéis destinos eram jogados diante dos seus olhos. Via-se diante da execução de Hector pela pessoa que ele protegia, com seus olhos sempre bem abertos e focados. Sua expressão, apesar do medo que sentia ao abraçar aquilo que ela julgava verdade, era de uma seriedade calma. Respirou e como se mudasse uma figura sobre um cavalete, agora via Niume ser morta por Alfadur e o fim trágico do homem. Ergueu seu olhar para cima e via o céu cinzento e quando abaixou, estava ao lado do rei para quem Alexander se ajoelhava. Cerrou o cenho ao ver a cabeça da menina na cintura de seu algoz. Se perguntava quem ela seria. Acompanhou o cavaleiro até ele sair da sala majestosamente negra, e quando abriu as portas do salão real, via-se ao lado dela mesma, com o olhar compenetrado cheio de vergonha por sua falha. Havia estudado, havia dado sua própria carne, mas tudo fora em vão. Virou seu rosto na direção do demônio e acompanhava a visão de sua réplica. Pouco pôde ver do Devorador, já que sua própria morte acontecia na sua frente. Vaan deu dois passos para trás e quase caiu da sacada onde estava. Seus olhos agora dourados estavam bem arregalados. Sentia o grito querer sair de sua garganta, mas era impossível colocá-lo para fora. Sua respiração era rápida e era a única coisa que sentiu quando voltou a si.

Caíra de joelhos e não podia enxergar nada além da luz verde, que sumiu como sugada por uma explosão estelar. No escuro, a perdida Vaan lentamente vira sua cabeça para a luz que começava a emanar de duas figuras que seguravam suas mãos tão fortemente juntas que pareciam estar coladas uma na outra, por toda uma eternidade. Vaan continuou a olhar aquelas estranhas criaturas, ignorando a vontade de desviar os olhos. Ambas tinham longos robes negros como a noite, tão decrépitos e sujos que Vaan teve a impressão de sentir o cheiro de carne podre. Ela levou uma das mãos até o nariz e ergueu-se, sem desviar o olhar. As figuras eram magras como cadáveres, com a pele tão branca que poderia ver suas entranhas e veias. Uma delas tinha os olhos queimados e sussurrava coisas para a outra gêmea, tão suja e em decomposição quanto a primeira. A segunda irmã posuía apenas o resquíciod e lábios odne deveria estar sua boca. Parecia que a pele do rosto havia se fechado por completo sobre ela. Seus olhos estavam bem abertos, girando por todos os cantos do local. As irmãs estavam realmente coladas por suas mãos e entre os dedos sem carne e que pareciam quebrar ao menor toque, havia uma fina linha que pulsava no mais belo dourado.

Vaan olhava o lindo dourado com extrema curiosidade e sendo atraída como uma mariposa até a luz, ergueu seus dedos para tocá-lo, mas este começou a se dissolver entre as mãos das figuras, que agora giravam seu rosto até a mulher.

Foi então que uma luz extremamente forte explodiu e abriu seu caminho entre as duas mulheres mortas e Vaan. Cobriu seus olhos e sentia o vento quente emanar daquele ser que ela não podia decifrar o que era exatamente. Quando conseguiu acostumar-se com aquela estranha luz, que não se movimentava no tempo e espaço, ela percebeu uma figura extremamente alta, com um olho completamente negro e outro tão verde quanto os oceanos da Criação. Sua forma estava muito bem definida, apesar da figura ser completamente negra, como se Vaan o visse contra a luz. Mesmo seu contorno dando a impressão completa do homem – uma armadura leve sobre os braços e pernas, com uma pesada cota do que parecia ser um tecido grosso sobre o peito, que desciam pelo seu copo, até quase o chão, e um capuz sobre seus cabelos - Vaan podia ver que somente os olhos do homem eram bem destacados dentro daquela escuridão infinita. Quando cerrou de leve seus olhos azuis, Vaan percebeu que o negro do homem lentamente se desprendia de seu copo e subiam para o vazio do local, formando muitas vezes frases em línguas perdidas, enquanto vozes distantes sussurravam no ouvido da menina. Orações, gritos, choros, risadas, tudo se perdida dentro daquele lugar que parecia ser um pedaço do infinito, onde o tempo não existia. O olhar do homem era tão penetrante que Vaan não conseguia se mover. Apenas ouvia aquelas vozes que ela achava ser do homem, das duas mulheres, dela mesma, de toda a maldita Criação! Destino? O que era o destino? Ela tinha um! Um que a diferenciava de todos! E ele foi desfeito! Seria consumida por ela mesma! Olhou seu braço e em cada sílaba pronunciada, as vozes ficavam mais altas.

Destino... - falou para ela mesma, enquanto seus olhos demonstravam a raiva que ela não teve chance de mostrar a Iron, a todos o cretinos que a abandonaram. - EU JÁ NÃO POSSUO UM DESTINO!!
O grito saiu tão alto como um trovão e com ele, Vaan sentiu que suas forças a abandonavam. Esforçou-se para ficar de pé, e com um sorriso cruel no rosto, fitava a criatura:

- Libertarei.. Se é isso que deseja, se deseja vagar sem rumo dentro dessas infinitas possibilidades, sem qualquer certeza, é isso que te darei. - e abaixou seu rosto. Mesmo sem seu destino, buscava, também, uma forma melhor de morrer, sem ser apenas uma vítima de si mesma, como aqueles reles mortais.
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Re: Introdução: Deuses e Homens

Mensagem por 25Slash7 em Sab Fev 18 2012, 12:35

Teus destinos...

E Hector manejou a sua arma disposto a livrar-se de cada centímetro de fraqueza que seu espírito carregava. Ele, e muitos outros, imaginavam que estavam se encarando, olhando para um reflexo de si mesmos e, talvez, aquela fosse uma interpretação válida. Talvez fosse apenas o devaneio de alguém incapaz de discernir entre o que era real e o que era falso. O que era ilusório e o que era... o que era inexplicável.

Sua arma zumbiu no ar e, junto com ele, Charlie e Alfadur sentiram o mesmo impulso. Sentiam que algo deveria ser destruído, algo deveria esmorecer para que eles pudessem, enfim, resplandecer. Buscavam a força para moldar os destinos ao qual estavam atrelados, aprisionados.

E, naquele momento, não lhes importava como conseguir isto. Fosse pela violência, fosse pelo sacrifício.

Do outro lado, Niume tomava um caminho diferente. Um caminho de aceitação diante daquela imagem antiga e de olhos profundos. Niume estendia a sua mão movida pela esperança de que aquilo lhe tornaria forte o suficiente para dar liberdade onde havia algemas.

Quanto a Vaan... Vaan sentia-se quebrada desde o seu "retorno". Sentia como se algo havia lhe sido tirado. Alguma coisa faltava...






- Ancião!!!

Ledaal estava caído no chão, quando o furioso Urso avançou em direção ao velho. Com poucas alternativas, o homem recuava, deslocava-se para trás e disparava flechas contra o seu algoz.

- Não hoje! Não hoje!

O velho gritava, mas havia pouco a se fazer além disso. Voz dos Antigos não se incomodava quando uma dúzia de flechas eram disparadas em sua direção. Para ele, bastava comandar fluxo temporal. Cortava o ar e, com cada corte, uma distorção era criada. Em alguns momentos, o Ancião acreditava estar vivendo um dejavu, com eventos se repetindo incessantemente.

No fundo... algo já lhe dizia como aquele dia acabaria.







Eu não posso libertá-los...

Violência.

Quando Hector derrubou a figura decrépita, esta foi a primeira palavra que lhe veio a mente. Foi, porque agora, encarando a criatura divina que o enfrentava, era tudo o que ele conseguia pensar, pois aquele olhar terrível o consumia, devorava-o.

Nós não podemos...

- Tua hipocrisia... - as palavras da Divindade eram lentas, faladas em outras língua. Uma língua antiga, que lhe fazia doer o ouvido. De alguma forma, no entanto, ele entendia o significado – fez de ti um fraco.

E quando terminou, a criatura segurou Hector pelo pescoço e, em sua imensidão, envolveu Hector em uma escuridão de sombras e gelo.







Homens e mulheres morriam. Quando o corpo do Ancião foi despedaçado em dois, tudo o que restava era observar o executor matar, matar e matar. E enquanto matava ele gritava "Onde está Rametheus?!".







Mas podemos...

Liberdade.

Niume pensava em liberdade no momento que estendeu a mão, enquanto era observada pela mulher de aparência imponente e marcada por tatuagens cujos significados aterrorizavam os sonhos dos homens.

- Recorda-te... que para que renasças, precisa antes morrer.

A voz era dura. Como seria a voz de uma mãe zelosa que entende os males do mundo e que não pretende proteger seu filho da dor.

Niume teve a sua visão tomada por uma forte e densa luz dourada.




- Interessante...

Olhava como os homens eram incapazes de olhar. Olhava, como quem pouco se importasse com as mortes ou a obsessão de Voz dos Antigos. Por trás de sua máscara de dor, ele apenas olhava. Olhava o destino, o mundo mover-se e submeter-se.







Dar-lhes a força necessária...

Negação.

Não importava o que fizesse. Era loucura que corria através do seu sangue. Era o chamado dos perdidos e dos ensandecidos que o tomavam dia após dia. Era aquele o seu signo. Ele poderia fazer o que quisesse fazer. Mas cada ato era guiado por uma loucura. Uma loucura contida dentro de si, mas que, eventualmente, seria lançada sobre o mundo dos homens.

Alfadur negava. E ao negar sua loucura, ao matar a imagem decrépita, ele mergulhou num vazio, quando as asas brilhantes assumiram um tom esmeralda, e o envolveram.







Os teus dias contados

Ledaal estava de pé, sobre o selo. A sua frente, estava a criança ajoelhada, choramingando.

em um céu sem estrelas

Todos estavam mortos. Voz dos Antigos jazia vitorioso, mas ainda sem encontrar o que procurava.

foi tocado e levado

Seus olhos gélidos observavam o mortal com curiosidade. Com a curiosidade que apenas um ser divino seria capaz de ter diante das tolices dos homens.

pelo Senhor da Guerra

- Deseja morrer junto dele...?







Para que morram como escolherem...

Adaptação.

Não tinha, afinal, se adaptado a toda as merdas que o mundo havia lhe jogado? Não havia superado e desafiado todas as chances perdidas e sonhos despedaçados? Charlie, talvez, não fosse virtuosa, tampouco comprometida com princípios valorativos.

Sacar a sua arma e avançar contra o que julgava ser o seu passado... era o modo como encontrava de se adaptar, de deixar de ser fraca e tornar-se forte.

Isso, porque Charlie não era forte porque a sua natureza assim a tornava. Charlie era forte, porque era o que o mundo exigia dela.

E nessa exigência, ela foi devorada pelo tigre indigo.







tu que caminhas

Sora respirava com dificuldade. Enquanto segurava um punhal em sua mão esquerda, sentia o sangue escorrer pelo ombro direito. Suas pernas tremiam, incapazes de sustentar seu peso. Sua essência havia desaparecido.

sob o estandarte esmeralda

Olhou a volta. No ar, haviam pequenas imagens distorcidas, representando os cortes que o tempo-espaço havia sofrido. Algo lhe dizia que foi naquele instante que a Criação começou a ruir.

dará tua carne e tua alma

- Hoje... eu não posso fazer qualquer... qualquer maldita ação contra você... contra sua arma... mas amanhã...

para que a luz dos homens

Ele olhou para o alto. Aquela noite era a Noite da Noite Infinda. Não haviam estrelas no céu.

brilhe sobre a terra







- Teu destino. Você não deveria estar aqui. Porque não é este teu destino. Não é esse quem você é. Não, não é você quem deveria estar aqui. Porque você morreu. Morreu quando caminhou em direção ao Primordial Caído. Você morreu. E os mortos não tem destino no mundo dos vivos. Ainda assim, aqui você está. E ainda assim, aqui você está. Ainda está. Aqui. Para fazer o teu papel. Algum papel. Mas você. Você não pode escolher como morrer. Você morrerá. Como eu dizer que deve morrer. Porque o teu destino. É o meu destino.

As vozes vieram em sua cabeça, sopravam, sussurravam, gritavam. Uma infinidade de vozes, mas apenas uma se destacava. Apenas uma direcionava.

As duas mulheres, ligadas pela espiritualidade, cravaram suas mãos na carne de Vaan. E quando elas o fizeram, Vaan compreendeu o verdadeiro significado da palavra dor. E quando a criatura sombria olhou em seus olhos, Vaan compreendeu que olhava para o próprio universo.

E Vaan dormiu. Porque era tudo que lhe restava até que houvessem despedaçado sua alma e torná-la algo remendado.







- Não... não... NÃO!

Voz dos Antigos gritou. Empunhou a espada pronta para manejá-la, pronta para torcer o tempo. Pronta para fazer qualquer coisa que parasse aquilo.

- NÃO!

Correu, deixando para trás um rastro de gelo e um cheiro forte de sangue. Voz dos Antigos, cujos pelos esbranquiçados haviam tomado tonalides carmins e cujos olhos outrora sarcásticos e curiosos, agora pareciam desesperados.

- NÃO!!!

A lâmina de Ledaal atravessou o coração do Guardião Esmeralda. E um silêncio fúnebre debruçou-se sobre Haafingar.







FIM DA INTRODUÇÃO

Haafingar estava vazia. Haviam apenas cadáveres e sangue. Voz dos Antigos e a Criatura mascarada haviam sumidos após a última cartada de Ledaal. O guardião esmeralda estava morto, deitado em uma poça de sangue que se estendia pelo símbolo no chão.

Sora, por sua vez, estava deitado, próximo à criança, ainda com o punhal em mãos.

Ao redor do selo, três estátuas haviam surgido. A primeira era a de um imponente gigante, um guerreiro entre os deuses. A segunda era um portentoso tigre, cujos olhos azuis desafiavam a Criação. O terceiro era uma figura humanoíde, cujas asas estendia-se ao redor do selo.

As estátuas eram do mais puro mármore. E sua imagem era aterradora, por mais bela que fosse.

Vaan e Niume estavam caídas no chão. Niume tinha o corpo coberto por centelhas dourada de energia e, em sua testa, o símbolo dourado da mais divina divindade.

Vaan parecia retornar de um transe. Seus olhos haviam assumido uma tonalidade violeta e sua íris era preenchida por um centena de pontos brancos, como estrelas. Em sua testa, um símbolo violeta e brilhante que representava o fim de todas as coisas.

Naquela noite infinda...

A roda começava a girar.


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Re: Introdução: Deuses e Homens

Mensagem por Niume em Sab Fev 18 2012, 17:06


Niume pensava em liberdade no momento em que estendeu a mão a mulher de aparência imponente. Naquela mulher, as esperanças haviam renascido, a coragem sobrepôs o medo de outrora, como uma onda de calor que afastou todo o frio. Podia morrer ali, naquele gesto, podia ser apenas uma miragem, mas não sentia medo de arriscar. A liberdade e a força tinham seu preço e estava disposta a pagar por eles, mesmo que fosse com a vida. “Para que renasças, precisa morrer.” Ouviu a voz dura da mulher, a voz de uma mãe que nunca teve, a voz de alguém disposto a deixar que ela assumisse os riscos e que finalmente, alguém que não diria para que ela parasse.

Quando a luz dourada forte e densa cegou seus olhos, forçando-a a levar a mao a frente do rosto, Niume pensou que seria o fim. Pensou estar vendo a ultima luz antes de acordar como parte do universo e não mais como alguem vivendo nele. Pensou mesmo que iria morrer ali, ao ter aceitado a mulher que oferecia a mao cheia de uma calorosa esperança. Não saberia dizer quanto tempo protegeu os olhos da luz antes de não enxergar mais e desabar no chão inconsciente.

-

Um assovio cortou longo e alto, o céu azul luminoso daquela tarde quente. Uma brisa suave balançou as arvores de folhas verdes e renovadas enquanto os olhos negros olhavam o céu, com uma das mãos envolta em uma luva de couro, protegendo os olhos da claridade do sol e a outra, estendida a frente, de dedos fechados em punho. Naquele braço, a luva de couro era mais grossa e longa, indo quase ate os cotovelos. Em resposta ao assovio, um piado fino e longo cortou o céu de volta, um piar que soava como um anuncio de morte a pequenas presas, um aviso quem o esperava e instantes depois, a águia pousou no braço estendido, apertando as garras no braço onde tinha se apoiado.

-Voce os viu?

Perguntou a voz feminina a águia enquanto tirava a mao que cobria os olhos e a levava a pequena cabeça do animal, afagando-a de leve antes que a ave abrisse levemente as asas, equilibrando-se no braço enquanto a mulher recomeçava a andar.

-Sim. Não estamos muito longe agora...

A ave respondeu, a voz era masculina e suave, de alguem que nunca tinha pressa.

-Não são muitos, estão acampados perto do rio e..

-Viu a feiticeira?


A mulher perguntou, cortando a fala da ave. Ao contrario da voz tranquila, a dela era um impulso elétrico cheio de energia. O numero de soldados acampado na margem do rio não parecia ser algo com o que ela se preocupava, podia matar todos eles com um único gesto.

-Sim. Arcate estava com eles.. Devia ter trago parte da Legião Dourada, Ceres. A feiticeira é perigosa, porque acha que pode cuidar dela sozinha?

A mulher sorriu e negou.

-Não estou sozinha Syrus. Voce esta comigo. E do que adiantaria a Legiao agora? O que humanos podem fazer contra Arcate? Nada! Mas eu posso.. já perdemos vidas demais nesse jogo..

-Arcate é só uma peça. Mata-la não vai faze-lo parar..

-Ele a ama. Arcate o jogou nisso, é por ela que ele esta jogando e ela não é uma peça, ela é a peça principal. Fora de jogo, ele perde a sustentação..

-Esta arriscando sua vida nisso Ceres!

-Estamos sempre nos arriscando Syrus.. cada passo que damos fora dos portões, cada vez que marchamos para lutar uma batalha que não é nossa, estamos nos arriscando. Ao menos dessa vez, faremos pelo motivo certo.

A águia nada mais disse, o rosto da mulher encarou a pequena face da ave, admirando os pequenos olhos cor de mel enquanto tudo ao redor desaparecia. Como uma cena se borrando e dando lugar a outra. Agora, o céu estava escuro, algumas poucas estrelas iluminavam a noite que cheirava a fumaça e sangue.

Por onde o rapaz andava, tinha desviar os pés dos cadáveres dos soldados mortos. Alguns, ele mesmo tinha matado, outros e isso incluía aqueles que não pareciam mais uma pessoa, tinha tido o toque pessoal dela. Ele temia, ela sentia isso. Temia o dia em que ela perderia o juízo, a identidade, a vida tão pulsante dentro dela. Temia que o guaxinim estivesse certo. “Ela vai enlouquecer”, ele disse, “E nada haverá que você possa fazer.”.

-Ceres...

Ele chamou, observando-a de longe. O corpo dela brilhava em dourado, o sol estava desenhado, brilhante em sua testa. Ela tinha o rosto baixo e os ombros caídos, claro expressão de desanimo. A mulher ergueu o rosto ao ouvi-lo, virando-se levemente na direção dele. Os olhos dourados observaram o rapaz de pele negra iluminado pela essência azul, as tatuagens azuladas em seu corpo, a Lua crescente brilhando em sua testa. Ela andou na direção dele enquanto o dourado ia sumindo, apagando-a na escuridão. O rapaz, diante dos olhos dela, ganhou a forma de um lobo. Os dois seguiram lado a lado enquanto tudo novamente começava a borrar.


-

O rosto desfigurado e sem vida da feiticeira foi a ultima coisa que Niume viu antes de abrir os olhos de supetão. Tinha a respiração ofegante, como se a vida tivesse enchido seus pulmões com um único golpe. Naquele abrir de olhos, o mundo parecia ter mudado por inteiro. Niume sentia-se diferente. Não havia mais a sensação das algemas, não havia o peso sobre os ombros, a angustia, o desespero. Tudo havia desaparecido no instantes em que esteve vagando pelos olhos de Ceres.

A jovem apoiou-se nas mãos e sentou-se, a cabeça rodou, mas agora, era diferente. Não sentiu a tontura. O que sentia era diferente. Sentia como se pudesse sentir cada pulsação de essência e energia do mundo. O vento soprava mais alto em seus ouvidos. Os olhos enxergavam melhor do que jamais havia enxercado antes. Parecia ter colado seus ouvidos no universo e agora o podia ouvi-lo respirar.

A jovem levou à mão a espada solta no chão, agarrando-a e quando o fez, reparou nas milhares de centelhas douradas que lhe cobriam o corpo. Observou as próprias mãos com uma quase desinteressada curiosidade e agarrou a espada, apoiando-se nela para se levantar. Quando o fez, percebeu que o apoio não era necessário. Não se sentia fraca, ou ferida. Pelo contrario, sentia-se forte, viva e.. Superior. Os olhos observaram a praça que antes estava cheia. Todos mortos. O cheiro de sangue e morte invadia suas narinas que também pareciam sentir melhor o cheiro das coisas.

O urso havia sumido, assim como o mascarado. O guardião esmeralda estava morto como todo o resto, deitado no próprio sangue sobre o selo. Ali, três estatuas haviam surgido. Estatuas que ela tinha certeza que não estavam ali antes. Niume observou aquilo com um silencio que não era seu. Não havia em seus olhos o impulso ou a raiva desmedida, não havia em sua mão a força que apertaria a espada em busca de controle. Ela era o controle. Os olhos passaram pelo chão onde estava deitada antes, observando a mulher ali e também nada, apenas o olhar tornando a se erguer.

Os passos começaram a seguir por entre os mortos. Sua postura estava diferente, seu andar estava diferente. A cada passo, Niume parecia ter a confiança imponente da mulher que lhe ofereceu o fogo. Os ombros estavam rígidos como os dela, os passos eram firmes e em linha reta, um a frente do outro, como teria sido os dela. Até mesmo a inexpressão dos olhos azuis era como a não visão dos olhos tampados da mulher tatuada. Aquela mulher era a visão de força e uma confiança de alguém que se sentia superior ao resto. Niume tinha aquela expressão, embora nada pudesse tirar os traços travessos de sua face.

Ela seguiu por entre os mortos, ali, todos pareciam estar. Com a calma que não teria antes, procurava por qualquer sinal de Alfadur. Não sentia o desespero que teria sentido antes com a simples hipótese de vê-lo morto, agora, era apenas como se desejasse encontra-lo, torcendo para que estivesse vivo. Da ultima vez que o vira, ele estava no altar, perto do selo, onde agora haviam três estatuas. Niume levou os passos firmes e o corpo esguio ate la, era o melhor lugar para começar a procura-lo. A jovem parou diante das estatuas, olhando uma a uma, com uma exagerada calma. Os olhos porem fixaram-se na estatua alada, nela havia algo familiar, algo que fazia a jovem continuar olhando-a.

A força e a coragem destacam-se sobre ela, quente e intimidadora. Os passos são calmos e firmes, seguem uma trilha antiga e barbara, pisando em sangue e ossos. Ela é imponente, nada se ergue a sua frente, nada se sobrepõem ao seu orgulho e poder, nada nega o seu domínio. Seu nome empunha a autoridade como uma espada, segurando entre os dedos a superioridade de ser o que é. Ninguém pode nega-la, ninguém pode supera-la. Os que a exaltam, são abençoados pela força de seu nome, os que a negam são superados sem remorso. Ela não tem medo, ela não tem fraquezas. Ela reside nos memoriais erguidos em seu nome, ela é o grande Sol Inconquistável!
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Re: Introdução: Deuses e Homens

Mensagem por Sarx em Sab Fev 18 2012, 20:50

Abriu os olhos, mas não podia ver. Não podia ver, não podia ouvir, não podia sentir absolutamente... nada. Estou morto? - ele pensou. Ou disse. Não saberia dizer. Não podia ouvir as próprias palavras, não podia ouvir seus ecos. Tentou dar um passo para frente, mas não soube se conseguiu.

Tentou lembrar-se do que havia acontecido. O gigante.. O Rei da Coroa Ensanguentada. Lembrou-se da sensação da gigantesca mão em seu pescoço, lembrou-se das palavras que ele havia dito. Hipocrisia? Que hipocrisia? Achava-se tão justo.. Tão.. Tão moral. O que estava acontecendo? Lembrou-se, subitamente, da vila. Haafingar. Charlie. Diabos, onde estava!? Charlie também havia visto uma daquelas criaturas. Estava ela alí, naquele nada, também?

Concentrou-se. Precisava enxergar, precisava ver. O que estava acontecendo? Precisava encontrar o garoto.

E então ele enxergou. E sentiu. E arrependeu-se instantaneamente. Encontrava-se em planíceis infinitas de gelo e rocha, e sentia os próprios ossos doerem, congelados. Havia precisado forçar os olhos a se abrirem, e agora percebia que era, pura e simplesmente, por que as palpebras haviam congelado-se, colando-se juntas.

Olhou em volta. Não via uma única alma viva em qualquer lugar, mas o vento cruel que tomava os ares parecia ressoar como gritos de desespero e agonia de almas que ele simplesmente não podia enxergar... E então, de repente, não mais que de repente, os gritos de Hector uniram-se a cacofonia infernal, quando subitamente tornou-se consciente do próprio corpo, e do modo como cada pequeno floco de neve parecia cortar-lhe e mutilar-lhe a carne.

A proteção das roupas, do manto e da cota de malha, simplesmente não importava, simplesmente não existia mais, a muito desfeita pela neve corrosiva. E os ferimentos não eram fatais, mas doiam - e como doíam, devorando-lhe a carne aos poucos.. E Hector gritava, desesperado, esperando que alguém, alguém pudesse lhe escutar.

E alguém pôde.

Hector piscou e, no instante seguinte, em frente a ele, a cerca de dez metros de distância, estava a figura que o tragara para lá, o Rei da Coroa Ensanguentada. Sentava em um trono gigantesco de ferro congelado, e seus olhos cruéis o obsersavavam silenciosamente, a grande espada deitada em seu em seu colo.

Hector tentou falar, mas, subitamente, levou as mãos a garganta e, em sua dor e agonia, notou que ela já não existia, tendo sida desfeita pela neve-navalha. Sentia-se sangrar, mas sentia, também, o sangue congelar acima de cada ferida aberta e re-aberta. Tentava falar, mas não conseguia. Tentava chamá-lo para si, perguntar o o que estava acontecendo, mas não conseguia.

E pareceu se passar uma eternidade, conforme a Montanha Negra sentia o próprio corpo se desfazer, e se contorcia, os gritos silenciados pela simples incapacidade de gritar. Ficou ali, deitado, até não conseguir nem mesmo se mexer. Quando os olhos foram destruídos, ele continuou a enxergar.

Até que, milênios depois, o gigante se levantou, apoiando-se na grande espada que carregava, e aproximou-se do que restava de Hector. O homem agarrou-lhe pelo crânio, erguendo-o do chão, e o Hrothgar pode vislumbrar a si mesmo e a seu corpo por um mero instante - era um esqueleto. Pura e simplesmente um esqueleto, e aquilo o encheu de um pânico fervente... Que sumiu, congelado e desfeito, quando foi obrigado a observar os olhos vazios de emoção do homem-fera em frente a ele.

O gigante ergueu a espada, atravessando-a entre o torax de Hector... E ele não sentiu nada. Não sentiu absolutamente nada. Era um esqueleto. O que tinha para sentir? Mas então tudo voltou. A dor. A agonia. Ele podia sentir, lentamente, enquanto cada fibra de seu corpo era recriada - alguma coisa passava pelo corpo do Rei, guiava-se pela espada, e movia-se em direção a ele, espalhando-se por corpo, dando-lhe forma, dando-lhe, mais uma vez, vida, sensação e movimento... E aquilo doía. Doía tanto...

Mas fora mais rápido. Mais rápido do que o processo de desintegração. E, quando seu corpo estava feito, o homem jogou-o ao chão de novo, a espada deslizando para fora de sua mais nova criação, imbuída de seu próprio ser e essência. E o rei moveu a espada no ar, com uma habilidade magnífica, antes de enfiá-la no chão, que rachou, as rachaduras espalhando-se como uma teia de aranha por todo o solo.

Hector tentou se levantar. E, quando o fez, o chão se quebrou, e ele caiu, mais uma vez, no nada.

[...]

A estátua do gigante começou a se tornar mais branca. Não de modo físico, não que sua cor se alterasse, mas por que uma pequena camada de gelo parecia cobrir sua superfície, a própria umidade do ar congelando frente a tão drástica baixa da temperatura que ali se passava.

E, conforme ela se tornava mais branca, mais e mais, ela parecia tornar-se mais frágil. E começava a rachar, o mármore estalando aqui e alí, cobrindo-se de rachaduras.. Até que, com um "crac" particulamente alto, os pedaços da estátua foram aos ares, voando para todos os lados, e para fora dela, cambaleou Hector Hrothgar, passando pelo selo, caindo, de pé e confuso, onde antes estivera a multidão, e agora só haviam corpos.

Estava maior - havia ganho cerca de trinta centímetros de altura, colocando-o numa medida que passava dos dois metros metros e meio, aproximando-se perigosamente dos dois metros e sessenta. E estava nu, com exceção do martelo - uma versão maior do anterior - que carregava na mão direita com facilidade grotesca. Estava mais magro, cada pequeno músculo de seu corpo destacando-se contra a pele, como se cada micro-grama de gordura houvesse sido queimada de seu corpo maciço. A barba, negra, caia sobre seu peito, selvagem e indomada, sem o menor sinal de cinza ou grisalho, e seus cabelos mantinham-se tão inexistentes como sempre. Seu corpo inteiro estava... marcado por desenhos estranhos, como queimaduras de gelo ainda abertas, ardentes e vermelhas. Runas, letras antigas, símbolos místicos e línguas esquecidas, encantos, rituais e pentáculos. Conforme o homem olhava em volta, todas as feridas pareceram se cicatrizar, tornando-se apenas marcas permanentes em sua carne rigida e régia. Seus olhos mantinham, intacta, a esclera - mas a iris e a pupila haviam tornado-se uma, uma única esfera de um cinza-claro, como a cor de uma geleira sombreada.

- Que diabos...? - ele murmurou, em sua voz poderosa, observando o desastre que havia tomado o local. Olhou para Niume, a única que estava de pé, além de Voz dos Antigos. Existia uma fúria gélida em seus olhos. - Onde está Charlie!? - exigiu saber, girando o martelo nos dedos.

__________________________________________________________________________

O Rei da Coroa Sangrenta, Aquele Que Reina Onde Os Homens Não Sobrevivem, move-se como uma avalanche e retêm-se como uma montanha - é tanto força irresistível como objeto inamovível. Violento em essência, ergue-se acima de Deuses e Homens, e esmaga-os como a rocha esmaga a mosca. Ignora o paradoxo de seu ser, pois, Guardião Indubitável do Reino dos Homens, protege-o de todos - inclusive de si mesmo. Diferente da montanha que encarna, move-se pelo prazer de se mover, e conquista pela necessidade primal de fazê-lo, como o Inverno tomado forma física. Sua mente perscruta o que outras mentes não, e por poder de sua mera vontade, dobra a seus desejos, por força e direito, os habitantes da realidade incomum. Seus olhos são geleiras jamais derretidas, eternas testemunhas dos incontáveis séculos, e seu gigantesco martelo de ferro negro e gélido, tem o peso de toda a Criação.


Última edição por Sarx em Dom Fev 19 2012, 20:13, editado 2 vez(es)
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Re: Introdução: Deuses e Homens

Mensagem por MR, Léo em Dom Fev 19 2012, 12:48

O cheiro de morte, de sangue, do Mal. Novamente.

Mais uma vez? Quando foi a outra? Quando era agora?

Alexander estava cercado de corpos. Crianças, mulheres e homens. Rendidos, dilacerados, destruidos. Nada restava.
Apenas o cheiro.

Novamente?

Via duas mulheres dançando, via as duas matando.
Via.
Tudo.

Tentou retirar a espada da bainha, mas não havia forças em suas mãos. Mal conseguia se mover.
Seria isso medo?
Não. O cavaleiro jamais provara tal sentimento e jamais poderia provar. Por sua honra.
Então o quê?
Se via tudo, por que não conseguia ver aquilo que o imobilizava?

A tua misericórdia é a minha liberdade, Cavaleiro.
Você matou estas pessoas.
Você, e apenas você, me deu a liberdade.


O cheiro, a imagem distorcida.
Aquela mulher.

Escuro, aquilo era subterrâneo.
Era quente, havia fogo.
Símbolos desenhados a sangue e jade.

De novo?

Quantas vezes viveu aquela noite?
Quantas vezes viu tudo sem enxergar absolutamente nada?

Sempre sentistes a tua maldição.
Eu estarei ao sei lado eternamente para lembrá-lo de sua sina.
E você vai lembrar que é graças a mim que vives. Cada batalha que vencer, cada passo que caminhar.
Deverá agradecer a mim.


Mas simplesmente não conseguia lembrar. Quem era?
Quem eram?

A luz verde cegou os olhos de Alexander.
Estava frio, muito frio.
Mas aquele cheiro... Permanecia.

Sua espada estava em suas mãos, via tudo, mais uma vez.
De onde veio?

Estava em transe. Vivia uma memória esquecida.
Sua mente não respondia. mas as palavras permaneciam.

Você, e apenas você, me deu a liberdade.

Destino?

E qual é a resposta?
Existe um destino para cada um ao nascer?
Ou cada um cria seu destino com cada passo dado?
E quanto os passos dados interferem na construção de um novo futuro?
Seria mesmo possível nascer maldito?

Mais uma vez, assistiu.
Assistiu a tudo, impotente.
Decadência.

A própria decadência e a decadência de todos aqueles que, nesta noite fria e sangrenta, agiram.
Seria isso que sobrou deles?
Seria então esta a sina que iria, que deveria, seguir, cumprir e aceitar?

Se os deuses realmente intereferem na vida dos homens e realmente lhes conferem destino...
Então eles são mais cruéis do que todo mundo jamais poderia imaginar.

Viu as palavras e as cenas nas estrelas.
Lágrimas escorriam de seu rosto.
Decadência.
Todos. Caídos.

Sentia-se num grande deja vu, enquanto demonios e o urso usurpavam a vida, como se todos fossem meros fantoches.

Nada além de mais um fantoche.

Estava lutando. Contra quem? Não sentia mais seu corpo, mas sabia que lutava.
Lutava enquanto chorava, enquanto sonhava com as estrelas.

Contra quem lutava? Com que força?
Seria então... Um fantoche?

Via agora uma mulher.
Bela, emitia luz, era majestosa.
Mas em seus olhos... Que sentimento era aquele?
Pena? Dor? Misericórdia?
Era um olhar que feria. Feria a alma.

Ela também estava ferida. Em toda a sua beleza, ferida. Não no corpo, nunca.
Seria impossível ferir aquele corpo.
Mas a alma...

Nenhuma palavra. Ela estava sentada, emitindo sua fraca luz.
Os olhos... Fracos, tristes.
Era doloroso olhar para aquela mulher.

Era ela.
... Quem?



Sua fraca luz olvida por sombras.
Lentamente ele pousou atrás dela.
Emitia trevas. Era trevas. Era sangue.

Era ele... Sem dúvida!
... Quem???



Mais uma vez, assistia. Mais uma vez, sabia. Mas não lembrava.

Nenhuma palavra.
Apenas o olhar. Frio.
Nenhuma expressão. Mas via e sentia a vontade de destruir vindo daquela criatura.

Ele estendeu seu braço, e a mulher flutuava sem controle sobre si.
Seus olhos continuavam repletos de um sentimento indescritivel.
Os olhos dele continuavam frios.

Olhava diretamente para Alexander.
Sentia algo dentro de si. Era ódio? Não...
Mais uma vez sabia o que ocorreria, mas...
Queria negar aquilo.



Estava ofegante. Precisava mudar, precisava impedir.
Como aquilo poderia fazer isso com ela?

Precisava protegê-la.
Sim... Era ódio.
Já sabia que não seria capaz de salvá-la.
O ódio não é o caminho para a vitória.
Mas não conseguia parar de odiar.

Cada vitória e cada derrota será minha. É seu destino.

Matem-nos...

Libertem-nos...

Nossos destinos...

Somos o flagelo do mundo...

Destino?

Observou com atenção.
Focou seu alvo. Jogou a lança para o alto, para segurá-la da forma correta.
A ponta da lança, sua lâmina, iluminada pelo fogo que ardia em volta, e por dentro.
Lâmina de Luz. Era isso que representava. Era isso que ele mesmo é!
Luzente.

Dois passos. Não mais do que isso.
Num salto, arremessou a arma. E sua lâmina seguiu perfeitamente na direção da cabeça daquilo.
Brilhando, como mil sóis.
Uma luz que se confundia com o verde do ritual, o vermelho das chamas e o branco do gelo.

Eu faço o meu próprio caminho.
Eu sigo os meus passos. Não os seus!


Não pode nunca ser ódio.
Mas Justiça...


Última edição por MR, Léo em Seg Fev 20 2012, 12:53, editado 1 vez(es)
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Re: Introdução: Deuses e Homens

Mensagem por Rosenrot em Dom Fev 19 2012, 16:59

Não era exatamente uma sensação tão ruim. Passou por sua cabeça, por um breve momento, não era exatamente tão ruim. Podia sentir os ossos sendo moídos, a carne sendo rasgada e o sangue escorrendo sabe-se lá de quantas e quantas feridas, enquanto era devorado pelo grande felino branco.

Dor era só mais um processo de todas as coisas. E depois da dor, veio o silêncio. Mas o silêncio não se prorrogou demais, não se sustentou por muito tempo. Vieram então os passos, lado a lado.

– Você nunca foi exatamente humano. Perdeu todas as emoções. – Não conseguia, exatamente olhar para o felino, mas sentia estar ao seu lado, enquanto observavam os grandes vales abaixo de ambos, coberto por neve, as árvores com seus tons verdes misturado ao branco. – Tudo que você tem são instintos. – Prosseguiu, e Charlie não fez questão de interrompê-lo ou negar o que era dito.

De certa forma, era aquilo mesmo. – Você se adapta. – Ele disse, para Charlie, e foi o único momento em que Charlie voltou os olhos para o grande tigre. Moveu a cabeça em positivo, e continuaram a andar.

Charlie diria se lembrar daquela caminhada, ainda que nunca soubesse dizer se havia mesmo algo ao seu lado. Mas sempre que olhava para o chão, notava as pegadas na neve, nenhuma delas humana: eram sempre patas, patas de tigre. Questionou-se por um momento se estaria sendo ela carregada pelo felino, mas nunca realmente se sentiu carregado, ainda que não pudesse afirmar tocar a neve com os pés.

Não lembrava-se também de conversarem, havia uma transmissão simples de pensamentos e sensações. De expectativas e necessidades, mas não existia, em momento algum, palavras. A Aurora Boreal desenhava-se à frente de seus olhos, tão bonita e indescritível como era.

Então sentiu vontade de correr, e correu pelas planícies geladas, sem cor ou árvores, pelo vento frio e nada acalentador. E caçou, um animal menor que si: não soube exatamente por que o fazia, mas apenas o fez, sentindo o sangue quente na boca, antes de ouvir o grande rosnado.

Charlie levantou a cabeça, para contemplar o felino muito, muito maior que si. Avançando em sua direção, presas e garras expostas.

Lembrou-se que lutou. Mas lembrou-se mais da dor, de cada pedaço sendo cortado e arrancado, de cada membro fatiado, de como não era apenas uma dor física, pura e simplesmente pela dor. Era algo diferente do que já tinha sentido. Era a necessidade de lutar e a impotência de fazê-lo. O desejo estranho e novo de viver, e a incapacidade de agir diante de tudo isso.

E pouco a pouco, sabia. A vida lhe deixava. Tornando-se apenas sangue sobre a neve.

[…]

A Morte Branca, O Grande Predador do Inverno trás a morte sorrateiramente, ainda que a violência empregada em seus atos seja visível. Solitário, adapta-se ao que lhe é oferecido, seduz, manipula e conquista com a facilidade sútil de um felino astuto. Busca o conhecimento de novas táticas, instigado pela curiosidade natural. Faz com o que o adorem, buscando nunca influenciar com o medo. Sorridente, ele se mistura, se adapta, se enquadra em qualquer lugar, qualquer cenário, qualquer ciclo. Faz-se ser aceito com a facilidade de pequenas palavras, com galanteios, A Morte Branca emerge, devagar, ele se aproxima, esgueirando-se de qualquer passado e desviando-se de qualquer olhar suspeito, prefere viver às sombras, ocultando-se e mantendo-se, como um predador sempre silencioso. Ele apaixona, ele domina e ele toma. Sempre com ares de calma, beleza e cuidado. Ele traga, trás para si e destrói. Pois destruir é belo, é bonito. E usa suas garras, para rasgar a Criação e infernizá-la.

[…]

Puxou o ar para dentro dos pulmões com tanta força que os sentiu doer de maneira aterradora. Parecia que tinham lhe mastigado, e depois cuspido e mastigado mais uma vez. Não via. Mas não sabia se tinha os olhos abertos ou se não via porque estava escuro. Em determinado momento, ouviu alguma coisa, mas logo julgou ser parte da imaginação. Sentia-se diferente, ainda que não conseguisse descrever ou entender qual era essa diferença. Abriu a boca, e gritou/rosnou com a força da decisão de despertar.
A estátua do Tigre que tinha os olhos azuis tão brilhantes tremeu por um momento, antes de ser fácil notar que alguma coisa a rasgava por dentro: garras cortavam o mármore de maneira voraz, cada vez mais forte, cada vez mais preciso. Antes de tudo espatifar-se. Charlie caiu, entre todos os pedaços da estátua. Não estava nu, como Hector, ainda que suas roupas tivessem sofrido danos mais do que visíveis. Fremiu as narinas, farejando o ar, ainda que não se desse conta do ato. Algo balançava às suas costas, perto do cóxi. Era branca, com listras negras.

Havia também uma mudança notória em seus olhos, antes tão escuros, agora de um azul límpido e claro, brilhante e charmoso. Com apenas uma pequena bolinha preta no meio. Notara também o enrijecer das unhas, e como estavam mais cumpridas e aparentemente mais afiadas, mas não deu atenção aquilo naquele exato momento.

Estava um pouco mais esguio, ainda que não tivesse uma forma física (feminino ou masculino) claramente definida, olhou para o lugar. Para os corpos e tudo que parecia um caos total, antes de voltar a atenção para o lado, olhando Hector.

– Você está pelado. – Disse, com desgosto na voz, movendo a cauda atrás de si. Olhou novamente, vendo Niume, mas não disse nada a garota. – Que aconteceu?
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Re: Introdução: Deuses e Homens

Mensagem por Dønø_da_Wyrm em Dom Fev 19 2012, 19:27

Fragmentos de um passado estranho, lembranças de coisas que não deveriam ser dele. Como pode um filho do Caos se tornar um filho da Criação e servir contra sua própria loucura a propósitos ordeiros? Memórias de uma vida não vivida... de um tempo onde o Mundo era maior, perfeito, completo, um mundo longe da contaminação exterior e longe da deterioração interior. Lembranças, visões, sabores e cheiros, uma época distante onde aquela alma perdida e aprisionada era O Arauto das Infinitas Criações, capaz de vislumbrar o divino e construir o que os senhores do Caos jamais poderiam sonhar em criar.

Mas aqueles tempos já não mais existiam, restava apenas um vago sussurro, suave, porém perturbador, uma simples voz que lhe dizia " - É tempo de um novo Tempo como o antigo Tempo..."... porque a Criação abandonou seus criadores e se perdeu em seus próprios abandonos internos, onde os deuses se fizeram homem, destituíram seus próprios criadores e foram mortos pelos próprios homens. Restou apenas um mundo desprotegido a ser tomado pelo Caos... Era o momento de finalmente reencontrar a verdadeira Existência que jamais deveria ter sido perdida.

Um guerreiro quase relutante, mas feroz e implacável, um bondoso senhor, gentil e amável, sonhador como um autista, inspirador como um artista, porém, marcado por uma doença pavorosa que afasta o mundo dele, mas aproxima os que são como ele. Era hora de recuperar tudo que perdeu, trazer o mundo para perto de si, devolver aos seus o mundo que devia ser deles. Era o vazio a ser preenchido, o fim de sua Loucura, o resultado de sua negação que era o começo de uma Nova Era de Libertação para os seus, devolveria o mundo ao seu estado de Realidade plena.


-----------------------------------------------------------------

Nada a sentir além do frio daquele mármore... ele próprio, Alfadur, o filho de um Raksha se tornara uma pedra fria e sem vida, que remetia a si mesmo ao que seus antigos senhores mais temiam, como uma metáfora de sua própria Calcificação. Porém, sua consciência existia, alimentava seu sonho, ouvia o breve sussurro, o som suave que o seduzia e o tornava parte daquela história. Alfadur não morreria, Alfadur não mataria Niume, não traria a desgraça para o mundo, pois ele mudara seu destino.

Seus olhos se abririam como num milagre, pois ferir a si mesmo e matar sua Loucura o tirou da Morte levando-o para o Renascimento. As cascas daquele mármore frio sobre os olhos se esfarelavam e desapareciam, seus olhos outrora azulados tornavam-se esverdeados e quase brilhantes. Seu corpo forçou-se a frente em um passo a principio tímido e este movimento fez o mármore ceder em pedaços de diversos tamanhos até que tudo se esfarelasse e revelasse sua nova imagem. Não era muito diferente do mesmo Alfadur que ousou visitar uma cidade de humanos, mas seu semblante comumente pacato e gentil dava lugar a um olhar severo e inquisidor.

A figura petrificada deu lugar ao ser cujas asas esverdeadas e brilhantes se abriram longamente como quem se despreguiçasse. Era curioso, divertidamente curioso, pois Alfadur jamais se sentiu daquele jeito mesmo em meio às travessuras dos seres da Wyld tão capazes de criar histórias bizarras com formas diferenciadas. Suas roupas pareciam intactas, brancas, nobres e pomposas como antes, mas com detalhes esverdeados e jóias como belos adornos cor esmeralda. As vestes cobriam sua nudez, mas seus pés estavam descalços. O frio que jamais o incomodou ainda era um mero detalhe, mas tocar aquele solo o fazia sentir-se dono dele, diferente do quase intruso que teve de se humilhar diante de um miserável sentinela destreinado. Seus cabelos se moviam graciosamente ao sabor do vento enquanto seu rosto movia-se para olhar o céu e respirar aquele vento que lhe tocava a face, de olhos fechados apenas a sentir o mundo outra vez.

Apenas alguns segundos, um tempo só dele mesmo em meio a toda confusão envolvendo o grande urso, o garoto e seu cajado, o velho ancião, as pessoas da cidade... mas em que aquilo importava? Que fossem horas... o que acontecia em volta não importou, nada tiraria dele próprio aquele momento de se reencontrar e se mover no sentido da Esperança que carregava em sua alma. Alfadur ainda era o mesmo guerreiro quase relutantes, o bondoso senhor para os que ele escolhesse acolher, o admirador das belas artes que transpirava inspiração aos que viessem a ele, porém, já não era mais um simples forasteiro em busca de uma nova terra, mas aquele capaz de criar esta nova terra e concluir seus maiores objetivos.

Seus olhos abriam, agora sem aquele brilho, as estranhas asas estavam ali, mas pareciam mover-se de forma quase etérea, seu rosto moveu-se para os lados e diante dele, um cemitério a céu aberto. Centenas, talvez milhares de mortos espalhados pela praça. Talvez ninguém sobrevivera e provavelmente até seus servos e soldados pereceram. Antes que viesse a se preocupar, Alfadur fitou outra direção e diante dele estava Niume, bem diferente da Niume que conhecia, mais séria, mais... forte... em seu aspecto, mas ainda era aquela que ele amou e tornou seu símbolo de esperança. Provavelmente Niume veria toda aquela transformação, da estátua para um novo Alfadur e este se aproximaria dela ainda com aquelas feições sérias, mas que se abrandariam com um comedido alívio por ver que ela estava bem. Alfadur se aproximara e a abraçara ternamente sussurrando em seu ouvido:

" - Não sei o que aconteceu, mas sei que vamos resolver tudo... que bom que está bem..."

Só então Alfadur se daria conta de que perto dele naquele estranho altar, ainda havia outros restos de mármore que revelavam novas imagens de pessoas já conhecidas. Soltou Niume e olhou a sua volta para ve-los. A primeira pessoa, maior e robusta, era o homem que chamavam de Montanha Negra que, assim como o próprio Alfadur e Niume, parecia mudado para um aspecto mais soberano. A outra figura era o ser jovem chamado Charlie que poderia ser homem ou mulher, mas que naquele instante parecia de fato uma fera não muito diferente de outras que conheceu nos confins do mundo. Uma pessoa com garras e presas pronta para ferir ou se divertir com possíveis vítimas.

Alfadur sorriu... era estranho, mas não ruím... ele viu o destino de todos, ele sabia que Charlie mataria Hector, mas se ele próprio impediu a si mesmo de matar Niume, por que o mesmo não aconteceria aos seus companheiros circunstanciais? Talvez eles também lutaram contra os destinos escritos nas estrelas, mudaram o sentido de suas almas, mudaram o significado de suas existências. Eram as mesmas pessoas, mas pareciam mudados como ele próprio e sua companheira Niume mudaram.

Mais uma vez, Alfadur moveu o rosto na direção da praça onde estavam todos os corpos. Talvez apenas aqueles quatro tenham sobrevivido, talvez apenas eles tenham entendido alguma mensagem diferenciada, talvez houvesse mesmo para eles alguma brecha nos destinos deles que permitissem tais alterações fazendo-os ainda viver. Assim que olhou o campo morto, Alfadur falaria a todos num tom de voz baixo e sereno:

" - Não vejo mais uma Haafingar que me fez sorrir ao chegar e temer por rejeição ao entrar... tudo aqui está morto e não era o que eu desejava... quem fez isso... terá de pagar."

Disse de modo severo, não exatamente ríspido, mas bastante convencido de que aquilo era o certo, afinal, era justo destruir e levar o sofrimento a quem tanto mal fez àqueles pobres miseráveis. Alfadur sabia quem era o culpado... o grande urso chamado Voz dos Antigos.

-----------------------------------------------------------------

O Arauto das Infinitas Criações, exuberante que paira sobre a Criação onde impõe sua Soberania sobre e além dela, nega tudo aquilo que o contraria, subjulga seus inimigos com sua poderosa Vontade inabalável e inquestionável. É o senhor da Ordem e do Caos, capaz de moldar o mundo movido pelo mais profundo sonho de alcançar o mais perfeito refúgio para os que ama - uma Criação perfeita. Orgulhoso, despreza os que odeia, ignora os que o odeiam, destrói os que o ameaçam, abraça os que o adoram protegendo-os com suas asas que cobrem o céu e afastam o Sol escaldante e avassalador.
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Re: Introdução: Deuses e Homens

Mensagem por Valkyrja em Qua Fev 22 2012, 17:32

Vaan se afogava cada vez mais naquela sensação. Enquanto antigamente via, todas as noites em Yu-sham, um universo infinito, cheio de possibilidades e estrelas brilhantes, tudo tão ao alcance de sua mão, onde fazia sentido estar, agora via apenas um oceano negro longe demais até para que sua voz fosse ouvida. Nem mesmo o som conseguia viajar dentro daquela matéria tão densa e pesada. E seu coração estava morto, ela já não o sentia bater e no fundo, sabia que estava morta desde seu retorno. O único som pulsante dentro daquele emaranhado de teias, de destinos, de escuridão, da Criação inteira era o som daquela voz que arremessava todas as verdades para Vaan, que ainda teimava em não segurá-las.

- O que você quer dizer...? – e ela levou sua mão até seu peito, e novamente contestou aquela dura realidade. Não era, de fato, ela que deveria estar ali. Não era seu destino, mas afinal, era o destino de quem? O que era ela no meio daquele oceano que os mortais chamavam de vida? Era tudo tão cruel.

Estava ainda inerte diante do que ela havia abraçado como seu “destino”. Precisava ter pelo menos uma mínima certeza, algo que a guiasse. Deixou que as mulheres se aproximassem e sentiu medo, um medo que só sentira quando viajou para os piores cantos de Malfeas. Como um mártir diante de sua punição, ela permaneceu erguida e um único e triunfante grito foi ouvido quando teve sua carne perfurada. Se ele lhe oferecia um destino ou o poder de mudá-lo, ela aceitaria, afinal, era tudo o que tinha. Vaan ergueu seus olhos vermelhos enquanto seus cabelos eram balançados pelo vento quente que emanava agora da divindade. Seu sangue manchava o chão antes mármore e ela mal podia sentir sua pele, que parecia estar sendo arrancada devagar. Seus olhos encaravam o negro e o verde do ser que significava o próprio universo, o Universo que ela e os outros estavam jogados, mas, infelizmente, nenhuma resposta lhe fora dada. Antes que pudesse chamar por elas, abriu seus olhos.

Vaan olhou ao redor, ainda deitada onde estava. Algo quente pulsava em sua testa e fez com que ela levasse sua mão boa até a mesma, percebendo um leve brilho lilás. Não sabia exatamente o que era, mas sentia-se....mudada. Não saberia dizer como, mas algo parecia trazer algum sentido ao emaranhado que havia se metido.Ergueu-se sobre um cotovelo, ainda deitada, e percebeu Niume se aproximar das estátuas. Havia algo de diferente também nela, algo que emanava um poder divino, uma confiança que fazia Vaan admirá-la. Via também as partículas douradas que cobriam a menina. Vaan tinha certeza que, em algum lugar de sua mente, sabia o que era aquilo. Viu-a parar na frente das estátuas assustadoramente reais e macabras. Ela gemeu de dor enquanto sentava-se e não conseguiu desgrudar os olhos quando a Montanha Negra quebrou sua prisão de gelo e agora se assemelhava mais a um fantasma.

-...Pelos deuses!! – e espantou-se ao ver Charlie e Alfadur surgirem das esculturas de mármores, tão imponentes quanto Niume. Não conseguia se lembrar de quando sentiu-se tão diminuída. Era uma sensação estranha, mas Vaan podia sentir algo extremamente forte correr também por ela, mas por algum motivo, não conseguia deixar aquilo – o que ela ouvira Iron chamar de Essência – fluir livremente. Talvez estivesse com medo do que aquilo iria trazer.

Levantou-se lentamente, sem tirar os olhos deles....

...Até que pareceu sentir o cheiro da morte e virou-se para o resto da cidade. Arregalou de leve seus olhos e balançou a cabeça negativamente. Via os corpos jogados no chão dilacerados, alguns ainda com expressão de dor e medo. Tentou disfarçar o incômodo e olhou para o resto do altar. Seus olhos antes lilases e estrelados agora tomavam uma tonalidade dourada, e quando pousaram sobre o Guardião Esmeralda morto, ela foi até Sora e o encarou. Seu olhar era tão poderoso que ela tinha certeza que Sora o entendia. Ele sabia que ela queria respostas e faria o que fosse preciso para consegui-las. Afinal, quem era o Guardião?O que, afinal, acontecera ali? Ela esperou Sora se manifestar.

-O que pode nos contar agora?

E Vaan engoliu em seco, enquanto lembrava-se de sua visão e do brilho em sua testa.
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Re: Introdução: Deuses e Homens

Mensagem por Niume em Qua Fev 22 2012, 22:27

Niume tinha passado incontáveis segundos observando a estatua alada, congelada imponente a sua frente. O mármore era algo tão magnifico que algo nela sentiu uma vontade de toca-lo, enquanto algo maior a manteve imóvel, séria e indiferente. Os olhos azuis viraram-se na direção da maior das estatuas, a primeira a se quebrar. Ela tornou-se mais branca, como se fosse envolvida por uma película transparente e manchada, os ouvidos mais sensíveis davam a sensação de que podia ouvir como se gelo trincasse sobre aquela camada. A película começou a rachar, estalando mais alto, trincando por todos os lados até o alto ruído revelar os pedaços indo pelos ares. Antes, Niume teria se movido em reflexo a explosão, provavelmente para trás da estatua, mas agora sua única reação foi proteger o rosto com um dos braços. Com a expressão quase serena do que não podia ser abalado, a jovem observou o alto gigante a qual a estatua havia dado lugar. Hector estava mais alto do que se lembrava, nu com exceção do martelo, também maior do que podia se lembrar e mais magro, talvez, mais jovem. Ela devia estar assustada, mas não estava. O gigante talvez não tivesse reparado nela antes o suficiente para perceber. Quando ele a olhou, os olhos dela o encaravam, mas não houve resposta.

Dele, os olhos seguiram para a estatua do meio, a segunda que começou a reagir ali. O tigre de mármore tremeu por um momento antes que a jovem pudesse perceber os movimentos rasgando o mármore por dentro. Podia ouvir o som das garras arranhando a pedra, mais e mais forte ate tudo se espatifar. Ela observou a “criatura” cair por entre os pedaços, era a mesma de antes, que tinha proposto desafiar o urso. Mas ela também estava diferente, parecia ter saído de uma guerra, movia o nariz como um felino farejando o ar, tinha agora uma calda, movendo-se sibilante. Os olhos também estavam diferentes, mas isto Niume não pode afirmar qual era a grande mudança, não tinha reparado neles antes, embora não pudesse deixar de reparar nas garras longas e rígidas. Ela ouviu a pequena troca de palavras entre ela e o que ainda era seu senhor, encarou também os olhos dela, mas novamente nada foi dito. Nada dito diretamente a eles.

-Todos mortos..

Disse a voz mais madura e firme, diferente da outra quase adolescente. Era uma voz mais feminina, mais aveludada e mais adulta. Os olhos voltaram a terceira e ultima estatua, como se esperasse que assim como as outras, ela também fosse rachar e rachou. As cascas do mármore foram se esfarelando e desaparecendo diante dela, os olhos tornavam-se visíveis, verdes e brilhantes a medida que a pedra revelava o corpo escondido ali. Ela deu um passo a trás, calmo e silencioso e observou a figura forçar o corpo a frente, fazendo o mármore ceder em pedaços maiores até ir tudo ao chão e restar ali apenas ele, Alfadur. Embora, diferente, como tudo parecia estar. A figura paternal tão amada abriu asas esverdeadas e brilhantes como os olhos, parecia curioso como ela antes era, jamais o tinha visto daquela forma, tão travesso. Ele ainda estava vestido e descalço. Ele transbordava aquilo que ela sempre tinha sentido nele e isso foi tudo que alterou a expressão de seu rosto a um pequeno sorriso.

Alfadur encontraria Niume parada a sua frente, o corpo dela parecia envolto em uma aura dourada majestosa, quase quente. Na sua testa, brilhava um grande circulo dourado. A jovem observou e o corpo ficou levemente imóvel ao ser abraçado, não esboçando a alegria espontânea e os gestos impulsivos de antes. Levou alguns segundos para que os braços também o abraçassem, com carinho e alivio que a face não demonstrava.

-Que bom que esta bem..

Sussurrou ela de volta, afastando-se dele mas continuando parada ao seu lado. Havia palavras a serem ditas, mas não conseguia dize-las. Os olhos novamente passaram por todos ali, antes estavam mortos, tinha visto a morte de todos incluindo a sua própria. Mas estavam todos ali, de pé, vivos, diferentes.

-Essa batalha é nossa?

Não havia ódio e nem mesmo a costumeira ironia. Havia apenas calma na pergunta feita diretamente a Alfadur. Afinal, aquela cidade os tinha olhado pelas costas, ninguém os tinha desejado ali antes e algo nela sentia-se bom demais para lutar por alguem que não merecia ao mesmo tempo em que sabia que lutar era o certo.

Niume virou o rosto para trás e o corpo levemente de lado, agora observando Vaan. Apenas agora tinha ouvido a jovem se levantar do chão. Os olhos a encararam em silencio, observando enquanto ela tinha a mesma reação de todos eles, surpresa com toda a morte ao redor. Algo nela agora parecia estranhamente acostumada com a morte.
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Re: Introdução: Deuses e Homens

Mensagem por Dønø_da_Wyrm em Qui Fev 23 2012, 00:02

Para ver mais que aquilo, somente caminhando por toda a cidade ou mesmo riscando o céu para ver além dos olhos e entender todo mal que assolou aquela terra. Era para ser uma festa em um paraíso junto de pessoas que ele nunca viu e desejava te-los como seus assim como tinha todos aqueles refugiados da Wyld que viviam além das montanhas. Mas a morte chegou rápido para todos deixando apenas o rastro de sangue e os corpos caídos, muitos mutilados, logo exalariam terrível odor mesmo em meio ao ambiente gelado que conservava a carne.

Alfadur cansou-se de olhar, não queria mais observar corpos caídos. Não era divertido, não era prazeiroso, ainda que ele não sentisse seu ccoração bater muito forte. Havia piedade nele, mas parecia uma piedade diferente, talvez egoísta, por sentir a morte de possíveis aliados e não por serem inocentes a perecerem. Talvez não houvesse mais um amor incondicional para com aquelas pessoas. Era estranho sentir-se assim, era estranho não se ver mais como um salvador.

Ele baixou o olhar, fechou os olhos e respirou profundamente, sentiu aquele cheiro de sangue no ar, o cheiro da morte, da desolação. Novamente abriu os olhos e fitou Niume que lhe fazia aquela pergunta após solta-lo do abraço.

" - Está guerra não é nossa... eles não merecem nossa ajuda, mas se não fizermos nada, seremos como eles, indiferentes ou medrosos, e creio que somos melhores do que isso... "

Respondeu a Niume de modo mais severo, não contra ela, mas com um aspecto mais rigoroso, mais... orgulhoso. Não havia mais uma cidade a ser salva, mas Alfadur ainda desejava ser um herói, nem que fosse pela vingança daqueles que morreram. No chão ele via sua espada que fora trazida por Niume, uma arma comum forjada na Wyld, mas era uma arma letal. Ele caminhou alguns passos e agaixou-se para pega-la. Em seguida caminhou na direção de Vaan que aparecia ali "do nada" como mais uma sobrevivente. Alfadur a fitou de modo curioso. Ela também havia mudado, ela possuía algo mais em seu ser, algo que ele podia sentir como se também fosse dele. Pelo visto, os sobreviventes eram ou se tornaram algo especial.

Vaan questionava o homem que estava deitado ao lado do corpo do garoto. Talvez Sora nem estivesse mais vivo, mas Vaan ainda o interrogava. Alfadur apenas observou de perto esperando pela resposta de Sora. Que houvesse realmente uma resposta, pois ele queria saber o que houve ali, com todos de Haafingar e também com ele, Niume e os outros que estavam ali com ele.
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Re: Introdução: Deuses e Homens

Mensagem por Rosenrot em Qui Fev 23 2012, 08:02

Charlie ainda aguardava uma resposta de Hector, mas começou a mover-se pelo lugar, observando os corpos mais próximos como se buscasse as maneiras pelos quais foram mortos, e às vezes, dependendo dos aspectos das roupa, Charlie se abaixava, afim de tentar identificar. Procurou pela guarda pessoal de Hector, talvez pudesse ao menos dar um enterro aos homens. Ouvia, meio parcamente a conversa entre Niume e Alfadur e depois a mulher que surgiu.

Charlie tinha um aspecto mais feral, ainda que tivesse uma clara graça para se mover. A cauda balança de um lado para o outro, mas Charlie ainda não tinha notado-a. Achou um dos corpos. Abaixou-se, agarrando-o pelas pernas e o puxando. Arrastou até próximo a Hector e voltaria para buscar mais. Pegaria todos os homens de Hector que encontrasse.

Estava inquieta, a conversa entre os três até agora não lhe interessava. Não buscava e provavelmente nem buscaria vingança para aqueles ceifados. Mas queria conversa com Hector, sobre o que tinham visto. Aquilo não era verdade, bem... Não totalmente verdade. Respirou fundo.

- Então... - Ela começou, virando-se para Hector após recolher os corpos.- Que vai fazer agora? Não acho que seja inteligente ir atrás do que quer que tenha feito isso.
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Re: Introdução: Deuses e Homens

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